Conheça o mito dos gigantes que teriam vivido na Patagônia no século 16

patagonian-giants-1768Os primeiros relatos de uma comunidade de gigantes que vivia na América do Sul, na região da costa do Pacífico onde fica a atual região da Patagônia, vieram da expedição realizada pelo explorador português Fernão de Magalhães em 1520. Antonio Pigafetta, que era o cronista da viagem, foi um dos primeiros a ver um dos gigantes da Patagônia. Em seu registro, o cronista conta que avistou um gigante cantando e dançando na praia. Como ele parecia amigável, a tripulação achou que não haveria problemas em estabelecer contato com ele. De fato, o gigante não ofereceu qualquer ameaça aos portugueses. Através de sinais, os viajantes entenderam que o gigante acreditava que eles foram enviados do céu.

Os relatos de Pigafetta contam que havia vários deles. Eles foram descritos como pessoas tão altas que a cabeça dos europeus alcançava apenas na cintura dos gigantes. Ao conhecer toda a comunidade, Fernão de Magalhães ficou empolgado e quis levar alguns gigantes de volta para a Europa. O cronista descreve que nove dos homens mais fortes da tripulação foram enviados para capturar dois gigantes. Com muito esforço, eles conseguiram cumprir a tarefa, mas os prisioneiros ficaram doentes e morreram durante a viagem de volta à Europa. Até hoje, o mito dos gigantes descobertos por Fernão de Magalhães continuaram a fazer parte do imaginário dos europeus. Até que o navegador inglês Sir Francis Drake entrou na história. Nos registros de viagens escritos por seu sobrinho, havia novos relatos de encontros com os gigantes. Mas dessa vez, o retrato das criaturas era um pouco diferente. Enquanto os portugueses disseram ter encontrado gigantes de três metros de altura, o capitão inglês calculou que eles mediam cerca de 2,2 metros apenas. Os ingleses ainda registraram como os gigantes, que eram afáveis e amigáveis, haviam se tornado cuidadosos e desconfiados depois do episódio que aconteceu com a tripulação de Fernão de Magalhães.

Em meados de 1700, o comandante John Byron, da marinha britânica, fez mais uma expedição à região e confirmou os fatos. Dois anos após a tripulação retornar à Inglaterra, um livro curiosamente anônimo trazia mais histórias sobre os gigantes da Patagônia. Desta vez, os registros incluíam até mesmo ilustrações que davam mais crédito aos relatos. O livro foi um sucesso de vendas e ajudou a aumentar ainda mais o interesse dos europeus pelo mito dos gigantes. Depois, a história também foi impulsionada por um padre chamado Pernety. Após uma viagem de volta ao mundo, o clérigo decidiu escrever seu próprio livro e contar como os capitães de seu navio conheceram os gigantes. Mesmo não tendo nenhuma experiência com a comunidade, o padre sustentou o mito e condenou aqueles que duvidavam de todas evidências.

Muitos anos após a publicação desses dois livros, um capitão da marinha britânica deu seu depoimento. Segundo ele, as pessoas que viviam naquela região realmente eram altas, mas dificilmente seriam os gigantes que todos afirmaram ter encontrado. O oficial também foi o primeiro a apresentar figuras que representavam pessoas bem mais altas do que os europeus, mas que não chegavam a ser gigantes. Atualmente, acredita-se que todas as referências feitas pelos exploradores realmente diziam respeito aos nativos que viviam na região. Provavelmente eles haviam encontrado com os Tehuelche ou com os Aonikenk, povos que, de fato, tinham uma altura impressionante, mas estavam longe de ser os protagonistas gigantes das histórias que os europeus contaram por dois séculos.

Fonte: Universidade de Princeton e KnowledgeNuts.

De volta para o futuro

Olha só que ótima ideia e que belo trabalho da fotógrafa argentina Irina Werning. Ela pegou fotos antigas de várias pessoas e recriou praticamente a mesma foto, no mesmo cenário, com os mesmos objetos, as mesmas pessoas, vestidas com as mesmas roupas, usando os mesmos acessórios, nas mesmas posições, mas com um pequeno detalhe: as pessoas estão bem mais velhas. Ela intitulou esse trabalho de “Back to the Future”; e até já lançou um livro com o mesmo título. Veja as fotos:

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As capitais continentais

Eu já argumentei aqui por que Recife é a capital do Nordeste, ainda que informalmente. Em mais uma de minhas divagações ociosas, estive me perguntando qual seria a capital de cada continente do mundo. Por “capital”, leia-se cidade mais importante, levando em consideração os pontos de vista cultural, histórico, geográfico, econômico, etc.

Eis as minhas sugestões:

capitais continentais

Veja também:
As 20 maiores cidades do mundo
As 10 cidades mais ricas do mundo

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CAPITAL DA AMÉRICA DO SUL: SÃO PAULO

Correndo por fora: Buenos Aires

Na América do Sul, não há cidade à altura de São Paulo (Brasil) e Buenos Aires (Argentina) que ousem se candidatar ao título de capital do continente. Rio de Janeiro (Brasil) e Santiago (Chile) não têm a menor chance nessa disputa. Entre as duas gigantes sul-americanas, São Paulo ganha da rival argentina em quase todos os quesitos. Enquanto Buenos Aires tem melhor IDH e a língua mais falada no continente (espanhol), São Paulo está geograficamente mais ao centro do continente, pertence ao maior e mais importante país, tem uma população muito maior, um PIB muito maior, e é o maior centro financeiro da América Latina (e de todo o hemisfério sul). Por esses e outros motivos, São Paulo é a capital informal da América do Sul.

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CAPITAL DA AMÉRICA DO NORTE: NOVA YORK

Correndo por fora: Chicago e Los Angeles

Considerando o continente americano como um todo, nem São Paulo, nem Buenos Aires, nem a Cidade do México, nem as canadenses Toronto, Montreal e Vancouver se colocam em par de igualdade com as grandes metrópoles dos Estados Unidos: Nova York, Chicago e Los Angeles. Dentre essas, Chicago, apesar do porte e importância, logo cai fora da disputa. Los Angeles se sobressai por pertencer ao mais rico e próspero estado americano, a Califórnia. Também por abrigar Hollywood. Mas não chega a igualar-se a Nova York nem em população, nem em PIB, nem em importância cultural e histórica. Nova York é para o mundo um símbolo da América e merece com folga esse título de capital das Américas.

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CAPITAL DA EUROPA: LONDRES

Correndo por fora: Paris, Roma e Atenas

O velho continente poderia muito bem ser representado por Roma (Itália) ou Atenas (Grécia). Essas cidades históricas são o berço da nossa cultura e civilização ocidental e foram consideradas os centros do mundo na Antiguidade, mas nos dias de hoje não têm força suficiente para competir com Londres (Reino Unido) e Paris (França) pelo posto de capital da Europa. Entre essas duas, Paris leva vantagem por estar localizada mais no centro do continente, enquanto Londres fica numa ilha ao norte (Grã-Bretanha), mas as vantagens da capital francesa param por aí. Londres foi a capital do maior império de todos os tempos, tem mais gente, um PIB ligeiramente maior e um argumento que desbanca de vez a rival francesa: é o berço a língua universal, o inglês.

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CAPITAL DA ÁFRICA: JOANESBURGO

Correndo por fora: Cairo

A cidade do Cairo (Egito) tem a seu favor o fato de estar localizada no norte do continente africano, portanto bem mais próxima da Europa e da Ásia, o que em tese facilita o comércio e a troca cultural com esses outros continentes. Além disso, ela é a capital e cidade mais importante do Egito, uma das nações mais antigas do mundo, e bebe das águas do maior e mais importante rio do continente, o Nilo (sem falar nas maravilhosas pirâmides). Mesmo assim, Joanesburgo (África do Sul) hoje supera Cairo em quase tudo, assim como a África do Sul supera o Egito. Joanesburgo é hoje a maior e mais rica metrópole do continente, responsável por 10% do PIB africano. Isso dá a ela o título de capital da África.

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CAPITAL DA ÁSIA: TÓQUIO

Correndo por fora: Xangai, Pequim, Hong Kong, Singapura e Seul

Xangai (China), Pequim (China), Hong Kong (China), Singapura (independente) e Seul (Coreia do Sul) são enormes, populosas como formigueiros, riquíssimas, mas nenhuma se compara a Tóquio (Japão). A capital japonesa é de longe a cidade mais rica do mundo, e alguns rankings a colocam também como a mais populosa. Isso sem falar na importância econômica e cultural do Japão no cenário mundial. Assim fica fácil declarar Tóquio como a capital não só da Ásia, mas de todo o mundo oriental.

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CAPITAL DO ORIENTE MÉDIO: JERUSALÉM

Correndo por fora: Istambul e Dubai

Aqui a briga é boa. Dubai (Emirados Árabes Unidos), apesar de ser hoje uma das cidades mais ricas do mundo e uma das que mais recebem turistas, não é historicamente importante como Istambul (Turquia) e Jerusalém (Israel). Sua grandeza não é espontânea e natural: ela foi feita importante. Nasceu e cresceu recentemente pela vontade (e pela grana) dos xeiques árabes, com a força econômica do petróleo. Considerá-la a cidade mais importante do Oriente Médio seria cometer o mesmo erro de considerar Brasília a cidade mais importante do Brasil. Ora, Brasília foi construída para esse fim, não surgiu e se tornou importante espontaneamente, naturalmente, como São Paulo ou Rio de Janeiro. (Outra semelhança entre Dubai e Brasília é que ambas foram construídas no deserto).

Istambul, por sua vez, tem grande vantagem por estar localizada simultaneamente em dois continentes, Ásia e Europa, e também por ser a cidade mais populosa da região. Mas se Dubai é rica e Istambul populosa, nenhuma delas tem a importância simbólica, histórica, cultural, religiosa e espiritual de Jerusalém. Primeiramente, a cidade é considerada sagrada por ser o berço das três principais religiões do mundo: Judaísmo, Cristianismo e Islamismo. Depois, nenhuma outra cidade foi e é tão disputada quanto esta. Ela também é uma das cidades mais antigas do mundo e uma das que mais recebe turistas do mundo todo.

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CAPITAL DA OCEANIA: SIDNEY

Correndo por fora: Melbourne e Auckland

Essa é fácil. Primeiro porque, por uma questão de bom senso, a capital da Oceania deve ser uma cidade australiana (foi mal, Nova Zelândia). Depois porque, dentre as principais cidades australianas, nenhuma tem a importância de Sidney. Tanto que, se você perguntar a qualquer brasileiro qual é a capital da Austrália, as chances de que ele responda Camberra são quase nenhuma: a grande maioria dirá equivocadamente que é Sidney, pois esta é a cidade mais populosa, mais rica e mais conhecida da Austrália.

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CAPITAL DO OCIDENTE: NOVA YORK

Correndo por fora: Atenas, Roma e Londres

Agora que os continentes estão devidamente capitaneados (isso tá certo?), vamos pensar no mundo sob a ótica da divisão clássica entre Ocidente e Oriente. Como já dissemos no tópico sobre a Europa, Atenas (Grécia) e Roma (Itália) têm tudo para serem consideradas capitais do Ocidente, justamente porque foram o berço dessa civilização. Mesmo assim, já que estamos procurando uma capital para o Ocidente hoje, essas cidades históricas cedem lugar a Nova York ou Londres. E, claro, nessa disputa quem vence é Nova York. Primeiro pela importância dos Estados Unidos no cenário mundial, muito maior que a do Reino Unido. Depois por Nova York ser mais populosa e mais rica do que Londres. E finalmente, por Nova York ser um verdadeiro símbolo do Ocidente. Pode confirmar isso com qualquer terrorista muçulmano: o seu ódio ao Ocidente têm um alvo bastante específico: os Estados Unidos. E se você pedir que ele seja ainda mais específico, ele provavelmente revelará que o seu sonho é se explodir num importante cartão postal de Nova York no meio de uma multidão.

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CAPITAL DO ORIENTE: TÓQUIO

Correndo por fora: Xangai e Mumbai

Já adiantamos, no tópico sobre a Ásia, que Tóquio (Japão) seria a capital do Oriente. Levando em consideração o aspecto histórico, temos a China e a Índia como as grandes nações orientais da Antiguidade, o berço da civilização oriental (assim como Grécia e Roma antigas o são para o Ocidente). Além disso, China e Índia são, respectivamente, os países com as maiores populações do mundo. Mas hoje, nem Xangai (principal e maior metrópole chinesa) nem Mumbai (principal e maior metrópole indiana) têm condições de competir com Tóquio, a gigante japonesa.

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CAPITAL DO MUNDO: VOCÊ DECIDE!

Por fim, qual seria a capital do mundo hoje? Essa última eu vou abrir mão de responder e jogar a bola (ou o globo) para vocês, caros leitores. Compartilhe nos comentários a sua opinião e justifique sua escolha.

Europeus versus sul-americanos

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A Copa do Mundo FIFA é o campeonato esportivo mais popular e prestigiado do mundo. A competição foi criada em 1928 na França por Jules Rimet, então presidente da FIFA (Federação Internacional de Futebol Associado, em francês: Fédération International de Football Association). A primeira edição ocorreu em 1930 no Uruguai, cuja seleção que abrigou o evento saiu vencedora. A partir de então, o torneio acontece a cada 4 anos (com exceção de 1942 e 1946, anos em que não houve Copa devido às Guerras Mundiais). Este ano (2014), está acontecendo aqui no Brasil a 20ª edição do mundial. Nas 19 edições anteriores, apenas seleções europeias e sul-americanas sagraram-se campeãs mundiais. Este ano não será diferente, já que a grande final será disputada entre uma seleção europeia e uma sul-americana: Alemanha x Argentina.

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Dos 19 títulos mundiais disputados até hoje, 10 foram conquistados por seleções europeias (4 da Itália, 3 da Alemanha, e 1 de Inglaterra, França e Espanha), e outros 9 ficaram com seleções sul-americanas (5 do Brasil e 2 de Uruguai e Argentina), como você pode ver no mapa acima. A final deste domingo entre Alemanha e Argentina decidirá se esta disputa ficará empatada ou se a Europa aumenta a vantagem. Se a Argentina for campeã, a história das Copas ficará equilibrada com 10 títulos para cada continente nessas 20 edições. E o empate virá não apenas para os continentes em questão, mas também na disputa individual entre os países, já que a Argentina seria tricampeã, assim como a Alemanha. Diante de tais números, e apesar de gostar muito do futebol da Alemanha, eu, que sou brasileiro, decidi deixar a rivalidade de lado e torcer pela Argentina, pelos “hermanos“, nossos vizinhos aqui da América do Sul. Estou encarando esta final como uma disputa entre continentes mais do que entre países.

Mas o confronto individual entre os países também tem seus encantos. As duas seleções já se enfrentaram 20 vezes na história (6 vezes em Copas do Mundo). Veja os números desse duelo no infográfico abaixo:

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Curta metragem “O Emprego”

O vídeo abaixo tem pouco mais de 6 minutos de duração. Trata-se de um curta-metragem de animação muito famoso, vencedor de 102 prêmios internacionais, produzido pelo estúdio argentino Opus Bou. Seu título original é “El Empleo” (O Emprego, em português). Além de ser muito bem produzido, a mensagem que o filme transmite é de grande importância para pensarmos a dignidade do ser humano.

Vou deixar que Kant (1724-1804) comente o vídeo acima por mim. A passagem foi extraída da Fundamentação da Metafísica dos Costumes e trata do que o próprio Kant chama de “reino dos fins”: “Os seres racionais estão, pois, todos submetidos a essa lei (imperativo categórico) que manda que cada um deles jamais se trate a si mesmo ou aos outros simplesmente como meios, mas sempre simultaneamente como fins em si. (…) No reino dos fins tudo tem ou um preço ou uma dignidade. Quando uma coisa tem um preço, pode-se por em vez dela qualquer outra como equivalente; mas quando uma coisa está acima de todo preço, e portanto não permite equivalente, então ela tem dignidade. (…) Ora, a moralidade é a única condição que pode fazer de um ser racional um fim em si mesmo, pois só por ela lhe é possível ser membro legislador no reino dos fins. Portanto a moralidade, e a humanidade enquanto capaz de moralidade, são as únicas coisas que têm dignidade. (…) Esta apreciação dá pois a conhecer como dignidade o valor de uma tal disposição de espírito e põe-na infinitamente acima de todo o preço. Nunca ela poderia ser posta em cálculo ou confronto com qualquer coisa que tivesse um preço, sem de qualquer modo ferir a sua santidade. (…) A autonomia é pois o fundamento da dignidade da natureza humana e de toda natureza racional”.

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