Jesus de Nazaré (filme completo e dublado)

Encontre tempo e assista abaixo o famoso filme Jesus de Nazaré, dirigido por Franco Zeffirelli e estrelado por Robert Powell em 1977. Este é um dos maiores clássicos da história do cinema mundial. E quando digo que ele está entre os “maiores”, refiro-me inclusive à duração: são incríveis cinco horas de filme! A sorte é que a tecnologia ajuda nesse sentido: se preferir, você pode aumentar a velocidade de exibição.

Os 20 livros mais vendidos da história

booksNão foi fácil montar essa lista. Para alguns livros, como os clássicos antigos, é muito difícil calcular o número de exemplares vendidos, pois na época ainda não havia o conceito de comprar um livro, o que não significa que eles não foram reproduzidos milhões de vezes. Outros títulos acabam sendo difíceis de se contar por conterem muitos volumes, o que, se contabilizado como uma obra única, causaria uma concorrência desleal com os demais.

Além do mais, por falta de informações confiáveis e precisas, ficaram de fora da lista os dicionários, o famoso Guinness Book (Livro dos Recordes) e clássicos como O Peregrino, A Divina Comédia, Os Três Mosqueteiros, O Livro dos Mártires, Robinson Crusoé, além de toda a obra de Shakespeare. Mesmo assim, consegui fechar essa lista. Abaixo você confere os 20 livros mais vendidos da história com título, autor, ano de publicação, número aproximado de exemplares vendidos e uma breve sinopse de cada um. Que tal aproveitar para passar numa livraria e aumentar esses números?


20. O Alquimista (Paulo Coelho) – 1988 – 65 milhões

O Alquimista é o livro de lingua portuguesa melhor colocado nesta lista. Apesar de todas as críticas e questionamentos sobre o autor, o fato é que esse livro o colocou em evidência no mundo da literatura e foi traduzido para dezenas de idiomas. O livro narra a história de um jovem pastor chamado Santiago que, após ter um sonho repetido, decide partir em uma longa viagem da Espanha ao Egito, pois, segundo o sonho, é lá, junto às pirâmides, onde ele irá encontrar um tesouro enterrado. Ao iniciar sua jornada ele se vê lançado em uma imprevisível busca por esclarecimento sobre os grandes mistérios que acompanham a humanidade desde o início dos tempos.

19. O Apanhador no Campo de Centeio (Salinger) – 1951 – 65 milhões

Essa obra permanece sendo uma das mais influentes da literatura americana. O livro narra um fim de semana na vida de Holden Caulfield, estudante de um internato para rapazes. Ele volta para casa mais cedo no inverno depois de ter recebido más notas em quase todas as matérias e ter sido expulso da escola. No regresso para casa, decide dar umas voltas, adiando assim o confronto com a família. Holden vai refletindo sobre a vida, repassa sua peculiar visão de mundo e tenta definir alguma diretriz para o seu futuro. Antes de enfrentar os pais, procura algumas pessoas importantes para si, como um professor, uma antiga namorada, a sua irmãzinha, e tenta explicar-lhes a confusão que passa pela sua cabeça.

18. Harry Potter e a Câmara Secreta (J.K. Rowling) – 1998 – 77 milhões

Neste livro, Harry surpreende os amigos Ron e Hermione ao demonstrar sua capacidade de falar com cobras. Segundo uma antiga lenda, o herdeiro de Salazar Sonserina abriria a câmara secreta para libertar o mortal basilisco, monstro que é misto de serpente e galo. A trama se desenrola com Harry tentando provar que não controla a serpente assassina e descobrir o verdadeiro responsável por abrir a câmara.

17. O Código da Vinci (Dan Brown) – 2003 – 80 milhões

O Código Da Vinci causou polêmica ao questionar a divindade de Jesus Cristo. A maior parte do livro desenrola-se a partir do assassinato de Jacques Saunière, curador do museu do Louvre. Robert Langdon, Sophie Neveu e Leigh Teabing vivem várias aventuras ao tentar desvendar códigos que deem resposta aos enigmas que Jacques Saunière deixou antes de morrer.

16. O pequeno Principe (Antoine de Saint-Exupéry) – 1943 – 80 milhões

O Pequeno Príncipe é um romance que a princípio aparenta ser um livro para crianças, mas tem um grande teor poético e filosófico. É a terceira obra literária mais traduzida no mundo, tendo sido publicado em 160 línguas ou dialetos diferentes.

15. Ela, a Feiticeira (Henry Rider Haggar) – 1887 – 83 milhões

O livro narra as aventuras Leo Vincey e Horace Holly em uma região inexplorada da África onde eles encontram uma civilização obediente a uma misteriosa feiticeira chamada Ela.

14. As Crônicas de Nárnia: O Leão, a Feiticeira… (C.S. Lewis) – 1950 – 85 milhões

Neste livro são narradas as aventuras de quatro irmãos que, fugindo de Londres durante a 2ª Guerra Mundial, vão até a casa de um professor que morava no campo. Lá, encontram, dentro de um guarda-roupa, uma passagem que liga nosso mundo ao mundo de Nárnia.

13. O Caso dos Dez Negrinhos (Agatha Christie) – 1939 – 100 milhões

A história passa-se numa ilha deserta situada na costa de Devon, sendo que ela é narrada totalmente na terceira pessoa e descreve a vivência de dez estranhos que foram atraídos para a mansão da ilha por um misterioso homem e sua esposa. Um por um, começam a ser assassinados misteriosamente.

12. O Sonho da Câmara Vermelha (Cao Xueqin) – Séc. 18 – 100 milhões

O tema principal gira em torno de um triângulo amoroso entre a personagem principal, Jia Baoyu, que ama seu primo adoentado Lin Daiyu, porém está predestinada a se casar com outro primo, Xue Baochai. Este triângulo amoroso tem como pano de fundo o declínio do clã (família) Jia, cujos antepassados foram feitos duques, e no início do romance, este clã está entre as mais ilustres famílias de Pequim, na China.

11. O Hobbit (J.R.R. Tolkien) – 1937 – 100 milhões

Este livro conta a história de um hobbit chamado Bilbo Bolseiro, que nunca pensara em sair de sua toca grande e confortável, até ser apanhado de surpresa por um mago chamado Gandalf e 13 anões. Estes queriam recuperar os seus tesouros que tinham sido roubados por um dragão chamado Smaug. Assim, eles saem em busca da Montanha Solitária com o objetivo de recuperar o que lhes pertence, vivendo muitas aventuras durante todo caminho, que envolvem aranhas gigantes, elfos, trolls e outros seres fantásticos.

10. O Livro de Mórmon (Joseph Smith Jr.) – 1830 – 120 milhões

Para a Igreja dos Santos dos Últimos Dias, o Livro de Mórmon é uma escritura que complementa a Bíblia, considerado um “Outro Testamento de Jesus Cristo”.

9. Harry Potter e a Pedra Filosofal (J.K. Rowling) – 1997 – 120 milhões

A história começa com uma espécie de caos organizado no mundo, quando pessoas começam a sair a caminhar pelas ruas com roupas estranhas e corujas não param de voar pelo céu, fatos que ganham o espaço nos jornais, na televisão e nas rádios. Porém, o que as pessoas não sabiam era que esses estranhos eram nada mais nada menos que bruxos e bruxas, festejando a queda de um grande bruxo das trevas, Lord Voldemort, e as corujas eram usadas para levar cartas de um bruxo para o outro.

8. Escotismo para Rapazes (Robert Baden-Powell) – 1908 – 150 milhões

O livro contém orientações e conhecimentos importantes para um escoteiro: orientação espacial, tocaia, comida selvagem, primeiros socorros, organização de um acampamento, etc. Mas também sobre cidadania, carácter, importância do serviço ao próximo, etc.

7. O senhor dos Anéis (J.R.R. Tolkien) – 1955 – 150 milhões

A história de O Senhor dos Aneis ocorre em um tempo e espaço imaginários, a Terceira Era da Terra Média, que é um mundo inspirado, segundo Tolkien, numa Europa mitológica, habitado por humanos e por outras raças humanóides: elfos, anões e orcs. O nome, no inglês moderno Middle-Earth (Terra-Média), é derivado do inglês antigo Middangeard: o reino onde humanos vivem na mitologia Nórdica e Germânica.

6. Um Conto de Duas Cidades (Charles Dickens) – 1859 – 200 milhões

“Um Conto de Duas Cidades” narra a estória dos Manette, uma família nobre francesa, que como muitas outras, se exilou na Inglaterra antes da Revolução Francesa. Os acontecimentos se desenrolam simultaneamente em Londres e Paris, contando a vida dessa família e as peripécias da Revolução e seus antecedentes, incluindo o sentimento de vingança que se apossou da população pobre da França.

5. O Conde de Monte Cristo (Alexandre Dumas) – 1844 – 200 milhões

Romance histórico escrito por Alexandre Dumas. O jovem Edmond Dantes podia se considerar uma pessoa de sorte: seria promovido a capitão de um navio e iria casar com Mercedes, a mulher de seus sonhos. Mas uma rede de intrigas faz com que seja preso injustamente. Durante os anos que passou preso, prepara a sua vingança.

4. Dom Quixote (Miguel de Cervantes) – 1605 – 500 milhões

Este livro introduz o realismo sóbrio na literatura moderna. O protagonista da obra é Dom Quixote, um pequeno fidalgo castelhano que ficou louco (literalmente) porque leu muito romance de cavalaria e agora pretende imitar seus heróis preferidos. O romance narra as suas aventuras em companhia de Sancho Pança, seu fiel amigo e companheiro, que tem uma visão mais realista. A ação gira em torno das três incursões da dupla por terras de La Mancha, de Aragão e de Catalunha. Nessas incursões, ele se envolve em uma série de aventuras, mas suas fantasias são sempre desmentidas pela dura realidade. O efeito é altamente humorístico.

3. Alcorão (Maomé) – 650 D.C. – 800 milhões

Texto sagrado do Islã que traz supostas revelações de Alá (divindade muçulmana) para Maomé no início do século VII. Os seguidores de Maomé começaram a escrever as revelações após sua morte, em 632 d.C., sendo recopiladas no reinado de Omar, em 650 e transformadas no Alcorão como é conhecido hoje.

2. O Livro Vermelho (Mao Tse-tung) – 1964 – 820 milhões

As citações das obras de Mao Tse-tung, ou como é comumente chamado, o “Livro Vermelho”, é uma explicação pessoal de Mao Tse-Tung sobre a ideologia do Partido Comunista Chinês. O Livro Vermelho compreende 427 citações, divididas em 33 capítulos. As citações eram em negrito ou em vermelho para serem bem destacadas, daí o nome. É também chamado de “Reflexões do presidente Mao” por muitos chineses.

1. Bíblia Sagrada – século 15 a.C. até século I d.C. – mais de 6 bilhões

Dividida em 66 livros e com cerca de 40 autores que escreveram em épocas diferentes, a Bíblia é de longe a obra mais lida de todos os tempos (muitas vezes não compreendida, mas certamente bastante lida). Atualmente existem traduções completas da Bíblia para mais de 440 línguas. Veja também: Por que a Bíblia católica tem mais livros?

Um povo, muitos nomes: Qual a diferença entre os termos hebreu, judeu, israelita e semita?

Todos esses termos referem-se ao mesmo povo, ainda que em momentos distintos de sua história. São nomes dados ao povo que, na Bíblia, é descrito como o “povo escolhido de Deus”, ou simplesmente “povo de Deus”. Alguns homens que conhecemos bastante fizeram parte desse povo: Abraão, Moisés, Davi e até Jesus Cristo. Ainda assim, tantos nomes para designar o mesmo grupo populacional acaba causando alguma confusão. Vejamos com um pouco mais de detalhes o que cada um desses termos significa:

Semita: Descendentes de Sem, um dos três filhos de Noé que repovoaram a terra após o dilúvio. É um termo pouco usado para designar este povo, tanto historicamente quanto na atualidade. Todavia, é comumente empregado na sua forma negativa, quando dizemos, por exemplo, que o nazismo era uma ideologia antissemita, isto é, uma ideologia que pregava o ódio contra o povo de origem hebraica, judaica ou israelita. É importante lembrar que os semitas não se restringem ao povo hebreu, mas também a todos os povos que se originaram no crescente fértil e na península arábica (região do antigo Oriente Médio), incluindo os árabes, egípcios, mesopotâmios, assírios, etc.

Hebreu: Refere-se aos falantes nativos da língua hebraica. O termo deriva do nome próprio Héber. Segundo a tradição judaica, Héber, que era descendente (bisneto ou trineto) de Sem, recusou-se a participar da construção da torre de Babel, preservando assim a língua que no futuro viria a pertencer unicamente ao povo hebreu – e na qual seriam escritos todos os livros que compõem a Bíblia Hebraica (Antigo Testamento). O primeiro hebreu, segundo a tradição, foi o patriarca Abraão.

Israelita: Antes de dar nome à nação, Israel foi o novo nome dado a Jacó, filho de Isaque e neto de Abraão, do qual procederam as 12 tribos de Israel, a partir de cada um de seus 12 filhos. Nesse sentido, “israelita” significa literalmente “filhos de Israel” e designa, portanto, todos os descendentes de Jacó, inicialmente representados pelas 12 tribos de Israel. Etimologicamente, o nome Israel significa “lutar com Deus” (ver Gênesis 32:28). (Não confundir com “israelense”, gentílico do moderno estado de Israel, criado em 1948.)

Judeu: Povo remanescente da tribo de Judá, a única que restou em Israel após o cativeiro da Babilônia. Mesmo antes do exílio, porém, a tribo de Judá já se destacava dentre as tribos de Israel, tanto em população quanto em poderio militar. Tanto que, em determinado momento da história, a nação foi dividida em Reino do Sul (a tribo de Judá) e Reino do Norte (as demais 11 tribos de Israel). Esse termo também dá nome à religião praticada por esse povo: o judaísmo, considerada a primeira religião monoteísta.

Carta de Princípios Mackenzie 2016: uma posição sobre a questão dos refugiados

Leia a seguir trechos da Carta de Princípios 2016 divulgada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, destinada aos seus alunos, professores e funcionários. Nela, a Universidade esclarece o seu posicionamento em relação à crise humanitária envolvendo os refugiados. A carta na íntegra pode ser lida diretamente no portal da Chancelaria.


A palavra de ordem atual é “superar a crise”. No entanto, o que perturba nossa sociedade não é apenas o colapso político e econômico da nação. Há uma crise humanitária mundial. A preservação da vida é o tema central do drama dos refugiados. Há crescentes ondas de refugiados que se espalham por países da Europa e que alarmam o mundo, sobretudo por envolver a morte de famílias inteiras. Diante disso, nosso país tem se mostrado muito solícito para conceder asilo e facilitar a entrada legalizada de refugiados.

Desde as grandes imigrações do século 19, nosso país mantém uma convivência harmoniosa com outras culturas, religiões e etnias. Todavia, o dilema atual é diferente de um processo imigratório. Refugiados não são essencialmente imigrantes. Eles não deixaram seu país, suas casas, seus parentes e amigos para tentar a sorte em outro lugar. Eles saíram de sua terra e deixaram tudo para trás por motivo de força maior, para a preservação da própria vida. Ademais, é provável que um imigrante tenha um caminho de volta, quando as expectativas se frustram. Um refugiado dificilmente tem essa esperança.

Um refugiado é alguém perseguido, oprimido e ferido, seja por questões políticas, étnicas ou religiosas. São pessoas que tiveram direitos básicos usurpados. Ao chegarem a outro país, trazem na bagagem muito mais do que saudade: eles vêm acompanhados do medo, da dor, da frustração, da injustiça, da fome. Por isso, o refugiado é alguém que precisa de alimentação, moradia, emprego, e também de paz, segurança, justiça e direitos humanos. Sobretudo, ele carece de verdadeira solidariedade.

A tradição judaico-cristã dispõe de muitos séculos de registros históricos. A história que tem acompanhado essa tradição narra momentos de crise e, mais importante, revela verdades perenes para que a sociedade civil saiba lidar com as vicissitudes, no caso, como conviver harmoniosamente com pessoas de outras etnias, culturas e religiões. Ainda que muitos séculos separem a história da nação hebraica dos dias atuais, nota-se que foram dadas instruções para gerir relacionamentos, bem como acolher aos que eram “de fora” dessa nação. Os estrangeiros, como eram chamados os que vinham abrigar-se e refugiar-se entre os hebreus, não podiam ser desprezados, oprimidos ou alienados.

Anteriormente, o patriarca Abraão recebera a ordem de estender a destra de amizade e amor aos estrangeiros, fazendo-os participantes da aliança de Deus, o pacto de vida e amor (Gn 17:12). Desse modo, eles se tornavam parte da nação e, mais ainda, acessíveis às promessas divinas. Por semelhante modo, quando os israelitas se preparavam para entrar e possuir a terra prometida, e, concomitantemente, ratificar sua condição como uma nação estabelecida, receberam a seguinte ordem: “Quando um estrangeiro viver na terra de vocês, não o maltratem” (Lv 19:33). E a razão apresentada por Deus é bastante simples e ao mesmo tempo convincente: “O estrangeiro residente que viver com vocês será tratado como o natural da terra. Amem-no como a si mesmos, pois vocês foram estrangeiros no Egito. Eu sou o Senhor, o Deus de vocês” (Lv 19:34).

Em outras palavras, o Deus revelado nas Escrituras assevera a unidade entre todos os povos, raças, línguas e nações por meio do vínculo da solidariedade, a qual consiste justamente na capacidade humana de se identificar com o sofrimento do outro. Isso implica ação; não é apenas sentir-se consternado com o sofrimento alheio, mas assumir a dor de seu próximo para si mesmo. Assim, a tradição judaico-cristã de fé e prática determina que ações deveriam ser empreendidas para efetivamente socorrer os estrangeiros. Por exemplo, uma parte da colheita de trigo, cevada e azeitonas deveria ser disponibilizada para eles (Lv 23:22). Finalmente, as mesmas leis, com deveres e direitos, eram oferecidas igualmente aos refugiados: “Vocês terão a mesma lei para o estrangeiro e para o natural. Eu sou o Senhor, o Deus de vocês” (Lv 24:22).

A assistência solidária aos refugiados, que teve início nos dias dos patriarcas e está presente na sedimentação da nação israelita, segue uma série de desdobramentos históricos até encontrar o ápice de seu ensino na pessoa e obra de Jesus Cristo, em quem todas essas coisas encontram seu cumprimento e plenitude. Jesus realizou ações deliberadas de misericórdia para com os estrangeiros (ver Mc 5:1-20 e Mt 15:21-28). Em sua infância, ele mesmo e sua família tornaram-se refugiados: foram perseguidos e oprimidos por um implacável líder político, e, por isso, tiveram de fugir para o Egito e achar asilo naquela nação (Mt 2:13-14). Portanto, existe uma tradição histórica de orientação cristã, alinhavada com verdades absolutas e eternas, sobre o imperativo de ser solícito para com o refugiado em sua dor e sofrimento.

Essa tradição de pensamento e de prática ocupou lugar determinante nas cidades que foram erguidas em torno da confissão de fé reformada. A Reforma Protestante do século 16 foi um movimento de ordem eminentemente religiosa, mas com aplicações sociais, políticas e econômicas. A cosmovisão reformada abarca todos os aspectos da realidade humana. Assim, foi um movimento de retorno à tradição de pensamento e de ação da tradição judaico-cristã. Com efeito, retomou o ímpeto de solidariedade percebido no Antigo Testamento e ratificado plenamente na pessoa e obra de Jesus Cristo. Por isso, as cidades que foram erigidas sob os auspícios do cristianismo reformado demonstraram, com ações, o cuidado para com os estrangeiros.

Tal zelo esteve presente na vida de seus principais líderes. Dentre eles temos a figura de Calvino (1509-1564), que foi um modelo de cidadão cristão e que procedeu em favor do próximo. Ele agiu deliberadamente para que a cidade de Genebra fosse receptiva ao estrangeiro. Interveio constantemente junto às autoridades, tanto para eliminar a ociosidade quanto para combater o desemprego, que se tornava ameaçador quando os refugiados estrangeiros afluíam para a cidade de Genebra. Embora não tenha ocupado nenhum cargo governamental, Calvino exerceu enorme influência sobre a comunidade, não somente no aspecto moral e eclesiástico, mas em outras áreas. Ele ajudou a tornar mais humanas as leis da cidade, contribuiu para a criação de um sistema educacional acessível a todos e incentivou a formação de importantes entidades assistenciais como um hospital para carentes e um fundo de assistência aos estrangeiros pobres.

Calvino também tinha uma preocupação no âmbito educacional, sobretudo em seus esforços como fundador da Universidade de Genebra. No ano da morte de Calvino, a escola tinha 1.500 alunos matriculados, dentre os quais a maioria era de estrangeiros. A história do reformador de Genebra tem o seu ato derradeiro com seu testamento, no qual deixa o pouco que tinha para a Universidade e para os estrangeiros pobres.

A fé cristã reformada é a identidade da Universidade Presbiteriana Mackenzie e, por conseguinte, deve estar entranhada em sua educação confessional. Nosso país multicultural e multirracial não tem o histórico de “fechar as portas” para outros povos. À semelhança do que podemos aprender com a tradição judaico-cristã, muitos de nós aqui no Brasil somos filhos, netos ou bisnetos de imigrantes. Por conseguinte, nossos pais e avós foram peregrinos e estrangeiros nas “terras dos brasis”. O momento atual é de crise humanitária. Não é apenas uma questão abstrata sobre economia ou política, mas um assunto concreto acerca de seres humanos que carecem de direitos, proteção, cuidados e refúgio. Muitos desses refugiados têm escolhido o Brasil como um lugar para recobrar a esperança, ter a oportunidade de um recomeço e, sobretudo, alcançar a justiça e a paz. Como uma Universidade confessional cristã, temos de ser solidários e acolhê-los.

 

Diferenças entre o cristianismo bíblico e o catolicismo romano – Augustus Nicodemus

Neste dia da Reforma Protestante, compartilho esta palestra do Rev. Augustus Nicodemus sobre a diferença entre o cristianismo bíblico e o catolicismo romano.


Ser católico sem ser romano

Palestra do teólogo português Tiago Cavaco sobre um tema muito relevante e atual nestes 500 anos da Reforma: a catolicidade. Para sermos bons cristãos que respeitam a história e a tradição, precisamos nos tornar católicos romanos? Para sermos bons cristãos temos que nos submeter a Roma? A resposta a estas perguntas é: não.

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