Diferenças entre o cristianismo bíblico e o catolicismo romano – Augustus Nicodemus

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Em comemoração pelos 500 anos da Reforma, compartilho esta palestra de Augustus Nicodemus sobre a diferença entre o cristianismo bíblico e o catolicismo romano.


Palestra do teólogo português Tiago Cavaco sobre um tema muito relevante e atual nestes 500 anos da Reforma: a catolicidade. Para sermos bons cristãos que respeitam a história e a tradição, precisamos nos tornar católicos romanos? Para sermos bons cristãos temos que nos submeter a Roma? A resposta a estas perguntas é: não.

Por que a Bíblia católica tem mais livros?

Muita gente simples tem essa dúvida e acaba acreditando em versões completamente equivocadas e imparciais dadas pelos seus líderes religiosos, sejam eles católicos ou protestantes. Por isso, resolvi explicar essa questão aqui de maneira clara, sucinta e direta, para que seja facilmente entendida e finalmente esclarecida para os leigos.

pergaminho

A Bíblia protestante é constituída por 66 livros; 39 dos quais formam o Antigo Testamento (a Bíblia Hebraica, dos judeus), e 27 compõem o Novo Testamento. Já a Bíblia católica possui, além desses 66, outros sete livros completos (Tobias, Judite, I Macabeus, II Macabeus, Baruque, Sabedoria e Eclesiástico) e alguns acréscimos aos livros de Ester (10:4 a 11:1 ou a 16:24) e Daniel (3:24-90; caps. 13 e 14). Todos esses livros e fragmentos adicionais, chamados de deuterocanônicos pelos católicos, e de apócrifos pelos protestantes, fazem parte do Antigo Testamento na Bíblia católica, de modo que o Novo Testamento é idêntico em ambas as Bíblias.

Os livros deuterocanônicos ou apócrifos foram produzidos, em sua maioria, durante os dois últimos séculos antes de Cristo; portanto, bem depois que o cânon da Bíblia Hebraica já estava concluído; daí serem chamados de “deuterocanônicos”. Embora nunca tenham feito parte da Bíblia Hebraica, porém, eles foram incorporados à tradução da Bíblia para o latim (Vulgata Latina) em 382 d.C., e declarados autênticos pelo Concílio de Roma, no mesmo ano. Essa versão preservou e popularizou os acréscimos durante a Idade Média. Em 1546, pouco depois da Reforma Protestante, o Concílio de Trento decretou que aqueles que não reconhecessem os acréscimos da Vulgata Latina como genuinamente sagrados e canônicos deveriam ser excomungados. Consequentemente, todas as versões católicas da Bíblia preservam até hoje esses escritos.

Os protestantes, por sua vez, reconhecem o valor histórico dos livros apócrifos, mas não os consideram como canônicos ou inspirados. Essa posição deriva do fato de tais escritos (1) não fazerem parte do cânon hebraico do Antigo Testamento; (2) não haverem sido citados por Cristo ou pelos apóstolos no Novo Testamento; e (3) apresentarem ensinamentos contrários ao restante das Escrituras. Entre esses ensinamentos estão as teorias da existência do purgatório (Sabedoria 3:1-9; contrastar com Salmo 6:5; Eclesiastes 9:5, 10); das orações pelos mortos (II Macabeus 12:42-46; contrastar com Isaías 38:18 e 19); de que anjos bons mentem (Tobias 5:10-14; contrastar com Mateus 22:30; João 8:44); de que os órgãos de um peixe, postos sobre brasas, espantam os demônios (Tobias 6:5-8; contrastar com Marcos 9:17-29); e de que as esmolas expiam o pecado (Tobias 12:8 e 9; Eclesiástico 3:30; contrastar com I Pedro 1:18 e 19; I João 1:7-9).


Quem dividiu a Bíblia em capítulos e versículos?

Como foi feita a divisão da Bíblia em capítulos e versículos? Nos livros originais não havia nada disso, nem separação entre as palavras, sem sinais de pontuação, nem vogais (no caso da Bíblia Hebraica). A necessidade de dividir o texto sagrado surgiu especialmente para facilitar a localização de passagens bíblicas. Houve diversos sistemas, tanto entre os cristãos como entre os judeus (SedarimPerashiyyotPesuquim).

A atual divisão da Bíblia em capítulos deve-se ao trabalho do clérigo inglês Stephen Langton, que foi chanceler da Universidade de Paris, em 1206, e se tornou Arcebispo da Cantuária, na Inglaterra, em 1207 (mas só assumiu o cargo em 1213, por causa de intrigas entre o Papa e o rei). Ele publicou uma versão da Vulgata (a tradução da Bíblia para o latim feita por Jerônimo) com a divisão dos capítulos que temos hoje. Algumas outras divisões anteriores já haviam sido feitas, mas foi a versão em capítulos de Langton, conhecida como “Bíblia Parisiense”, que vingou até hoje. Foi com essa divisão de capítulos, inclusive, que a tradução da Bíblia de Lutero foi impressa no século 16.

Já a divisão em versículos veio três séculos mais tarde pelo trabalho do redator, editor e impressor francês Robert Estiénne, também conhecido como Stephanus. Estiénne foi um homem erudito, conhecedor do latim, do grego e do hebraico, que se empenhou em revisar e editar uma versão crítica da Vulgata. Nestas edições da Bíblia, apontava erros de manuscritos, de tradução, entre outras notas. Por causa de seu trabalho, foi considerado um herege pela igreja católica e, diferente de outros colegas de profissão, conseguiu escapar da fogueira muitas vezes. Em 1550, se tornou ilegal a impressão de outras versões da Bíblia senão a Vulgata. Por isso, Stephanus foi residir em Genebra, na Suíça. Estiénne reeditou uma divisão feita por Pagnino de Lucca, um monge dominicano que, em 1541, havia repartido a Bíblia em 1527 versículos. O editor retocou os versículos do Antigo Testamento e reelaborou todo o Novo Testamento. Depois disso, aproveitou a divisão em capítulos de Langton e, em 1553, publicou, pela primeira vez, em francês, toda a Bíblia com as divisões que temos atualmente. Em 1555, fez a versão latina.

Uma ideia tão simples — ter capítulos e versículos numerados. Com isso, cada versículo bíblico tem um “endereço” único, como um CEP ou código postal. É verdade que esses capítulos e versículos às vezes dividem o texto bíblico em lugares estranhos. Mas essa divisão torna mais fácil citar e encontrar determinada passagem. A divisão em capítulos e versículos facilita muito as coisas. Mas lembre-se de que é importante entender toda a mensagem de determinado livro. Por isso, recomenda-se desenvolver o hábito de ler o contexto em vez de apenas versículos isolados.

Qual a origem dos nomes das notas musicais?

Quem batizou as notas musicais foi o monge beneditino italiano Guido d’Arezzo. Ainda no século 11, ele nomeou a escala ao se inspirar num hino a São João Batista, composto por outro monge, Paolo Diacono, três séculos antes. Veja os versos abaixo:

Ut queant laxis…

Resonare fibris…

Mira gestorum…

Famuli tuorum…

Solve polluti…

Labii reatum…

Sancte Iohannes.

Para entender a lógica, basta pular o primeiro verso e depois pegar a primeira sílaba de cada frase para reconhecer as notas – (Ut), Re, Mi, Fa, Sol, La… O “Si” ele adaptou, juntando as primeiras duas letras de “Sancte Iohannes” (São João). Cinco séculos depois, incomodado com o som da primeira sílaba, o músico Giovanni Maria Bononcini incrementou uma mudança: trocou o “Ut”pelo “Do”, de Dominus (Senhor). E, com essa benção celestial, sacramentou a nomenclatura das notas musicais.

NOTA: Desde a Antiguidade, o padrão era usar letras para representar as notas (a única exceção, aliás, é o nosso sistema latino, que usa sílabas). Em países anglófonos, as notas são representadas por letras: C, D, E, F, G, A e B, respectivamente. Essa é uma das designações mais antigas, que nós usamos também em cifras. Mas o alfabeto grego arcaico, por exemplo, também já foi usado.

Fontes: Curso Completo de Teoria Musical e Solfejo, de Belmira Cardoso e Mário Mascarenhas; Enciclopédia Britânica; Enciclopédia Barsa. Via revista Superinteressante.

Soltas pelo Papa, pombas “da paz” são violentamente atacadas por outras aves

Neste domingo (26), durante a tradicional celebração do Ângelus, na Praça São Pedro, no Vaticano, o Papa Francisco, junto com duas crianças, soltou duas pombas brancas da janela do Palácio Apostólico, num gesto simbólico pela paz mundial. Segundos após alçar voo, porém, as pombas foram violentamente atacadas em pleno ar por um corvo e uma gaivota. Dezenas de milhares de pessoas viram a gaivota agarrar-se à cauda de uma das pombas, enquanto o corvo bicava repetidamente outra. A pomba atacada pela gaivota só perdeu algumas penas; mas a outra, perseguida pelo corvo, levou muitas bicadas e não se sabe o seu destino. Muitas pessoas presentes no local interpretaram este insólito acontecimento como sendo um mau prenúncio de que tempos de guerra virão. O ataque foi flagrado por um fotógrafo da agência de notícias britânica Reuters. Veja a sequência dessa “batalha aérea” nas fotos abaixo e depois tente responder: Sinal dos tempos ou apenas uma coincidência muito cômica?

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Por que os dias da semana têm “feira”?

calendar_icon1“Dias úteis” é como são chamados aqueles dias da semana que são destinados ao trabalho, em oposição a “fim de semana”, que são os dias destinados ao descanso e ao lazer. Atualmente, a semana é dividida em 5 dias úteis e um fim de semana de 2 dias (sábado e domingo). Na língua portuguesa, o nome “sábado” tem origem judaica (do hebraico “shabāt”) e significa “dia do descanso”; ele geralmente é considerado o último dia da semana e tem seu fundamento na narrativa bíblica do Gênesis, em que Deus criou o mundo em 6 dias e descansou no último. O nome “domingo” tem origem romana (do latim “dies Dominicus”) e significa “dia do Senhor”; ele geralmente é considerado o primeiro dia da semana, aquele em que as pessoas se reúnem para cultuar a Deus (daí a tradição de ir à igreja aos domingos). Os demais dias (os “úteis”) foram nomeados pela sua ordem (segunda, terça, quarta…) acrescidos da palavra “feira”. Mas por quê?

O nome “feira” acrescido aos dias úteis da semana na língua portuguesa vem do latim “feria“, que também significa “dia de descanso”, “folga”, ou ainda mais literalmente “férias”. O termo passou a ser empregado no ano 563, após um concílio da Igreja Católica na cidade portuguesa de Braga. Na ocasião, o bispo Martinho de Braga decidiu que os nomes dos dias da semana usados até então, em homenagem a deuses pagãos, deveriam mudar. Mas espera aí: se feria significa dia de descanso, folga e férias, por que se usa “feira” para nomear os dias úteis? Isso acontece porque, no início, a ordem do bispo valia apenas para os dias da Semana Santa, em que todo bom cristão deveria descansar. Somente depois é que ela acabou sendo adotada para o ano inteiro.

A parte mais interessante dessa história é que tudo isso (os nomes dos dias e suas origens explicadas acima) é uma exclusividade dos países de língua portuguesa. No inglês, espanhol, francês, italiano, alemão e muitas outras línguas modernas, ao contrário do que queria o bispo Martinho de Braga, os deuses pagãos continuam sendo homenageados e batendo ponto dia após dia. Isso porque, na sua origem mais remota, os nomes dos dias da semana tinham influência na astrologia, e cada um representava um deus pagão, que por sua vez eram representados materialmente por um astro do nosso Sistema Solar: Sol (domingo), Lua (segunda), Marte (terça), Mercúrio (quarta), Júpiter (quinta), Vênus (sexta) e Saturno (sábado). Veja o exemplo do inglês: sunday (dia do Sol), monday (dia da Lua), tuesday (dia de Marte), wednesday (dia de Mercúrio), thursday (dia de Júpiter), friday (dia de Vênus) e saturday (dia de Saturno).

Outro dado curioso: por ordenação de trabalho e lazer e pela normalização ISO 8601, a segunda-feira é considerada o primeiro dia da semana, sendo o domingo o último dia e o sábado o penúltimo. No entanto, desde o ano 321 os calendários ocidentais começam a semana pelo domingo. A regra foi imposta naquele ano pelo imperador romano Constantino, que, além disso, estabeleceu que as semanas teriam 7 dias. A ordem não foi aleatória: embora na época os romanos adotassem semanas de 8 dias, a narrativa do Gênesis já dizia que Deus havia criado a Terra em 6 dias e descansado no sétimo e, ao que tudo indica, os babilônios também já dividiam o ano em conjuntos de 7 dias.

Com informações de Wikipédia e revista Mundo Estranho.

Veja também: Sobre os nomes dos meses

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