A arte de envelhecer

O tema da velhice foi objeto de brilhantes filósofos ao longo dos tempos. Um dos melhores livros já escritos sobre o assunto foi A arte do envelhecimento, de Cícero. Ele nota, primeiramente, que todas as idades têm seus encantos e suas dificuldades. E depois aponta para um paradoxo da humanidade. Todos sonhamos ter uma vida longa, o que significa viver muitos anos. Quando realizamos a meta, em vez de celebrar o feito, nos atiramos em um estado de melancolia e amargura. “Todos os homens desejam alcançar a velhice, mas ao ficarem velhos se lamentam”, escreve. Para Cícero, “os velhos inteligentes, agradáveis e divertidos suportam facilmente a idade, ao passo que a acrimônia, o temperamento triste e a rabugice são deploráveis em qualquer idade”.

Um  ótimo exemplo disso foi a francesa Jeanne Calment, que morreu aos 122 anos, em 1997. Jeanne foi a pessoa mais velha de que se tem notícia em tempos modernos. “Deus deve ter se esquecido de mim”, brincava. Em seu 110º aniversário, a francesa disse bem humorada: “Eu só tenho uma ruga, e estou sentada em cima dela neste momento”.

Permanecer intelectualmente ativo é uma forte recomendação de Cícero. “A memória declina se não a cultivamos ou se carecemos de vivacidade de espírito”, disse. Cícero lembra que Sófocles em idade avançada ainda escrevia suas tragédias. No fim da vida, Sócrates aprendeu a tocar lira. Catão, na velhice, descobriu a literatura grega. Machado de Assis, para citar um brasileiro, aprendeu alemão também na velhice, língua na qual escreveu seus melhores romances. “A vida segue um curso preciso e a natureza dota cada idade de suas qualidades próprias”, escreveu Cícero. “Por isso, a fraqueza das crianças, o ímpeto dos jovens, a seriedade dos adultos e a maturidade da velhice são coisas naturais que devemos apreciar cada uma em seu tempo.” Sem dúvida, ler as palavras de Cícero sobre o envelhecimento pode ajudar a aceitar melhor a passagem do tempo. Em outras palavras: ler Cícero dá mais resultado do que Botox!

Com informações de: Revista Época.

Desempenho de alunos da rede federal é semelhante ao de países desenvolvidos

Organizada a cada três anos, a prova do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) é a principal avaliação de educação básica do mundo, e foca em alunos de 15 a 16 anos. Os dados de 2015 apontam que o Brasil ficou estagnado desde 2012 nas três áreas avaliadas: matemática, ciência e leitura. Isso mantém o país no grupo daqueles com uma nota bem abaixo da média. A pesquisa é organizada pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), e avalia também nações que não são integrantes da entidade, como o Brasil.

O mau resultado no quadro geral é apenas uma das leituras possíveis. A comparação do desempenho entre os alunos brasileiros evidencia que há outro problema a ser enfrentado pelo país: a desigualdades dos sistemas de ensino brasileiro. No Brasil, a prova do Pisa foi aplicada pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) para 23 mil estudantes de 841 escolas. Segundo as informações detalhadas divulgadas pela entidade, a pontuação média da rede federal supera a municipal e a estadual, assim como a privada. No caso de ciência e leitura, esses alunos estão além inclusive dos estudantes de países desenvolvidos. Em matemática, quem está numa instituição federal brasileira empata com a média das notas dos estudantes de países da OCDE.

Pontuações no Pisa de 2015:

pisa 2015

Segundo dados da instituição, a rede federal, a mais bem sucedida, responde por apenas 0,87% dos 43 milhões de alunos matriculados no ensino básico em 2015 no país. Em entrevista ao Nexo, Ricardo Falzetta, gerente de conteúdo do movimento Todos pela Educação, afirma que o ensino federal é privilegiado por diversos fatores que não se aplicam nem mesmo à rede privada. Mas seu bom desempenho mostra o potencial dos alunos do país. O Nexo conversou com três estudiosos da área de educação para entender o bom desempenho da rede federal e qual é o desafio de replicar seu modelo.

Investimento é especialmente alto

Um dos pontos que chamam a atenção no relatório do Pisa é o investimento acumulado por aluno entre 6 e 15 anos praticado no Brasil. Ele é, em média, de US$ 38.190, ou 42% da média de US$ 90.294 praticada pelos países membros da OCDE. “Aumentos de gastos ainda são necessários para se traduzir em melhor aprendizagem”, afirma o trabalho. O investimento do Brasil é defasado, mas isso não se dá de forma uniforme. A rede federal tem um gasto médio maior por aluno do que a estadual ou municipal, afirmam os pesquisadores. De acordo com Falzetta, isso assegura, por exemplo, a contratação de professores melhores. Ele ressalta que o investimento brasileiro em educação em relação ao PIB é similar àquele dos países desenvolvidos, de cerca de 6,6%. “Mas eles já estão em outro patamar. Se quisermos mudar de nível, precisamos ter um investimento maior, pelo menos por um período”, diz. Na opinião de Antonio Augusto Batista, coordenador de pesquisas do Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária) mais verba também se reflete em bibliotecas e laboratórios, que são raros em escolas municipais e estaduais, e mesmo em grande parte das privadas.

Seleção de alunos turbina desempenho

Um outro fator que influencia no sucesso da rede federal é o fato de que a grande procura leva a maior parte das instituições de ensino a realizar algum tipo de pré-seleção de seus alunos, como vestibulinhos. “É parecido com o que acontece com as escolas de elite da rede particular, que faz uma seleção dos alunos a partir da mensalidade”, afirma Fazetta. Em ambos os casos, os alunos tendem a ter acesso privilegiado a informações desde cedo, o que melhora o seu desempenho na escola. Fazetta também destaca que os alunos que não conseguem acompanhar o curso, seja nas escolas particulares de elite, seja nas federais, tendem a deixá-lo, o que mantém o desempenho das instituições em avaliações em alta. Batista, do Cenpec, ressalta que, apesar de membros de instituições federais de ensino tenderem a ter um nível socioeconômico maior, eles não pertencem em geral à elite econômica mais elevada do país. Fazem parte de famílias de classe média que têm na própria educação o seu principal ativo, que permite que realizem trabalhos bem remunerados e mantenham seu padrão de vida.

Por exemplo: muitas instituições da rede federal estão associadas a universidades, e por isso grande parte dos alunos são filhos de docentes. Ao procurar a rede federal, as famílias buscam garantir que seus filhos se manterão na mesma posição social. Eles são privilegiados principalmente porque “têm recursos culturais mais altos”, afirma Batista. “É uma elite intelectual no caso das federais ligadas a universidades, e uma classe média que aposta muito na escola em geral”, diz Batista. Fazetta ressalta que o investimento concentrado nesses alunos selecionados reforça desigualdades sociais.

Boa remuneração e estabilidade atraem melhores professores

A concentração de recursos no ensino federal garante uma melhor remuneração dos professores. Segundo dados elaborados pela Todos pela Educação com base em informações do IBGE, o salário médio de um professor da rede federal de educação básica com carga horária de 40h semanais de trabalho em 2014 era de R$ 5.173,92. O valor é 65% superior ao rendimento médio dos professores da educação básica pública. Em entrevista ao Nexo, Neide Noffis, diretora da Faculdade de Educação da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo, afirma que os contratos desses professores também são mais estáveis, além de as condições de trabalho tenderem a ser melhores. Isso permite que professores tenham apenas um emprego. O que significa disposição para lidar com os alunos e tempo para continuar estudando e preparar aulas. Esses fatores somados fazem com que essas instituições sejam procuradas pelos melhores professores, o que leva a uma melhor qualidade de ensino. “Se o professor vê seu trabalho como subemprego e chega lá cansado, a qualidade do ensino cai”, diz Noffis.

Aplicação prática do conteúdo

A maior parte dos alunos de 15 a 16 anos na rede federal estão em instituições de ensino técnicas. Noffis destaca que elas tendem a apresentar o ensino como uma porta de entrada para o mundo do trabalho. Por isso, o conteúdo é transmitido com enfoque na realidade prática e mesmo no ambiente em que os alunos vivem. Isso, afirma, confere um ensino mais estimulante e uma maior permanência estudantil. “O ensino técnico tem a ver com o contexto local do jovem, com a sua possibilidade de se inserir no mercado. É algo mais fácil de perseguir como meta. Diferente de um conteúdo como ‘o rio tem que ser despoluído, não podemos cortar as árvores etc’, que ele aprende, mas no qual não tem condições e potência para interferir”, afirma Noffis.

Fonte: Nexo.

Finlândia será o primeiro país a abolir a divisão do conteúdo escolar em disciplinas

A Finlândia já tem um dos melhores sistemas de educação do mundo, que ocupa as posições de topo nos prestigiados rankings PISA. Especialistas em educação de todo o mundo olham para o país como um exemplo e tentam replicar nos seus sistemas de ensino o sucesso que lhe reconhecem. Mas a Finlândia não descansa. Está a preparar a maior reforma na educação de sempre, abandonando o tradicional ensino por disciplinas e implementando um ensino por tópicos. Algumas disciplinas principais, como Literatura e Física, já estão sendo eliminadas das escolas. Em vez disso, os jovens finlandeses estão aprendendo por tópicos, como a “União Europeia”, que engloba a aprendizagem de economia, história, línguas e geografia. Ou seja, nada de uma hora de história, seguida de uma hora de química, uma hora de matemática, e assim por diante. A ideia é eliminar uma das maiores interrogações dos estudantes: “porque tenho de aprender isto?”. No novo modelo, todos os assuntos estão interligados e existem motivos práticos para aprender.

A maioria dos professores, entretanto, sempre lecionou disciplinas individuais ao longo das suas carreiras, e por isso são muitos os que se opõem a estas mudanças. Não é difícil percebermos o porquê: o novo sistema é muito mais colaborativo, forçando os profissionais de diferentes áreas a juntarem-se para definir o plano curricular. Marjo Kyllonen, responsável pela educação na capital finlandesa e um dos autores desta reforma, batizou o novo modelo de “co-teaching” e assegura que os professores que concordarem com ele vão receber bônus salariais. Cerca de 70% dos professores das escolas básicas de Helsinque já foram preparados para o novo modelo, de acordo com Pasi Silander, responsável pelo desenvolvimento da cidade de Helsinque, capital do país, ao jornal The Independent. “Mudamos mesmo a mentalidade. É difícil convencer os professores a entrar na nova abordagem e dar o primeiro passo, mas aqueles que o fizeram dizem que não conseguem voltar atrás”. O novo sistema de ensino finlandês está sendo testado na capital Helsinque, mas a intenção das autoridades é que seja aplicado em todo o país por volta de 2020.

Fonte: Shifter.

Dicas de estudo #10 – Como estudar pra prova

Mais um infográfico da revista Superinteressante.

Clique na imagem para ver em tamanho maior.

como estudar para uma prova


Maioria dos métodos de estudar para provas não funciona

Os métodos favoritos de se preparar para provas escolares não são os que garantem os melhores resultados para os estudantes, segundo uma pesquisa feita por um grupo de psicólogos americanos. Universidades e escolas sugerem aos estudantes uma grande variedade de formas de ajudá-los a lembrar o conteúdo dos cursos e garantir boas notas nos exames. Entre elas estão tabelas de revisão, canetas marcadoras, releitura de anotações ou resumos, truques mnemônicos ou autotestes. Mas segundo o professor John Dunlosky, da Kent State University, nos Estados Unidos, os professores não sabem o suficiente sobre como a memória funciona e quais as técnicas mais efetivas. Dunlosky e seus colegas avaliaram centenas de pesquisas científicas que estudaram dez das estratégias de revisão mais populares, e verificaram que oito delas não funcionam ou mesmo, em alguns casos, chegam até a atrapalhar o aprendizado.

Então, o que funciona? Somente duas das dez técnicas avaliadas se mostraram efetivas: testar a si mesmo e espalhar a revisão em um período de tempo mais longo. “Estudantes que testam a si mesmos ou tentam recuperar o material da memória vão aprender melhor no longo prazo. Comece lendo o texto e então faça cartões de estudo com os principais conceitos e teste a si mesmo. Um século de pesquisas mostra que a repetição de testes funciona”, diz Dunlosky. Isso aconteceria porque o estudante fica mais envolvido com o tema e menos propenso a devaneios da mente. “Testar a si mesmo quando você tem a resposta certa parece produzir um rastro de memória mais elaborado conectado com seus conhecimentos anteriores, então você vai construir o conhecimento sobre o que já sabe”, diz o pesquisador. A melhor estratégia, porém, é uma técnica chamada “prática distribuída”, de planejar com certa antecipação e estudar em espaços de tempo mais espalhados – evitando, assim, de deixar para estudar de uma vez só na véspera do teste. Dunlosky diz que essa é a estratégia mais poderosa: “Os estudantes que concentram o estudo podem passar nos exames, mas não retêm o material. Uma boa dose de estudo concentrado após bastante prática distribuída é o melhor caminho”.

Fonte: BBC Brasil.


Outros posts da série dicas de estudo:

1 – A atitude correta
2 – O ciclo do aprendizado
3 – Individual e ativo
4 – Educação egoísta
5 – Concentração e foco
6 – As quatro etapas
7 – Pierluigi Piazzi
8 – Lúcia Helena Galvão
9 – Como estudar sozinho em casa
10 – Como estudar para uma prova

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