Minha nação nordestina

Os 193 países do mundo possuem juntos uma área total de aproximadamente 136.620.898 km². Dividindo isso igualmente entre eles, temos que 707.880 km² é aproximadamente o tamanho médio de um país do mundo hoje. Considerando apenas o continente europeu, sua área total é de aproximadamente 10.180.000 km². Dividindo isso igualmente entre os 50 países que compõem a Europa, temos que 203.600 km² é aproximadamente o tamanho médio de um país europeu. Resumindo, um país europeu médio teria cerca de 200 mil km² de área, enquanto que, em escala mundial, um país médio teria pouco mais de 700 mil km². Isso significa que boa parte da população mundial considera como sua pátria, sua nação, um território com área entre 200 e 700 mil km² (uma área do tamanho do Estado de São Paulo, Minas Gerais ou Bahia).

Com dimensões continentais (8.515.767 km², quase o tamanho da Oceania), o Brasil está muito longe desse padrão; de modo que muitos Estados brasileiros possuem dimensões bem maiores que o tamanho médio de um país. Talvez isso explique o porquê de haver tantos sotaques e culturas diferentes, tanto “bairrismo” e uma certa “rivalidade” (que em alguns casos culmina em preconceito e discriminação) entre regiões do Brasil, como o Nordeste e o Sudeste, por exemplo. É que, conscientemente ou não, percebemos mais facilmente como nossa pátria (ou nação) apenas a região geográfica em que vivemos (em alguns casos apenas o nosso Estado e/ou Estados vizinhos). Muitas vezes sem nos darmos conta disso, pensamos no Brasil da mesma maneira que muitas populações do mundo pensam o seu continente. Por isso, acabamos considerando como nossa nacionalidade e sentimos maior patriotismo apenas pela nossa região ou Estado.

Tomemos como exemplo o meu caso. Sempre vivi na Paraíba e, até hoje, só viajei por terra (moto, carro, ônibus, trem) para o interior paraibano e para os Estados vizinhos de Pernambuco e Rio Grande do Norte. Fora desse território limitado, só fiz viagens aéreas, dada a inviabilidade de percorrer o Brasil por terra. Por esse motivo, considero como minha terra natal, meu lugar de origem, apenas aquele raio que posso facilmente percorrer por terra em apenas um dia. De certa forma, meu “país” (considerando-se a média global) é apenas aquela área para a qual posso ir de moto ou carro quando me der na telha e voltar no mesmo dia. Sendo mais preciso, posso dizer que essa área tem cerca de 406.322 km² e corresponde aos Estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Sergipe (em vermelho no mapa). Isso é quase o dobro do tamanho de um país europeu médio e mais de três vezes o tamanho da Inglaterra!

Nordeste

Não quero com isso sugerir ou propagandear uma segregação do Brasil. Meu discurso não é nem um pouco separatista. Pelo contrário, eu até penso que unir estes seis Estados em um só talvez seria uma boa ideia, visto que estamos falando de unidades federativas relativamente pequenas em área se comparadas com os outros Estados, e geograficamente agrupadas, juntinhas. Se isso acontecesse no futuro, seríamos um Estado mais forte, mais representativo e com um tamanho parecido com o da Bahia ou Minas Gerais. Já comentei aqui em outro post que a capital seria Recife. Mas não é bem isso que quero defender aqui. O objetivo deste post é apenas expor uma constatação curiosa: a de que, se os países do mundo tivessem todos mais ou menos o mesmo tamanho, a área em vermelho do mapa acima seria a minha Nação Nordestina.

ATUALIZAÇÃO em 05/05/2015:

A União Europeia é formada por 28 países europeus, quase como o Brasil, que tem 27 unidades federativas (os 26 Estados e o Distrito Federal). No entanto (pasmem), sua área total é de apenas 4.324.782 km², quase a metade da área do Brasil, que é de 8.515.767 km². Fazendo com a UE os mesmos cálculos acima, temos que a área média de um país membro da UE é de 154.456 km²; enquanto que a área média de um Estado brasileiro é mais que o dobro disso: 315.399 km².

ATUALIZAÇÃO em 07/04/2017:

A área em vermelho no mapa acima corresponde quase exatamente ao território conquistado pelos holandeses no século 17, que na época era conhecido como Nova Holanda (mapa abaixo).

Nova Holanda

Explore o mundo com o Google Maps

Google-MapsO Google Maps, aliado ao Street View, é uma das maravilhas tecnológicas desde século. Se você ainda não conhece, o que é bem difícil, ou se simplesmente nunca teve curiosidade de explorar esses serviços, um bom começo é assistir esse vídeo tutorial, produzido pelo próprio Google. Assista logo abaixo, aprenda a usar o serviço e comece a explorar o mundo, fazer incríveis tours virtuais e viajar por diversos países sem sair de casa e sem nenhum custo (a não ser a conta da internet).

Lugares onde o Street View já chegou:

street view

Reorganização das regiões do Brasil

regioes-do-brasilComo vocês já devem ter notado, tive essa ideia num momento de ócio. Na verdade, ideias como essa só podem surgir do ócio. O ócio é, por assim dizer, uma condição de possibilidade para ideias desse tipo. Enfim, quando estou entediado, costumo estudar geografia no Wikipedia e fazer longas e fascinantes viagens virtuais no Google Maps e Street Views – viagens essas que eu jamais poderia fazer fisicamente por falta de uma fortuna pessoal. Numa dessas, cismei com a atual divisão do Brasil em 5 regiões.

Não gosto da forma como o Brasil é dividido (acho o Norte grande demais em extensão, e o Sul pequeno demais, ente outras coisas). Então resolvi baixar um mapa político do Brasil vetorizado, abri-lo no Paint e testar novas formações possíveis. Perdi quase uma manhã toda brincando com isso e, no fim, resolvi compartilhar com outros navegantes ociosos como eu as minhas propostas de mudança. Não é nada sério e nem sequer chega perto do trabalho de um designer gráfico orientado pela técnica de um cartógrafo profissional. É, em vez disso, uma espécie de rabisco bem grosseiro de como eu dividiria o Brasil, caso me ocorresse a oportunidade. Nos mapas abaixo, todos devidamente legendados, apresento possíveis divisões do Brasil em duas, três, quatro ou seis regiões.

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BÔNUS

Regiões do Brasil em 1913:

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Regiões do Brasil em 1938:

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O planeta Terra visto à noite

As áreas iluminadas no mapa mundi a seguir representam os centros urbanos ao redor do mundo. Para criar esta projeção, toda a superfície terrestre foi fotografada via satélite durante a noite do dia 27 de novembro de 2000. É uma imagem incrível! Ela foi criada com dados do Defense Meteorological Satellite Program e traz consigo uma importante constatação científica: a civilização humana é detectável do espaço. Isso significa que, depois da descoberta e popularização da eletricidade, são maiores as chances de sermos encontrados por outras civilizações. Além disso, ela é um ótimo instrumento para se estudar o fenômeno da urbanização em todo o mundo, já que dá para identificar facilmente onde estão os grandes centros urbanos.

Dica: Clique na imagem para ver em tamanho maior.

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BÔNUS:

Enxergando o Antropoceno: o impacto planetário da atividade humana

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Oficialmente, o Antropoceno ainda não existe. Mas se torna cada vez maior o reconhecimento de que a atividade humana alcançou tal ponto que entramos em nova era geológica, onde nossas ações coletivas afetam todo o sistema planetário em uma escala sem precedentes. Minúsculos seres humanos, que colocados lado a lado caberiam todos em um estado brasileiro, espalhados por todo o globo, com suas muitas máquinas, dominam hoje os rumos do clima, da biodiversidade e dos recursos limitados da terceira grande rocha do sistema solar.

No vídeo a seguir, vemos as luzes das cidades, bem como a infra-estrutura de energia e transportes desses pequenos humanos avançando por todos os cantos da Terra. E esta não é apenas uma representação virtual, a centenas de quilômetros no espaço: as luzes podem ser vistas muito bem a olho nu. O termo Antropoceno foi cunhado pelo prêmio Nobel Paul J. Crutzen, um dos descobridores do buraco na camada de ozônio, e reconhecer nosso papel determinante no presente e futuro da Terra deveria ser uma consequência natural de adotá-lo. “O planeta é nosso lar, nosso passado, nosso presente, nosso futuro”. Saiba mais (em inglês) direto na fonte: Globaia.

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