A ciência não é uma invenção moderna

Isaac Newton dizia que, se conseguiu enxergar mais longe, é porque estava vendo de cima dos ombros de gigantes que o precederam. Chesterton, por sua vez, escreveu em O Defensor: “Ora, pareceu-me injusto que a humanidade se ocupasse perpetuamente em chamar de más todas aquelas coisas que foram boas o suficiente para tornar outras coisas melhores, em eternamente chutar a escada pela qual subiu. Pareceu-me que o progresso deveria ser algo mais além de um contínuo parricídio; portanto, investiguei os montes de entulho da humanidade e encontrei tesouros em todos”. A tabela abaixo exemplifica isso muito bem. Nela, podemos comparar teorias e descobertas científicas consideradas “modernas” e constatar que elas já eram conhecidas na antiguidade.

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Tertúlias Pré-socráticas

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Tertúlias Pré-socráticas é um ciclo de palestras sobre as origens da filosofia na Grécia Antiga promovido pela associação Origem da Comédia, de Portugal. As palestras foram ministradas no Teatro Acadêmico Gil Vicente, em Coimbra. Clique nos links abaixo para assistir às palestras. Infelizmente não consegui encontrar a palestra de número 4, que obviamente deve tratar de Parmênides, talvez o maior dos filósofos pré-socráticos.

Pré-Socráticos #1 – A Grécia arcaica

Pré-Socráticos #2 – Tales, Anaximandro e Anaxímenes

Pré-Socráticos #3 – Heráclito de Éfeso

Pré-Socráticos #4 – Parmênides de Eleia

Pré-Socráticos #5 – Empédocles, Anaxágoras e os atomistas

Pré-Socráticos #6 – Pitágoras e os pitagóricos

Pré-Socráticos #7 – Os sofistas

A filosofia no Renascimento

Palestra ministrada pela professora Lúcia Helena Galvão, diretora da Nova Acrópole de Brasília, sobre a filosofia na época do Renascimento.

História da Grécia Antiga em 24 aulas

Este curso de história da Grécia antiga, ministrado pelo Dr. Donald Kagan, é dividido em 24 aulas e foi gravado em 2007 na Universidade de Yale. Assista abaixo a primeira aula do curso (introdutória) e, caso interesse, continue acompanhando a sequência pelo YouTube.

A diferença entre o remédio e o veneno

Crônica de Pablo Capistrano, professor de filosofia de Natal-RN.

Pharmakon é um termo grego que servia para designar tanto uma droga que alucina, um remédio que cura, um perfume que seduz um parceiro ou um veneno que mata. A sabedoria dos antigos nos faz lembrar que, em uma farmácia, aquilo que cura pode matar e aquilo que encanta também, de certo modo, enlouquece e escraviza. A natureza dispõe de uma quantidade fantástica de substâncias que alteram a consciência, produzindo as delícias do encantamento e o desespero sem fim da loucura. Essas forças quádruplas (cura, prazer, loucura e morte) andam juntas e nos circundam, contaminando o ambiente e produzindo um casulo químico que interfere em nosso corpo e em nosso entendimento.

O mundo moderno não inventou as drogas. Elas estão dadas no meio natural, apenas esperando que alguém venha, colha-as e descubra o modo certo de refiná-las, fermentá-las, cozinhá-las em efusão, sintetizá-las, embalar em saquinhos e vender na farmácia, no bar ou na porta do clube descolado. Na aurora do homem, a farmácia era logo ali, no meio da floresta, da savana ou da estepe. O antropólogo americano Terence McKenna chegou a defender a curiosa ideia de que a consciência humana havia se desenvolvido a partir do momento em que nossos ancestrais, perseguindo manadas de búfalos, no esforço de domesticação que deu origem à nossa moderna agropecuária, começou a consumir psilocybe, uma substância que aparece junto com cogumelos nas fezes dos bois.

Ele chegou a essa conclusão após anos de estudos das práticas xamânicas espalhadas por diversas culturas e grupos étnicos mundo afora. Na Sibéria, a ingestão da Amanita muscaria, um cogumelo colorido rico em psilocybina (a mesma substância que, isolada e sintetizada em laboratório, ajudou a criar o LSD), é parte do contexto ritual da religião xamânica. O transe obtido através da ingestão dessas substâncias, em um contexto ritual e através da direção de um xamã, faz com que uma realidade oculta à consciência ordinária dos homens mostre-se em todo seu vigor. A ideia básica das práticas religiosas que utilizam substâncias como a psilocybe é de que as plantas são espíritos professores e que a natureza é uma imensa “farmácia”, na qual os praticantes do transe xamânico podem adquirir para si algo do ensinamento contido em cada cacto, cipó, fungo ou folha de árvore desta terra estranha e cheia de variações bioquímicas exóticas.

Entre os Ianomâmis na fronteira do Brasil com a Venezuela, por exemplo, é comum o consumo de um rapé de ebene por quase todos os homens que ultrapassam a puberdade. Nesses contextos, o xamã preside o ritual no qual os participantes se iniciam e constroem um acesso privilegiado a outros estados de consciência. Nos Andes, há o cacto de São Pedro (peyote), também famoso no México; na selva peruana, o aiuasca (uma planta cujo nome significa “vinho dos mortos” no dialeto quíchua e que teria poderes de abrir os portais do mundo dos mortos, estreitando o contato entre os vivos e os espíritos dos que já se foram); no Gabão, a ibogaina (que, segundo alguns, além de produzir alucinações, regressões e ataraxia serve para curar viciados em heroína) é largamente utilizada há milênios pelos membros da religião fang como planta mágica que serviria para estreitar contatos com os espíritos desencarnados.

Mas não é preciso ir longe para perceber como o uso da “farmácia de Deus” por parte das culturas tradicionais pode ser amplo. Entre nós, quando os portugueses adentraram os sertões brasileiros, travaram contato com inúmeras seitas e conjuntos de rituais que usavam largamente plantas como a nossa jurema, símbolo maior do xamanismo potiguar, tão esquecida entre os que buscam religiões exóticas, e plantas mágicas em outras selvas. Pois é, veja só que coisa. A mesma porta que pode levar o homem ao contato com o sagrado e o divino nas sociedades tradicionais, hoje, sintetizado, refinado, processado industrialmente, torna-se esse lixo químico que arrasta milhares de pessoas em todo o mundo para um estágio de prostração mental e degradação biológica.

A diferença entre o remédio e o veneno é muito tênue. Assim como o espaço do divino e o do mundano muitas vezes se cruzam em um mundo cheios de portas e janelas da percepção, que às vezes se expandem e às vezes se estreitam, levando o homem do céu ao inferno na mesma viagem. Esquecemos certamente os ensinamentos das plantas e, ao transformá-las industrialmente em produtos de mercado, acabamos por desmontar a ordem sagrada que envolvia suas práticas de consumo. Sem os rituais da antiga religião, essas flores, fungos e folhas acabam transformadas em uma porcaria bioquímica que leva à mente aquilo que o nosso mundo industrializado mais sabe construir: poluição.

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