O valor das coisas e das pessoas

Crônica de Alex Castro.

Nos países desenvolvidos as coisas são baratas e as pessoas são caras. No Brasil, é o oposto: as coisas são caríssimas, mas as pessoas (ou seja, os serviços que elas prestam) sempre estiveram a preço de banana. Agora, isso está mudando.

Para um americano de classe média, a vida do seu equivalente brasileiro parece vida de rico. Os EUA são a terra do faça-você-mesmo. As meninas se depilam e fazem as próprias unhas. Os amigos se juntam pra pintar as casas uns dos outros. Nas mudanças, o normal é alugar um caminhão e chamar a galera pra carregar caixa. Todos são acostumados desde criança a realizar serviços domésticos: empregada é luxo de milionário. Mas se você é da classe média no Brasil, o mais provável é que contrate profissionais para fazer esses serviços. Afinal, é tão barato, né? Com esse exército de miseráveis aí fora, com certeza dá pra achar alguém que fique de quatro e lave sua privada por uma mixaria.

Por outro lado, para um brasileiro de classe média, a vida do seu equivalente americano também parece vida de rico, mas por outros motivos. Afinal, o gringo pode até lavar suas próprias meias (cruzes!), mas possui uma quantidade de objetos e gadgets sem igual. A começar por seus carros: nos ônibus, só se veem velhos trêmulos, crianças em idade escolar e mendigos. Qualquer pessoa dita able-bodied (ou seja, com o “corpo apto”) tem um carro. Dá pra comprar e manter um carro novo até com salário de garçom.

Pra não falar dos aparelhos eletrônicos de última geração. Um Kindle sai por 114 dólares: para uma garçonete, é quanto ela ganha de gorjeta atendendo duas ou três mesas. Ou seja, qualquer um pode ter. Enquanto isso, nossa pobre classe média escorchada de impostos paga R$ 56 mil por um Honda City made in Brazil, carro que é vendido no México por menos da metade do preço, cerca de R$ 25 mil. O Kindle, ao alcance de qualquer garçonete americana, no Brasil sai por pouco mais de mil reais. Quantos trabalhadores brasileiros podem se dar ao luxo de comprar uma engenhoca que nunca viram, que não é gênero de primeira necessidade, por esse preço? Muito poucos.

Os americanos olham os brasileiros, servidos por um verdadeiro exército de mortos-de-fome que lhes depilam as pernas, pintam as paredes, lavam as cuecas e passam as camisas, e pensam: ricos são esses brasileiros, não eu que toda semana tenho que ficar de quatro e esfregar minha banheira! Os brasileiros olham os americanos, digitando no iMac e jogando no iPhone, conferindo um endereço no GPS e lendo no Kindle, e pensam: ricos são esses gringos, não eu que ainda uso um desktop de 2004!

No começo da década passada, eu tive duas empregadas domésticas. Uma delas fez curso técnico e hoje trabalha em um laboratório. A outra virou banqueteira, e o seu filho está estudando pra ser oficial da Marinha. As leis da economia são implacáveis. Quanto menor for o número de mulheres semi-analfabetas dispostas a lavar privada e depilar perna por uma mixaria, maiores vão ser os preços desses serviços. Se algumas delas se tornam técnicas de laboratório e banqueteiras, as consequências são duas:

Em primeiro lugar, os shoppings, aeroportos e faculdades particulares ficam lotados de gente que, até poucos anos atrás, simplesmente não tinha renda para frequentar esses lugares. Em segundo lugar, as poucas mulheres ainda dispostas a fazer os piores serviços percebem que seu poder de barganha aumentou. Então, o New York Times noticia que as babás vivem ascensão econômica e se juntam à classe média; e a Veja São Paulo informa que agora são as domésticas que ditam as regras do jogo.

Enquanto isso, outras categorias profissionais começam a sumir e já se fala até em saudades do embalador de supermercado. Quem ontem cortaria nossa grama por uma merreca, hoje estuda para ser oficial da Marinha. Quem ontem viria lá de Jardim Pobreza pra depilar nossas pernas, hoje mora no mesmo bairro, pega o mesmo metrô e ainda compra a última mussarela de búfala bem na nossa frente no supermercado!

Enquanto isso, é bom a gente ir se acostumando. Hoje, no Brasil, existem menos pessoas dispostas a lavar o chão o dia inteiro em troca de um prato de comida. Estamos a caminho de nos tornar uma sociedade mais justa, mais humana, mais digna. E, ao longo desse caminho, vamos ter que aprender a cortar nossa própria grama e fazer nossas próprias unhas. Quem sabe você até perceba que nem precisa tanto assim de grama cortada e unha feita. A solução é querer menos coisas e valorizar mais as pessoas.

Graduados – documentário completo

Dividido em três episódios, o documentário a seguir mostra o dia a dia de brasileiros que estudam nas melhores universidades do mundo, como as americanas Harvard, Princeton Yale. O documentário revela a rotina desses jovens que apostaram na aventura do conhecimento em um país estrangeiro, em busca da excelência acadêmica.


Conheça a rotina da Universidade Harvard

Assista abaixo uma série de três reportagens sobre como é o dia a dia numa das melhores universidades do mundo: a americana Harvard.


Universidades de ponta têm menos aulas
e mais tempo livre para estudo

A maioria dos estudantes brasileiros de graduação que foram estudar em universidades de ponta pelo programa Ciência sem Fronteiras do MEC conta que estranhou a quantidade reduzida de aulas das instituições estrangeiras. Um estudante de uma universidade como Harvard, considerada a melhor do mundo, tem em média 15 horas-aula por semana. Para comparar, quem faz engenharia na USP tem quase três vezes mais aulas. A filosofia de universidades como Harvard é que cada hora de aula demanda em média uma hora extra de estudos e leituras do aluno. Além disso, a universidade espera que o aluno se envolva em atividades de pesquisa, empresas-júnior, trabalho sociais e culturais e que pratique esportes. Com tudo isso, a formação fica completa e a grade fica cheia. Enquanto isso, o aluno da USP mal consegue ter tempo para estudar para as disciplinas obrigatórias porque as aulas tomam o dia inteiro. Essa questão é comumente abordada pelos gestores do Ciência sem Fronteiras. Na reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que neste ano aconteceu em Recife, o presidente da Capes, Jorge Almeida Guimarães, discutiu o assunto e defendeu a redução da grade obrigatória de aulas. O problema, de acordo com Guimarães, é fazer com que as universidades brasileiras topem essa redução.

Fonte: Abecedário.

Ranking das melhores universidades brasileiras, latino-americanas e lusófonas

As 27 melhores universidades lusófonas

A lista a seguir mostra quais são as 27 melhores universidades de países de língua portuguesa que apareceram no ranking das melhores universidades do mundo feito pelo QS World University Rankings 2014. Apenas universidades brasileiras e portuguesas entraram na lista (22 brasileiras e 5 portuguesas). O nome de cada universidade aparece ao lado do nome do país sede, bem como da sua posição no ranking mundial.

1. Universidade de São Paulo, Brasil (127)
2. Universidade Estadual de Campinas, Brasil (215)
3. Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil (284)
4. Universidade do Porto, Portugal (343)
5. Universidade Nova de Lisboa, Portugal (353)
6. Universidade de Coimbra, Portugal (358)
7. Universidade Federal de São Paulo, Brasil (411-420)
8. Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil (481-490)
9. Universidade Estadual Paulista, Brasil (491-500)
10. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil (501-550)
11. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Brasil (551-600)
12. Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Brasil (551-600)
13. Universidade de Brasília, Brasil (551-600)
14. Universidade Católica Portuguesa, Portugal (551-600)
15. Universidade de Lisboa, Portugal (551-600)
16. Universidade Federal da Bahia, Brasil (601-650)
17. Universidade Federal de São Carlos, Brasil (601-650)
18. Universidade Federal de Viçosa, Brasil (601-650)
19. Pontifícia Universidade Católica do RS, Brasil (651-700)
20. Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil (651-700)
21. Universidade Federal do Paraná, Brasil (651-700)
22. Universidade Federal Fluminense, Brasil (651-700)
23. Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Brasil (+701)
24. Universidade Estadual de Londrina, Brasil (+701)
25. Universidade Federal de Santa Maria, Brasil (+701)
26. Universidade Federal do Ceará, Brasil (+701)
27. Universidade Federal de Pernambuco, Brasil (+701)


As 50 melhores universidades da América Latina

A lista a seguir mostra quais são as 50 melhores universidades da América Latina que apareceram no ranking das melhores do mundo do QS World University Rankings 2014 .

1. Pontifícia Universidade Católica do Chile, Chile
2. Universidade de São Paulo, Brasil
3. Universidade Estadual de Campinas, Brasil
4. Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil
5. Universidade de Los Andes, Colômbia
6. Universidade do Chile, Chile
7. Instituto Tecnológico de Monterrey, México
8. Universidade Nacional Autônoma do México, México
9. Universidade Estadual Paulista, Brasil
10. Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil
11. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil
12. Universidade de Concepción, Chile
13. Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Brasil
14. Universidade Nacional da Colômbia, Colômbia
15. Universidade Federal de São Paulo, Brasil
16. Universidade de Santiago, Chile
17. Universidade de Brasília, Brasil
18. Universidade Federal de São Carlos, Brasil
19. Universidade de Buenos Aires, Argentina
20. Universidade Austral, Argentina
21. Universidad Nacional de La Plata, Argentina
22. Pontifícia Universidade Católica da Argentina, Argentina
23. Universidade de Antioquia, Colômbia
24. Universidade da Costa Rica, Costa Rica
25. Universidade Nacional de Córdoba, Argentina
26. Instituto Politécnico Nacional, México
27. Universidade Central da Venezuela, Venezuela
28. Universidade Iberoamerica, México
29. Pontifícia Universidade Católica de Valparaíso, Chile
30. Pontifícia Universidade Católica do Peru, Peru
31. Pontificia Universidad Javeriana, Colômbia
32. Universidade Simón Bolívar, Venezuela
33. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Brasil
34. Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Brasil
35. Universidade Autônoma Metropolitana, México
36. Instituto Tecnológico Autônomo do México, México
37. Universidade Austral do Chile, Chile
38. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Brasil
39. Universidade Técnica Federico Santa Maria, Chile
40. Universidade Federal do Paraná, Brasil
41. Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil
42. Universidad del Rosario, Colômbia
43. Universidade Federal do Pernambuco, Brasil
44. Universidade Torcuato Di Tella, Argentina
45. Instituto Tecnológico de Buenos Aires, Argentina
46. Universidade de San Andrés, Argentina
47. Universidade Nacional de Rosário, Argentina
48. Universidad de Porto Rico, Porto Rico
49. Universidade Federal Fluminense, Brasil
50. Universidad de las Américas Puebla, México


18 brasileiras entre as mil melhores do mundo em 2015

Saiu o ranking de 2015 das mil melhores universidades do mundo feito pelo Center for World University Rankings. 18 brasileiras entraram na lista. Mais uma vez a Universidade de São Paulo (USP) foi a brasileira melhor colocada, ficando na posição 132 do ranking mundial. A Universidade de Harvard lidera o ranking, junto com outras universidades americanas. Veja aqui o ranking completo e veja abaixo quais foram as brasileiras classificadas e suas respectivas posições no ranking:

1. Universidade de São Paulo (USP) – 132
2. Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) – 322
3. Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) – 404
4. Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) – 526
5. Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) – 583
6. Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) – 589
7. Universidade Estadual Paulista (Unesp) – 664
8. Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) – 826
9. Universidade Federal Fluminense (UFF) – 915
10. Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) – 918
11. Universidade de Brasília (UnB) – 920
12. Universidade Federal do Paraná (UFPR) – 934
13. Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) – 939
14. Universidade Federal de São Carlos (Ufscar) – 941
15. Universidade Federal do ABC (UFABC) – 961
16. Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) – 974
17. Universidade Federal da Bahia (UFBA) – 992
18. Universidade Federal do Ceará (UFC) – 998


Unicamp ultrapassa USP e fica em 1º lugar em ranking de universidades da América Latina de 2017

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) é a nova primeira colocada no ranking das melhores universidades da América Latina realizado pela revista Times Higher Education. Pela primeira vez, a instituição ultrapassou a Universidade de São Paulo (USP), que ficou na segunda posição na edição deste ano. Na edição de 2016, a USP era a primeira colocada, e a Unicamp ficou em segundo lugar. Veja na lista abaixo as dez melhores universidades da América Latina, segundo o ranking atual:

1. Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) – Brasil
2. Universidade de São Paulo (USP) – Brasil
3. Pontifícia Universidade Católica do Chile – Chile
4. Universidade do Chile – Chile
5. Universidade dos Andes – Colômbia
6. Instituto de Tecnologia de Monterrey – México
7. Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) – Brasil
8. Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) – Brasil
9. Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) – Brasil
10. Universidade Nacional Autônoma do México – México

Em nota, Phil Baty, editor do ranking, afirmou que Unicamp e USP são universidades muito diferentes que “representam a diversidade e a excelência no setor do ensino superior do Brasil”. Segundo o ranking da THE, o Brasil é o país latino-americano com o melhor desempenho na lista em 2017: das dez primeiras colocadas, cinco são universidades brasileiras. O país também tem outras 27 instituições listadas. Veja abaixo a lista de universidades brasileiras e a posição de cada uma no ranking:

1. Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
2. Universidade de São Paulo (USP)
7. Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)
8. Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
9. Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio)
11. Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
12. Universidade Estadual de São Paulo (UNESP)
14. Universidade Federal do ABC (UFABC)
15. Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
16. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)
18. Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)
19. Universidade de Brasília (UnB)
24. Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj)
26–30. Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
31–35. Universidade Federal de Viçosa (UFV)
36–40. Universidade Federal do Ceará (UFC)
41–45. Universidade Federal Fluminense (UFF)
41–45. Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR)
51–60. Universidade Federal de Goiás (UFG)
51–60. Universidade Federal de Lavras (Ufal)
51–60. Universidade Federal do Paraná (UFPR)
51–60. Universidade Federal de Pelotas (Ufpel)
51–60. Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)
51–60. Universidade Estadual de Londrina (UEL)
61–70. Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop)
61–70. Universidade Presbiterana Mackenzie
61–70. Universidade do Vale dos Sinos
61–70. Universidade Estadual de Maringá (UEM)
61–70. Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG)
71+. Universidade Nove de Julho (Uninove)
71+. Universidade Estadual da Bahia (Uneb)
71+. Universidade do Vale do Itajaí

Fonte: G1.

Quantas moedas o Brasil já teve?

Desde a independência, em 1822, o Brasil teve nove moedas. A primeira, que já circulava por aqui desde o início da nossa colonização em 1500, foi o réis, nome derivado do real, a unidade monetária de Portugal nos séculos 15 e 16. O país só conheceria sua segunda moeda oficial em 1942, quando entrou em cena o cruzeiro. A partir daí, devido aos problemas da economia brasileira, as mudanças não pararam mais até 1994, quando entrou em vigor o real. As várias mudanças foram determinadas pela persistência da inflação elevada, que deteriorava rapidamente as moedas em circulação, forçando o governo a trocar a unidade monetária de tempos em tempos. Os famosos cortes de zero na passagem de uma moeda para outra também simplificavam a vida das pessoas. Afinal, se ainda usássemos a mesma unidade monetária dos anos 1980, por exemplo, você teria que pagar alguns bilhões de cruzados para comprar um simples refrigerante. Veja abaixo um infográfico produzido pela Folha contando essa história:


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15 cédulas antigas que circularam no Brasil:


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Mistério da Fazenda

Enquanto preparava minha declaração de Imposto de Renda à Receita Federal (IRRF) deste ano, me ocorreu uma pergunta curiosa: Por que o ministério que cuida da economia do Brasil se chama “da Fazenda”? Tudo bem que um terço do nosso PIB vem da zona rural, mas daí a chamar toda a economia de “fazenda” é demais, não? Hoje é. Mas talvez o termo não parecesse tão fora de contexto no Brasil do início do século 19, quando D. João VI fugiu para essas bandas, reformulou a colônia e fundou o órgão. O ex-ministro da Fazenda Rubens Ricupero explica que, no português arcaico, a palavra “fazenda” era usada para designar coisas como riqueza, renda, dinheiro. Passados dois séculos, muita coisa mudou no ministério. A finalidade, no entanto, continua basicamente a mesma: pegar todo o dinheiro que o governo arrecada e decidir qual a melhor forma de gastá-lo. Em Portugal, a instituição passou por uma reforma geral ainda em 1910 e foi rebatizada de “Ministério das Finanças”. Nos Estados Unidos é simplesmente “Tesouro”. Em outros países o órgão recebeu o nome de “Ministério da Economia”. Mas por aqui ficou sendo “Ministério da Fazenda” mesmo. Bem em tempo de mudar para um nome mais atual.

Desempenho de alunos da rede federal é semelhante ao de países desenvolvidos

Organizada a cada três anos, a prova do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) é a principal avaliação de educação básica do mundo, e foca em alunos de 15 a 16 anos. Os dados de 2015 apontam que o Brasil ficou estagnado desde 2012 nas três áreas avaliadas: matemática, ciência e leitura. Isso mantém o país no grupo daqueles com uma nota bem abaixo da média. A pesquisa é organizada pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), e avalia também nações que não são integrantes da entidade, como o Brasil.

O mau resultado no quadro geral é apenas uma das leituras possíveis. A comparação do desempenho entre os alunos brasileiros evidencia que há outro problema a ser enfrentado pelo país: a desigualdades dos sistemas de ensino brasileiro. No Brasil, a prova do Pisa foi aplicada pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) para 23 mil estudantes de 841 escolas. Segundo as informações detalhadas divulgadas pela entidade, a pontuação média da rede federal supera a municipal e a estadual, assim como a privada. No caso de ciência e leitura, esses alunos estão além inclusive dos estudantes de países desenvolvidos. Em matemática, quem está numa instituição federal brasileira empata com a média das notas dos estudantes de países da OCDE.

Pontuações no Pisa de 2015:

pisa 2015

Segundo dados da instituição, a rede federal, a mais bem sucedida, responde por apenas 0,87% dos 43 milhões de alunos matriculados no ensino básico em 2015 no país. Em entrevista ao Nexo, Ricardo Falzetta, gerente de conteúdo do movimento Todos pela Educação, afirma que o ensino federal é privilegiado por diversos fatores que não se aplicam nem mesmo à rede privada. Mas seu bom desempenho mostra o potencial dos alunos do país. O Nexo conversou com três estudiosos da área de educação para entender o bom desempenho da rede federal e qual é o desafio de replicar seu modelo.

Investimento é especialmente alto

Um dos pontos que chamam a atenção no relatório do Pisa é o investimento acumulado por aluno entre 6 e 15 anos praticado no Brasil. Ele é, em média, de US$ 38.190, ou 42% da média de US$ 90.294 praticada pelos países membros da OCDE. “Aumentos de gastos ainda são necessários para se traduzir em melhor aprendizagem”, afirma o trabalho. O investimento do Brasil é defasado, mas isso não se dá de forma uniforme. A rede federal tem um gasto médio maior por aluno do que a estadual ou municipal, afirmam os pesquisadores. De acordo com Falzetta, isso assegura, por exemplo, a contratação de professores melhores. Ele ressalta que o investimento brasileiro em educação em relação ao PIB é similar àquele dos países desenvolvidos, de cerca de 6,6%. “Mas eles já estão em outro patamar. Se quisermos mudar de nível, precisamos ter um investimento maior, pelo menos por um período”, diz. Na opinião de Antonio Augusto Batista, coordenador de pesquisas do Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária) mais verba também se reflete em bibliotecas e laboratórios, que são raros em escolas municipais e estaduais, e mesmo em grande parte das privadas.

Seleção de alunos turbina desempenho

Um outro fator que influencia no sucesso da rede federal é o fato de que a grande procura leva a maior parte das instituições de ensino a realizar algum tipo de pré-seleção de seus alunos, como vestibulinhos. “É parecido com o que acontece com as escolas de elite da rede particular, que faz uma seleção dos alunos a partir da mensalidade”, afirma Fazetta. Em ambos os casos, os alunos tendem a ter acesso privilegiado a informações desde cedo, o que melhora o seu desempenho na escola. Fazetta também destaca que os alunos que não conseguem acompanhar o curso, seja nas escolas particulares de elite, seja nas federais, tendem a deixá-lo, o que mantém o desempenho das instituições em avaliações em alta. Batista, do Cenpec, ressalta que, apesar de membros de instituições federais de ensino tenderem a ter um nível socioeconômico maior, eles não pertencem em geral à elite econômica mais elevada do país. Fazem parte de famílias de classe média que têm na própria educação o seu principal ativo, que permite que realizem trabalhos bem remunerados e mantenham seu padrão de vida.

Por exemplo: muitas instituições da rede federal estão associadas a universidades, e por isso grande parte dos alunos são filhos de docentes. Ao procurar a rede federal, as famílias buscam garantir que seus filhos se manterão na mesma posição social. Eles são privilegiados principalmente porque “têm recursos culturais mais altos”, afirma Batista. “É uma elite intelectual no caso das federais ligadas a universidades, e uma classe média que aposta muito na escola em geral”, diz Batista. Fazetta ressalta que o investimento concentrado nesses alunos selecionados reforça desigualdades sociais.

Boa remuneração e estabilidade atraem melhores professores

A concentração de recursos no ensino federal garante uma melhor remuneração dos professores. Segundo dados elaborados pela Todos pela Educação com base em informações do IBGE, o salário médio de um professor da rede federal de educação básica com carga horária de 40h semanais de trabalho em 2014 era de R$ 5.173,92. O valor é 65% superior ao rendimento médio dos professores da educação básica pública. Em entrevista ao Nexo, Neide Noffis, diretora da Faculdade de Educação da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo, afirma que os contratos desses professores também são mais estáveis, além de as condições de trabalho tenderem a ser melhores. Isso permite que professores tenham apenas um emprego. O que significa disposição para lidar com os alunos e tempo para continuar estudando e preparar aulas. Esses fatores somados fazem com que essas instituições sejam procuradas pelos melhores professores, o que leva a uma melhor qualidade de ensino. “Se o professor vê seu trabalho como subemprego e chega lá cansado, a qualidade do ensino cai”, diz Noffis.

Aplicação prática do conteúdo

A maior parte dos alunos de 15 a 16 anos na rede federal estão em instituições de ensino técnicas. Noffis destaca que elas tendem a apresentar o ensino como uma porta de entrada para o mundo do trabalho. Por isso, o conteúdo é transmitido com enfoque na realidade prática e mesmo no ambiente em que os alunos vivem. Isso, afirma, confere um ensino mais estimulante e uma maior permanência estudantil. “O ensino técnico tem a ver com o contexto local do jovem, com a sua possibilidade de se inserir no mercado. É algo mais fácil de perseguir como meta. Diferente de um conteúdo como ‘o rio tem que ser despoluído, não podemos cortar as árvores etc’, que ele aprende, mas no qual não tem condições e potência para interferir”, afirma Noffis.

Fonte: Nexo.

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