Amarrando cachorro com linguiça

Artigo de opinião de Alexandre Versignassi na Superinteressante.

Dinheiro é uma forma de estocar trabalho: permite que o cara do petshop compre seis pãezinhos sem ter de tosar o cachorro do padeiro. Engenhoso. Mas, para o dinheiro valer dinheiro, não basta ser dinheiro. Ele precisa cumprir dois requisitos básicos: ser uma coisa que todo mundo quer e, ao mesmo tempo, algo relativamente escasso, que não dê em árvore. Justamente por isso, a coisa que mais fez o papel de dinheiro ao longo da história, e da pré-história, foram os metais preciosos. Cobre, prata e, principalmente, o ouro, um campeão de escassez: tudo o que mineraram até hoje só daria para encher um prédio de sete andares. São 142 mil toneladas em seis mil anos – é o que a Vale escava de minério de ferro em apenas seis horas.

Ouro e prata eram tão dinheiro que as primeiras notas de papel da história nem eram exatamente dinheiro, mas recibos que davam direito a uma certa quantia de ouro ou de prata, guardada nos cofres do governo. O Estado pagava pelas obras públicas com esses recibos, essas “notas”. E elas acabavam circulando na economia no meio das moedas de ouro e de prata, já que era mais fácil carregar recibos do que bolsas cheias de metal. Um dos primeiros países a usar esse esquema em larga escala foi a Inglaterra do século 18 – tanto que “libra esterlina” significa “meio quilo de prata da boa”. Mas quase ninguém voltava ao Banco Central inglês para resgatar seu meio quilo de prata da boa – era melhor ficar com a nota de uma libra de uma vez. Dava na mesma, já que todo mundo aceitava o papel como dinheiro. O governo britânico percebeu isso rápido, e não demorou para fazer uma malandragem institucional: emitir muito mais notas do que a quantidade de prata que tinha nos cofres, basicamente para pagar as próprias contas e garantir que nunca faltasse champanhe nas festas do palácio. Se alguém viesse resgatar sua prata, tranquilo: era só dizer que agora uma libra valia apenas 250 gramas de prata, ou 100, ou 10.

Parece tosco. É tosco. Mas faziam exatamente isso. Pior é que isso pode ser bom para a economia. Mais dinheiro começa a circular. As pessoas saem para gastar. Os padeiros fazem mais pão. Os fabricantes de fornos de padaria fazem mais fornos. Os cachorros ganham mais banhos e tosas. Juntando tudo, dá para dizer que a produção de bens e de serviços cresce. E é verdade: o PIB sobe mesmo. Mas não para sempre. Se o governo continua nessa toada por muito tempo, uma hora vai ter mais dinheiro circulando do que produtos que podem ser comprados com esse dinheiro. O cara que faz fornos vai acabar com mais pedidos do que pode entregar. Se ele tem quatro pedidos no mês e só consegue produzir três fornos, o que é que ele faz? Manda o quarto cliente embora? Nem a pau. Ele vai e aumenta o preço. Nisso, o padeiro repassa o custo para a freguesia. E, quando o cara do petshop vai até a padaria, descobre que o preço do pão subiu. Inflação.

Bom, foi exatamente isso que aconteceu na Inglaterra do fim do século 18, começo do 19. Até que em 1810 veio uma virada. O Parlamento entendeu que isso de fabricar notas à vontade era amarrar cachorro com linguiça: os governantes sempre tenderiam a fazer mais dinheiro de papel do que a economia pudesse suportar. Sempre criariam inflação, mesmo que o intuito inicial nem fosse comprar champanhe, mas só reaquecer o PIB mesmo. Então o Parlamento estabeleceu que, dali em diante, uma libra valia 7,3 gramas de ouro. E ponto final. Se o Estado quisesse imprimir um milhão de libras em notas de papel, que arranjasse 7,3 toneladas de ouro para guardar em seus cofres na forma de lastro. Era um freio garantido contra a inflação. Como a libra era o dólar da época, essa regra acabou valendo para boa parte do planeta. Todo país grande tinha uma reserva em libra como lastro da própria moeda local. Logo, o ouro acabava sendo o lastro, e o freio, de vários governos. Os EUA até foram mais longe e, em 1900, passaram a lastrear seu dólar com o ouro dos seus próprios cofres, com US$ 1 valendo 1,67 grama. Era a época do “padrão-ouro”, entre o final do século 19 e o início do 20. Um tempo de paz econômica, sem inflação. Não no caso do Brasil, que continuou imprimindo suas notas sem lastro nenhum, mas essa é outra história.

Aí veio a Primeira Guerra Mundial e estragou tudo. Inglaterra e EUA deram uma brasilzada e voltaram a imprimir notas sem lastro para pagar pelos esforços militares. O padrão-ouro até voltaria depois, mas seria minado pela Grande Depressão, a dos anos 1930, que bagunçou mais ainda a economia mundial. Dali para a frente, os Bancos Centrais deixaram de usar o ouro como referência. O negócio agora era lastrear o dinheiro no braço mesmo. Como? Maneirando na impressão das notas, de modo a não criar inflação de bobeira. Para se autopoliciar, alguns governos tornaram seus Bancos Centrais independentes do próprio governo. Assim: o presidente do país indica um responsável pelo Banco Central no meio do mandato. E esse chefe do BC, com sua diretoria, continua pelo menos até o meio do governo seguinte, sem poder ser demitido sem justa causa. Aí, se o Poder Executivo ficar tentado a imprimir dinheiro demais para bombar o PIB, o Banco Central pode negar e pronto, pelo simples fato de ter mais competência técnica para saber se a medida vai ou não vai gerar a inflação.

A expressão tecnicamente correta para “imprimir dinheiro”, diga-se, é “baixar os juros”, coisa que irriga a economia com moeda nova. Mas dá na mesma. O BC está lá para manter os juros, a criação de dinheiro novo, num patamar seguro o bastante para que o governo governe sem criar inflação. Esse caminho do autopoliciamento foi o adotado pela Inglaterra, pelo Japão e pelos EUA, onde presidentes do BC chegaram a passar quase 20 anos no cargo – caso de Alan Greenspan, que controlou os juros americanos nos governos Reagan, Bush pai, Clinton e Bush filho, tendo o mandato renovado a cada presidente novo. No Brasil, não: muda o governo, muda o BC. E a inflação continua assombrando, década atrás de década. A história indica que, sim, uma coisa tem a ver com a outra. Então talvez seja a hora de vermos com menos preconceito a ideia de um Banco Central independente. A hora de repensar se linguiça é mesmo o melhor material para a coleira da nossa economia.

Uma proposta de solução inteligente e criativa para a questão da maioridade penal

Artigo de opinião do professor Pirluigi Piazzi, que propõe uma solução bem inteligente para superar a polarização dos “contra” e “a favor” da redução da maioridade penal.


Assassinatos bárbaros com requintes de crueldade e outros crimes hediondos cometidos por “quase maiores” estão revoltando a população brasileira, cuja indignação está sendo insuflada pela mídia sensacionalista. Reações indignadas dos defensores das “pobres criancinhas”, por outro lado, rebatem exageros com exageros. Do alto de minha vetusta idade, se não adquiri sabedoria, pelo menos consegui um pouco de experiência que me ensinou a desconfiar das polarizações. Das aulas de latim, ainda lembro da frase: Virtus in medium est (A virtude está no meio). Deve haver uma forma de conciliar opiniões tão conflitantes de forma a se chegar em um consenso.

Acho que a forma existe e quero propor aqui um esboço de solução. Afinal das contas nossos alunos estão se envolvendo nessa polêmica e, se de um lado isso pode aguçar o espírito crítico e a habilidade de argumentação, por outro lado pode também incentivar radicalismos nem um pouco benéficos ao desenvolvimento emocional deles. Para encontrar esse esboço de solução (esboço este que está longe de ser uma versão definitiva), tentei identificar o porquê de tanto radicalismo. A resposta é simples: discute-se apenas com base emocional, e não racional. Minha proposta é transformar o conflito em um problema matemático em vez de um embate emocional. Em vez de discutir se a maioridade penal deve ser reduzida para 16 ou 14 anos (ou aumentada para 21, como querem outros), vamos tentar encarar as coisas de forma diferente.

Há muitos anos fui a um teatro assistir uma peça do Jô Soares e um dos trechos me chamou a atenção. Descrevia a perplexidade de alguém olhando a data de validade de um produto qualquer, por exemplo, uma lata de atum. De forma extremamente divertida, o personagem se perguntava: O que acontece dentro desta lata exatamente à meia-noite da data fatídica? Que brusca e fantástica mutação ocorrerá ao conteúdo dessa embalagem quando soarem as doze badaladas? E se eu comprar em um país, pegar um avião e à meia-noite já estiver em outro, com fuso horário diferente, a súbita transformação ocorrerá em qual das meia-noites?

Vendo e ouvindo todas as discussões e os comentários do tipo “daqui a três dias ele seria imputável, mas agora vai sair da delegacia sorrindo, valendo-se de uma lei estúpida”, percebi que a estupidez não está na lei, mas na forma com que ela determina a data de validade da adolescência. Até 17 anos, 11 meses e 30 dias, o sujeito tem um cérebro de adolescente, ainda não amadurecido o suficiente para perceber a gravidade do crime cometido. Exatamente à meia-noite, o cérebro sofre uma abrupta transformação e o sujeito torna-se um cidadão plenamente consciente e responsável por seus atos. Pode haver suposição mais estúpida?

Por que tanta estupidez? Um dos motivos é que a maioria de nossos juristas e legisladores é constituída por pessoas que enveredaram por essas carreiras para fugir do terror do ciclo médio: a matemática. Não têm, portanto, a capacidade intelectual de perceber a enorme vantagem de uma função contínua em relação a essa loucura de verdadeiros saltos quânticos que as leis promovem. Vamos então pegar uma função contínua: a sigmoide. Para quem não lembra, a derivada da sigmoide é justamente a curva de Gauss, tão usada em cálculo de probabilidade. Usando um pouco de fuzzy logic poderíamos construir um gráfico como o da figura:

SIGMOIDE

Segundo um gráfico desse tipo, uma criança de 14 anos seria 0% imputável, ou seja, totalmente inimputável. Já alguém de 15 anos teria uma imputabilidade de 5%, ou seja, ficaria detido em uma instituição ressocializadora por 5% do tempo correspondente à pena que um adulto cumpriria ao cometer o mesmo crime. Nesse gráfico, a sigmoide tem seu máximo de velocidade de mudança aos 16 anos, idade que coincide com o máximo de mudanças neurais no cérebro. Com 16 anos, o indivíduo pode votar e até pilotar um avião. Nesse caso, ao cometer um crime, teria que cumprir metade da pena que um adulto cumpriria. Aos 17, cumpriria 95% da pena e, aos 18, cumpriria a pena completa.

Essa pena proporcional seria cumprida sempre em uma instituição especial “para menores” até que o apenado completasse 21 anos. Só depois ele cumpriria pena em uma cadeia comum. Trata-se obviamente de um esboço, longe de ser uma solução. Tenho certeza, porém, que a solução estaria não tanto nos valores a serem atribuídos ou na função matemática a ser aplicada, mas no conceito de função contínua, ou seja, no fato de se tornar a responsabilidade penal algo gradual e não em algo determinado por absurdos saltos quânticos.

As 27 melhores universidades lusófonas

Brasil-Portugal

A lista a seguir mostra quais são as 27 melhores universidades de países de língua portuguesa que apareceram no ranking das melhores universidades do mundo feito pelo “QS World University Rankings 2013/2014”. Apenas universidades brasileiras e portuguesas entraram na lista (22 brasileiras e 5 portuguesas). A brasileira USP é a mais bem colocada. O nome de cada universidade aparece ao lado do nome do país sede, bem como da sua posição no ranking mundial (entre parêntesis).

Veja também: 50 melhores universidades da América Latina

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1. Universidade de São Paulo, Brasil (127)
2. Universidade Estadual de Campinas, Brasil (215)
3. Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil (284)
4. Universidade do Porto, Portugal (343)
5. Universidade Nova de Lisboa, Portugal (353)
6. Universidade de Coimbra, Portugal (358)
7. Universidade Federal de São Paulo, Brasil (411-420)
8. Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil (481-490)
9. Universidade Estadual Paulista, Brasil (491-500)
10. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil (501-550)
11. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Brasil (551-600)
12. Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Brasil (551-600)
13. Universidade de Brasília, Brasil (551-600)
14. Universidade Católica Portuguesa, Portugal (551-600)
15. Universidade de Lisboa, Portugal (551-600)
16. Universidade Federal da Bahia, Brasil (601-650)
17. Universidade Federal de São Carlos, Brasil (601-650)
18. Universidade Federal de Viçosa, Brasil (601-650)
19. Pontifícia Universidade Católica do RS, Brasil (651-700)
20. Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil (651-700)
21. Universidade Federal do Paraná, Brasil (651-700)
22. Universidade Federal Fluminense, Brasil (651-700)
23. Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Brasil (+701)
24. Universidade Estadual de Londrina, Brasil (+701)
25. Universidade Federal de Santa Maria, Brasil (+701)
26. Universidade Federal do Ceará, Brasil (+701)
27. Universidade Federal de Pernambuco, Brasil (+701)

Fonte: Wikipedia.

A Revolta do Vintém e e os protestos de 2013

Trechos deste artigo constituíram o enunciado de uma das questões do Enem 2014. O artigo completo foi publicado na Revista de História, sob o título “A guerra do vintém”, escrito por José Murilo de Carvalho, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), membro da Academia Brasileira de Letras e da Academia Brasileira de Ciências. Qualquer semelhança com fatos atuais não é mera coincidência.


Em 1879, no Rio de Janeiro, cerca de 5 mil pessoas reuniram-se para solicitar a Dom Pedro II a revogação de uma taxa de 20 réis, um vintém, sobre o transporte urbano, ou seja, bondes puxados a burro. O vintém era a moeda de menor valor da época. A polícia não permitiu que a multidão se aproximasse do palácio. O imperador mandou dizer que receberia uma comissão para negociar. Panfletos distribuídos pela cidade desafiavam o imperador a negociar diretamente com o povo, pregavam o boicote da taxa e incitavam a população a reagir com violência, arrancando os trilhos dos bondes. No dia combinado, ao meio dia, a multidão se reuniu no local previsto. A massa moveu-se, então, pelas ruas do centro e se dirigiu ao Largo de São Francisco, ponto final de várias linhas de bonde. Percebendo a enrascada em que se meteram, os próprios líderes do movimento fizeram um apelo aos manifestantes para que se dispersassem. Mas àquela altura eles já haviam perdido o controle dos acontecimentos.

Ao grito de “Fora o vintém!”, os manifestantes começaram a espancar condutores, esfaquear mulas, virar bondes e arrancar trilhos. O delegado que comandava as tropas da polícia pediu reforços ao Exército, mas, antes que a ajuda chegasse, ordenou à polícia que dispersasse a multidão a cacetadas. Dois pelotões do Exército ocuparam o Largo de São Francisco. Alguns manifestantes mais exaltados passaram a arrancar paralelepípedos e atirá-los contra os soldados. Por infelicidade, um deles atingiu justo o comandante da tropa, o tenente-coronel Antônio Galvão, primo de Deodoro da Fonseca, militar que uma década depois se tornaria o primeiro presidente do Brasil. Atingido pelo paralelepípedo, o oficial descontrolou-se e ordenou que a tropa abrisse fogo contra a multidão. As estatísticas de mortos e feridos são imprecisas. Muitos interesses se fundiram nessa revolta, de grandes e de políticos, de gente miúda e de simples cidadãos. Uma grande explosão social, detonada por um pobre vintém.

As capitais continentais

Eu já argumentei aqui por que Recife é a capital do Nordeste, ainda que informalmente. Em mais uma de minhas divagações ociosas, estive me perguntando qual seria a capital de cada continente do mundo. Por “capital”, leia-se cidade mais importante, levando em consideração os pontos de vista cultural, histórico, geográfico, econômico, etc.

Eis as minhas sugestões:

capitais continentais

Veja também:
As 20 maiores cidades do mundo
As 10 cidades mais ricas do mundo

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CAPITAL DA AMÉRICA DO SUL: SÃO PAULO

Correndo por fora: Buenos Aires

Na América do Sul, não há cidade à altura de São Paulo (Brasil) e Buenos Aires (Argentina) que ousem se candidatar ao título de capital do continente. Rio de Janeiro (Brasil) e Santiago (Chile) não têm a menor chance nessa disputa. Entre as duas gigantes sul-americanas, São Paulo ganha da rival argentina em quase todos os quesitos. Enquanto Buenos Aires tem melhor IDH e a língua mais falada no continente (espanhol), São Paulo está geograficamente mais ao centro do continente, pertence ao maior e mais importante país, tem uma população muito maior, um PIB muito maior, e é o maior centro financeiro da América Latina (e de todo o hemisfério sul). Por esses e outros motivos, São Paulo é a capital informal da América do Sul.

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CAPITAL DA AMÉRICA DO NORTE: NOVA YORK

Correndo por fora: Chicago e Los Angeles

Considerando o continente americano como um todo, nem São Paulo, nem Buenos Aires, nem a Cidade do México, nem as canadenses Toronto, Montreal e Vancouver se colocam em par de igualdade com as grandes metrópoles dos Estados Unidos: Nova York, Chicago e Los Angeles. Dentre essas, Chicago, apesar do porte e importância, logo cai fora da disputa. Los Angeles se sobressai por pertencer ao mais rico e próspero estado americano, a Califórnia. Também por abrigar Hollywood. Mas não chega a igualar-se a Nova York nem em população, nem em PIB, nem em importância cultural e histórica. Nova York é para o mundo um símbolo da América e merece com folga esse título de capital das Américas.

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CAPITAL DA EUROPA: LONDRES

Correndo por fora: Paris, Roma e Atenas

O velho continente poderia muito bem ser representado por Roma (Itália) ou Atenas (Grécia). Essas cidades históricas são o berço da nossa cultura e civilização ocidental e foram consideradas os centros do mundo na Antiguidade, mas nos dias de hoje não têm força suficiente para competir com Londres (Reino Unido) e Paris (França) pelo posto de capital da Europa. Entre essas duas, Paris leva vantagem por estar localizada mais no centro do continente, enquanto Londres fica numa ilha ao norte (Grã-Bretanha), mas as vantagens da capital francesa param por aí. Londres foi a capital do maior império de todos os tempos, tem mais gente, um PIB ligeiramente maior e um argumento que desbanca de vez a rival francesa: é o berço a língua universal, o inglês.

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CAPITAL DA ÁFRICA: JOANESBURGO

Correndo por fora: Cairo

A cidade do Cairo (Egito) tem a seu favor o fato de estar localizada no norte do continente africano, portanto bem mais próxima da Europa e da Ásia, o que em tese facilita o comércio e a troca cultural com esses outros continentes. Além disso, ela é a capital e cidade mais importante do Egito, uma das nações mais antigas do mundo, e bebe das águas do maior e mais importante rio do continente, o Nilo (sem falar nas maravilhosas pirâmides). Mesmo assim, Joanesburgo (África do Sul) hoje supera Cairo em quase tudo, assim como a África do Sul supera o Egito. Joanesburgo é hoje a maior e mais rica metrópole do continente, responsável por 10% do PIB africano. Isso dá a ela o título de capital da África.

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CAPITAL DA ÁSIA: TÓQUIO

Correndo por fora: Xangai, Pequim, Hong Kong, Singapura e Seul

Xangai (China), Pequim (China), Hong Kong (China), Singapura (independente) e Seul (Coreia do Sul) são enormes, populosas como formigueiros, riquíssimas, mas nenhuma se compara a Tóquio (Japão). A capital japonesa é de longe a cidade mais rica do mundo, e alguns rankings a colocam também como a mais populosa. Isso sem falar na importância econômica e cultural do Japão no cenário mundial. Assim fica fácil declarar Tóquio como a capital não só da Ásia, mas de todo o mundo oriental.

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CAPITAL DO ORIENTE MÉDIO: JERUSALÉM

Correndo por fora: Istambul e Dubai

Aqui a briga é boa. Dubai (Emirados Árabes Unidos), apesar de ser hoje uma das cidades mais ricas do mundo e uma das que mais recebem turistas, não é historicamente importante como Istambul (Turquia) e Jerusalém (Israel). Sua grandeza não é espontânea e natural: ela foi feita importante. Nasceu e cresceu recentemente pela vontade (e pela grana) dos xeiques árabes, com a força econômica do petróleo. Considerá-la a cidade mais importante do Oriente Médio seria cometer o mesmo erro de considerar Brasília a cidade mais importante do Brasil. Ora, Brasília foi construída para esse fim, não surgiu e se tornou importante espontaneamente, naturalmente, como São Paulo ou Rio de Janeiro. (Outra semelhança entre Dubai e Brasília é que ambas foram construídas no deserto).

Istambul, por sua vez, tem grande vantagem por estar localizada simultaneamente em dois continentes, Ásia e Europa, e também por ser a cidade mais populosa da região. Mas se Dubai é rica e Istambul populosa, nenhuma delas tem a importância simbólica, histórica, cultural, religiosa e espiritual de Jerusalém. Primeiramente, a cidade é considerada sagrada por ser o berço das três principais religiões do mundo: Judaísmo, Cristianismo e Islamismo. Depois, nenhuma outra cidade foi e é tão disputada quanto esta. Ela também é uma das cidades mais antigas do mundo e uma das que mais recebe turistas do mundo todo.

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CAPITAL DA OCEANIA: SIDNEY

Correndo por fora: Melbourne e Auckland

Essa é fácil. Primeiro porque, por uma questão de bom senso, a capital da Oceania deve ser uma cidade australiana (foi mal, Nova Zelândia). Depois porque, dentre as principais cidades australianas, nenhuma tem a importância de Sidney. Tanto que, se você perguntar a qualquer brasileiro qual é a capital da Austrália, as chances de que ele responda Camberra são quase nenhuma: a grande maioria dirá equivocadamente que é Sidney, pois esta é a cidade mais populosa, mais rica e mais conhecida da Austrália.

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CAPITAL DO OCIDENTE: NOVA YORK

Correndo por fora: Atenas, Roma e Londres

Agora que os continentes estão devidamente capitaneados (isso tá certo?), vamos pensar no mundo sob a ótica da divisão clássica entre Ocidente e Oriente. Como já dissemos no tópico sobre a Europa, Atenas (Grécia) e Roma (Itália) têm tudo para serem consideradas capitais do Ocidente, justamente porque foram o berço dessa civilização. Mesmo assim, já que estamos procurando uma capital para o Ocidente hoje, essas cidades históricas cedem lugar a Nova York ou Londres. E, claro, nessa disputa quem vence é Nova York. Primeiro pela importância dos Estados Unidos no cenário mundial, muito maior que a do Reino Unido. Depois por Nova York ser mais populosa e mais rica do que Londres. E finalmente, por Nova York ser um verdadeiro símbolo do Ocidente. Pode confirmar isso com qualquer terrorista muçulmano: o seu ódio ao Ocidente têm um alvo bastante específico: os Estados Unidos. E se você pedir que ele seja ainda mais específico, ele provavelmente revelará que o seu sonho é se explodir num importante cartão postal de Nova York no meio de uma multidão.

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CAPITAL DO ORIENTE: TÓQUIO

Correndo por fora: Xangai e Mumbai

Já adiantamos, no tópico sobre a Ásia, que Tóquio (Japão) seria a capital do Oriente. Levando em consideração o aspecto histórico, temos a China e a Índia como as grandes nações orientais da Antiguidade, o berço da civilização oriental (assim como Grécia e Roma antigas o são para o Ocidente). Além disso, China e Índia são, respectivamente, os países com as maiores populações do mundo. Mas hoje, nem Xangai (principal e maior metrópole chinesa) nem Mumbai (principal e maior metrópole indiana) têm condições de competir com Tóquio, a gigante japonesa.

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CAPITAL DO MUNDO: VOCÊ DECIDE!

Por fim, qual seria a capital do mundo hoje? Essa última eu vou abrir mão de responder e jogar a bola (ou o globo) para vocês, caros leitores. Compartilhe nos comentários a sua opinião e justifique sua escolha.

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