As proezas de João Grilo

proezas-de-joao-grilo-cordelEstes versos são talvez os mais famosos e icônicos da literatura de cordel. Lembro que meu avô lia isso pra mim na infância (boa parte ele apenas recitava, pois sabia de cor). A autoria é do cordelista paraibano João Martins de Athayde (1880-1959). O personagem João Grilo foi quem inspirou o protagonista homônimo de “Auto da Compadecida”, a famosa peça de teatro de Ariano Suassuna que virou filme.

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João Grilo foi um cristão
que nasceu antes do dia
criou-se sem formosura
mas tinha sabedoria
e morreu depois da hora
pelas artes que fazia.

E nasceu de sete meses
chorou no bucho da mãe
quando ela pegou um gato
ele gritou: não me arranhe
não jogue neste animal
que talvez você não ganhe.

Na noite que João nasceu
houve um eclipse na lua
e detonou um vulcão
que ainda continua
naquela noite correu
um lobisomem na rua.

Porém João Grilo criou-se
pequeno, magro e sambudo
as pernas tortas e finas
e boca grande e beiçudo
no sítio onde morava
dava notícia de tudo.

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O legado de João Ubaldo Ribeiro, Rubem Alves e Ariano Suassuna para a cultura brasileira

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Julho de 2014 ficou marcado como um mês de luto para a literatura brasileira. Neste momento deve estar acontecendo um festival literário no além. Aparentemente, só isso pode explicar que, no espaço de apenas uma semana, tenhamos perdido três grandes escritores. Por ironia do destino, a semana que começou na última sexta-feira com a morte de João Ubaldo Ribeiro (dia 18), e que também teve a morte de Rubem Alves (dia 19) e Ariano Suassuna (dia 23), encerrou-se com o Dia Nacional do Escritor, comemorado em 25 de julho. Coincidências à parte, você conhece a importância que cada um deles teve para a cultura brasileira? Saiba mais sobre suas vidas e obras a seguir:


João Ubaldo Ribeiro

Além de escritor, o baiano João Ubaldo Ribeiro era jornalista, roteirista, professor, formado em Direito pela UFBA e membro da Academia Brasileira de Letras. Trabalhou como editor-chefe do jornal Tribuna da Bahia, foi colunista do jornal alemão Rankfurter Rundschau e colaborador em publicações nacionais e estrangeiras. Suas obras integram o romance moderno brasileiro e revelam aspectos da cultura nacional. Diversas de suas obras foram adaptadas para o cinema e a televisão. João Ubaldo Ribeiro morreu no Rio de Janeiro no último dia 18, aos 73 anos, vítima de uma embolia pulmonar.


Rubem Alves

Além de escritor, o mineiro Rubem Alves era professor, psicanalista, teólogo e doutor em filosofia pela Universidade de Princeton, nos Estados Unidos. Seus livros abordam temas espirituais e existenciais, mas ele também escrevia histórias infantis e crônicas semanais para jornais de grande circulação, como a Folha de S.Paulo. Depois de se aposentar, escolheu morar na cidade de Campinas, no interior de São Paulo, onde recebeu os títulos de cidadão honorário e professor emérito da Unicamp, além de ter se tornado membro da Academia Campinense de Letras. Rubem Alves faleceu no dia 19 de julho em Campinas, aos 80 anos, vítima de falência múltipla dos órgãos.


Ariano Suassuna

Além de escritor, o paraibano Ariano Suassuna era dramaturgo, poeta, membro da Academia Brasileira de Letras e um dos maiores defensores da cultura regional brasileira. Nascido em João Pessoa, foi morar com a família no sertão paraibano e teve o pai assassinado por motivos políticos na Revolução de 1930. Após a fatalidade, mudou-se para Recife, onde viveu desde então. Entre inúmeras outras obras, escreveu O Auto da Compadecida e A Pedra do Reino, ambas com famosas adaptações para o cinema e a televisão. Ariano Suassuna morreu no Recife na última quarta-feira (23), aos 87 anos, vítima de uma parada cardíaca.

Veja também: Ariano Suassuna (in vitae)

Com informações de: Universia Brasil


Ariano Suassuna (in vitae)

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Ariano Suassuna não morreu. E isso não é uma frase utópica de um fã inconformado, como a que se refere a Elvis. Ariano realmente não morreu: continua vivinho da silva, do alto de seus 87 anos muito bem vividos. Mas o escritor e dramaturgo paraibano passou por maus bocados na noite de ontem (21) em Recife, quando foi internado às pressas depois de um AVC hemorrágico. Ele continua na UTI, mas seu quadro, segundo os médicos, é estável (veja a notícia completa aqui). Muito contra a nossa vontade, temos de admitir que Ariano (que eufemismo usar?) já está arrumando as malas. Ele já deixou para trás quase nove décadas e sofreu esse AVC ontem. Para um homem de sua idade, mesmo com a força do sertanejo, uma recuperação total é muito difícil. Antes que ele morra (desisti dos eufemismos), quero prestar-lhe a singela homenagem de simplesmente mencionar aqui o meu apreço e desejo sincero de que ele parta em paz.


ATUALIZAÇÃO EM 23/07/2014:

Ariano Suassuna (in memoriam)

Não tem mais jeito. O poeta morreu. Cumpriu sua sentença. Encontrou-se com o único mal irremediável: aquilo que é a marca do nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo o que é vivo morre. Falando assim, bonito desse jeito, parece até que posso ouvir todos os joões grilos do mundo – agora todos órfãos – replicando: “Tudo o que é vivo morre. Está aí uma coisa que eu não sabia! Bonito. Onde foi que você ouviu isso? De sua cabeça é que não saiu, que eu sei”. A cada um deles eu seria forçado a admitir: Saiu mesmo não, João. Isso só podia ter saído da cabeça de Ariano, o nosso mestre da voz rouca, e ganhado o mundo na boca de um dos seus personagens mais queridos na sua obra mais famosa: Chicó, em O Auto da Compadecida.

Ariano Suassuna morreu


ATUALIZAÇÃO EM 10/09/2017:

Coletânea de vídeos de Ariano Suassuna

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