Maior fazenda vertical do mundo utilizará 95% menos água com método mais eficiente

Uma enorme fazenda vertical – onde as plantas são cultivadas e colhidas sem sol nem solo – está sendo construída em Nova Jersey (EUA). Quando estiver concluída, ela será a maior no mundo. O vídeo abaixo mostra a primeira fase do projeto, realizado pela empresa AeroFarms. Trata-se de altas torres com bandejas aeropônicas iluminadas por LED. Elas recebem nutrientes através de uma nuvem de gotículas nas raízes, em vez de serem mergulhadas em água.

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A AeroFarms afirma que seu método é 75 vezes mais produtivo do que uma fazenda tradicional ao ar livre por metro quadrado, mesmo usando 95% menos água. E como se trata de um método interno, ele não utiliza pesticidas. Nada do que eles estão fazendo ou planejando é realmente novo, no entanto: vegetais vêm sendo cultivados há muito tempo em ambientes internos sob luzes LED e sem solo. Até mesmo a ideia de uma “fábrica” de vegetais já existe: a empresa japonesa Mirai vem fazendo algo semelhante em uma escala ligeiramente menor. A diferença da fazenda vertical da AeroFarms estará, é claro, em seu tamanho: serão 6.500 m² e 9 m de altura em uma antiga usina siderúrgica. Quando estiver pronta, a fazenda deve produzir 900 toneladas de alface, rúcula, couve e outras verduras por ano.

E quanto a outros vegetais? A AeroFarms não diz, mas Shigeharu Shimamura, CEO da Miraiexplicou em 2014 à National Geographic: “Pelo menos tecnicamente, podemos produzir quase qualquer tipo de planta em uma fábrica. Mas o que faz mais sentido econômico é produzir vegetais de rápido crescimento que podem ser enviados para o mercado rapidamente. Isso significa vegetais folhosos para nós agora. No futuro, porém, gostaríamos de expandir para uma ampla variedade de produtos”.

Há quem diga que a agricultura vertical é o futuro da alimentação, reaproveitando espaços que normalmente não serviriam para plantações – a Mirai usa uma fábrica abandonada da Sony, por exemplo. No entanto, isto se manteve como uma atividade de nicho até o momento. Para que ela realmente decole, precisaremos ver várias operações bem-sucedidas em grande escala, e de forma contínua. Até lá, precisaremos depender da terra para cultivar nossos alimentos.

Fonte: Gizmodo.

Os Ipês Amarelos

ipe_amareloEste é um post de sétimo dia. Ele é dedicado a Rubem Alves. O educador e escritor que, segundo ele próprio, tinha um caso de amor com a vida, a contragosto deixou sua amada há exatamente uma semana, no último sábado (19). A crônica abaixo foi escrita por ele recentemente. Curiosamente ele fala da sua atitude diante da morte (e principalmente da vida).


Uma professora me contou esta coisa deliciosa. Um inspetor visitava uma escola. Numa sala ele viu, colados nas paredes, trabalhos dos alunos acerca de alguns dos meus livros infantis. Como que num desafio, ele perguntou à criançada: “E quem é Rubem Alves?”. Um menininho respondeu: “O Rubem Alves é um homem que gosta de ipês-amarelos…”. A resposta do menininho me deu grande felicidade. Ele sabia das coisas. As pessoas são aquilo que elas amam. Mas o menininho não sabia que sou um homem de muitos amores… Amo os ipês, mas amo também caminhar sozinho. Muitas pessoas levam seus cães a passear. Eu levo meus olhos a passear. E como eles gostam! Encantam-se com tudo. Para eles o mundo é assombroso. Gosto também de banho de cachoeira (no verão…), da sensação do vento na cara, do barulho das folhas dos eucaliptos, do cheiro das magnólias, de música clássica, de canto gregoriano, do som metálico da viola, de poesia, de olhar as estrelas, de cachorro, das pinturas de Vermeer (o pintor do filme “Moça com Brinco de Pérola”), de Monet, de Dali, de Carl Larsson, do repicar de sinos, das catedrais góticas, de jardins, da comida mineira, de conversar à volta da lareira.

Diz Alberto Caeiro que o mundo é para ser visto, e não para pensarmos nele. Nos poemas bíblicos da criação está relatado que Deus, ao fim de cada dia de trabalho, sorria ao contemplar o mundo que estava criando: tudo era muito bonito. Os olhos são a porta pela qual a beleza entra na alma. Meus olhos se espantam com tudo que veem. Sou místico. Ao contrário dos místicos religiosos que fecham os olhos para verem Deus, a Virgem e os anjos, eu abro bem os meus olhos para ver as frutas e legumes nas bancas das feiras. Cada fruta é um assombro, um milagre. Uma cebola é um milagre. Tanto assim que Neruda escreveu uma ode em seu louvor: “Rosa de água com escamas de cristal…”. Vejo e quero que os outros vejam comigo. Por isso escrevo. Faço fotografias com palavras. Diferentes dos filmes, que exigem tempo para serem vistos, as fotografias são instantâneas. Minhas crônicas são fotografias. Escrevo para fazer ver.

Uma das minhas alegrias são os e-mails que recebo de pessoas que me confessam haver aprendido o gozo da leitura lendo os textos que escrevo. Os adolescentes que parariam desanimados diante de um livro de 200 páginas sentem-se atraídos por um texto pequeno de apenas 3 páginas. O que escrevo são como aperitivos. Na literatura, frequentemente, o curto é muito maior que o comprido. Há poemas que contêm todo um universo. Mas escrevo também com uma intenção gastronômica. Quero que meus textos sejam comidos pelos leitores. Mais do que isso: quero que eles sejam comidos de forma prazerosa. Um texto que dá prazer é degustado vagarosamente. São esses os textos que se transformam em carne e sangue, como acontece na eucaristia. Sei que não me resta muito tempo. Já é crepúsculo. Não tenho medo da morte. O que sinto, na verdade, é tristeza. O mundo é muito bonito! Gostaria de ficar por aqui. Escrever é o meu jeito de ficar por aqui. Cada texto é uma semente. Depois que eu for, elas ficarão. Quem sabe se transformarão em árvores! Torço para que sejam ipês-amarelos.

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