Desempenho de alunos da rede federal é semelhante ao de países desenvolvidos

Organizada a cada três anos, a prova do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) é a principal avaliação de educação básica do mundo, e foca em alunos de 15 a 16 anos. Os dados de 2015 apontam que o Brasil ficou estagnado desde 2012 nas três áreas avaliadas: matemática, ciência e leitura. Isso mantém o país no grupo daqueles com uma nota bem abaixo da média. A pesquisa é organizada pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), e avalia também nações que não são integrantes da entidade, como o Brasil.

O mau resultado no quadro geral é apenas uma das leituras possíveis. A comparação do desempenho entre os alunos brasileiros evidencia que há outro problema a ser enfrentado pelo país: a desigualdades dos sistemas de ensino brasileiro. No Brasil, a prova do Pisa foi aplicada pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) para 23 mil estudantes de 841 escolas. Segundo as informações detalhadas divulgadas pela entidade, a pontuação média da rede federal supera a municipal e a estadual, assim como a privada. No caso de ciência e leitura, esses alunos estão além inclusive dos estudantes de países desenvolvidos. Em matemática, quem está numa instituição federal brasileira empata com a média das notas dos estudantes de países da OCDE.

Pontuações no Pisa de 2015:

pisa 2015

Segundo dados da instituição, a rede federal, a mais bem sucedida, responde por apenas 0,87% dos 43 milhões de alunos matriculados no ensino básico em 2015 no país. Em entrevista ao Nexo, Ricardo Falzetta, gerente de conteúdo do movimento Todos pela Educação, afirma que o ensino federal é privilegiado por diversos fatores que não se aplicam nem mesmo à rede privada. Mas seu bom desempenho mostra o potencial dos alunos do país. O Nexo conversou com três estudiosos da área de educação para entender o bom desempenho da rede federal e qual é o desafio de replicar seu modelo.

Investimento é especialmente alto

Um dos pontos que chamam a atenção no relatório do Pisa é o investimento acumulado por aluno entre 6 e 15 anos praticado no Brasil. Ele é, em média, de US$ 38.190, ou 42% da média de US$ 90.294 praticada pelos países membros da OCDE. “Aumentos de gastos ainda são necessários para se traduzir em melhor aprendizagem”, afirma o trabalho. O investimento do Brasil é defasado, mas isso não se dá de forma uniforme. A rede federal tem um gasto médio maior por aluno do que a estadual ou municipal, afirmam os pesquisadores. De acordo com Falzetta, isso assegura, por exemplo, a contratação de professores melhores. Ele ressalta que o investimento brasileiro em educação em relação ao PIB é similar àquele dos países desenvolvidos, de cerca de 6,6%. “Mas eles já estão em outro patamar. Se quisermos mudar de nível, precisamos ter um investimento maior, pelo menos por um período”, diz. Na opinião de Antonio Augusto Batista, coordenador de pesquisas do Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária) mais verba também se reflete em bibliotecas e laboratórios, que são raros em escolas municipais e estaduais, e mesmo em grande parte das privadas.

Seleção de alunos turbina desempenho

Um outro fator que influencia no sucesso da rede federal é o fato de que a grande procura leva a maior parte das instituições de ensino a realizar algum tipo de pré-seleção de seus alunos, como vestibulinhos. “É parecido com o que acontece com as escolas de elite da rede particular, que faz uma seleção dos alunos a partir da mensalidade”, afirma Fazetta. Em ambos os casos, os alunos tendem a ter acesso privilegiado a informações desde cedo, o que melhora o seu desempenho na escola. Fazetta também destaca que os alunos que não conseguem acompanhar o curso, seja nas escolas particulares de elite, seja nas federais, tendem a deixá-lo, o que mantém o desempenho das instituições em avaliações em alta. Batista, do Cenpec, ressalta que, apesar de membros de instituições federais de ensino tenderem a ter um nível socioeconômico maior, eles não pertencem em geral à elite econômica mais elevada do país. Fazem parte de famílias de classe média que têm na própria educação o seu principal ativo, que permite que realizem trabalhos bem remunerados e mantenham seu padrão de vida.

Por exemplo: muitas instituições da rede federal estão associadas a universidades, e por isso grande parte dos alunos são filhos de docentes. Ao procurar a rede federal, as famílias buscam garantir que seus filhos se manterão na mesma posição social. Eles são privilegiados principalmente porque “têm recursos culturais mais altos”, afirma Batista. “É uma elite intelectual no caso das federais ligadas a universidades, e uma classe média que aposta muito na escola em geral”, diz Batista. Fazetta ressalta que o investimento concentrado nesses alunos selecionados reforça desigualdades sociais.

Boa remuneração e estabilidade atraem melhores professores

A concentração de recursos no ensino federal garante uma melhor remuneração dos professores. Segundo dados elaborados pela Todos pela Educação com base em informações do IBGE, o salário médio de um professor da rede federal de educação básica com carga horária de 40h semanais de trabalho em 2014 era de R$ 5.173,92. O valor é 65% superior ao rendimento médio dos professores da educação básica pública. Em entrevista ao Nexo, Neide Noffis, diretora da Faculdade de Educação da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo, afirma que os contratos desses professores também são mais estáveis, além de as condições de trabalho tenderem a ser melhores. Isso permite que professores tenham apenas um emprego. O que significa disposição para lidar com os alunos e tempo para continuar estudando e preparar aulas. Esses fatores somados fazem com que essas instituições sejam procuradas pelos melhores professores, o que leva a uma melhor qualidade de ensino. “Se o professor vê seu trabalho como subemprego e chega lá cansado, a qualidade do ensino cai”, diz Noffis.

Aplicação prática do conteúdo

A maior parte dos alunos de 15 a 16 anos na rede federal estão em instituições de ensino técnicas. Noffis destaca que elas tendem a apresentar o ensino como uma porta de entrada para o mundo do trabalho. Por isso, o conteúdo é transmitido com enfoque na realidade prática e mesmo no ambiente em que os alunos vivem. Isso, afirma, confere um ensino mais estimulante e uma maior permanência estudantil. “O ensino técnico tem a ver com o contexto local do jovem, com a sua possibilidade de se inserir no mercado. É algo mais fácil de perseguir como meta. Diferente de um conteúdo como ‘o rio tem que ser despoluído, não podemos cortar as árvores etc’, que ele aprende, mas no qual não tem condições e potência para interferir”, afirma Noffis.

Fonte: Nexo.

A educação moderna criou adultos que se comportam como bebês

A educação moderna exagerou no culto à autoestima e produziu adultos que se comportam como crianças. Esse é o tema da reportagem da revista Época abaixo.

Veja também: Por que os profissionais da geração Y estão infelizes com suas carreiras?


Os alunos do terceiro ano de uma das melhores escolas de ensino médio dos Estados Unidos, a Wellesley High School, em Massachusetts, estavam reunidos numa tarde ensolarada para o momento mais especial de sua vida escolar: a formatura. Com seus chapéus e becas coloridos e pais orgulhosos na plateia, todos se preparavam para ouvir o discurso do professor de inglês David McCullough Jr. Esperavam, como sempre nessas ocasiões, uma ode a seus feitos acadêmicos, esportivos e sociais. O que ouviram do professor, porém, pode ser resumido em quatro palavras: vocês não são especiais.

Essas palavras foram repetidas nove vezes em 13 minutos. “Ao contrário do que seus troféus de futebol e seus boletins sugerem, vocês não são especiais”, disse McCullough logo no começo. “Adultos ocupados mimam vocês, os beijam, os confortam, os ensinam, os treinam, os ouvem, os aconselham, os encorajam, os consolam e os encorajam de novo. (…) Assistimos a todos os seus jogos, seus recitais, suas feiras de ciências. Sorrimos quando vocês entram na sala e nos deliciamos a cada tweet seus. Mas não tenham a ideia errada de que vocês são especiais. Porque vocês não são”.

O que aconteceu nos dias seguintes deixou McCullough atônito. Ao chegar para trabalhar na segunda-feira, notou que havia o dobro da quantidade de e-mails que costumava receber em sua caixa de entrada. Paravam na rua para cumprimentá-lo. Seu telefone não parava de tocar. Dezenas de repórteres de jornais, revistas, TV e rádio queriam entrevistá-lo. Todos queriam saber mais sobre o professor que teve a coragem de esclarecer que seus alunos não eram o centro do universo. Sem querer, ele tocara num tema que a sociedade estava louca para discutir – mas não tinha coragem. Menos de uma semana depois, McCullough fez a primeira aparição na TV para explicar que não menosprezava seus jovens alunos, mas julgava necessário alertá-los. “Em 26 anos ensinando adolescentes, pude ver como eles crescem cercados por adultos que os tratam como preciosidades. Mas, para se dar bem daqui para a frente, eles precisam saber que agora estão todos na mesma linha, que nenhum é mais importante que o outro”, disse.

A reação ao discurso do professor McCullough pode parecer apenas mais um desses fenômenos de histeria americanos. Mas a verdade é que ele tocou numa questão que incomoda pais, educadores e empresas no mundo inteiro – a existência de adolescentes e jovens adultos que têm uma percepção totalmente irrealista de si mesmos e de seus talentos. Esses jovens cresceram ouvindo de seus pais e professores que tudo o que faziam era especial e desenvolveram uma autoestima tão exagerada que não conseguem lidar com as frustrações do mundo real. “Muitos pais modernos expressam amor por seus filhos tratando-os como se eles fossem da realeza”, afirma Keith Campbell, psicólogo da Universidade da Geórgia, nos Estados Unidos, e coautor do livro Narcisism epidemic (Epidemia narcisista), de 2009, sem tradução para o português. “Eles precisam entender que seus filhos são especiais para eles, não para o resto do mundo”.

Em português, inglês ou chinês, esses filhos incensados desde o berço formam a turma do “eu me acho”. Eles se acham os melhores alunos (se tiram uma nota ruim, é o professor que não os entende). Eles se acham os mais competentes no trabalho (se recebem críticas, é porque o chefe tem inveja). Eles se acham merecedores de constantes elogios e rápido reconhecimento (se não são promovidos em pouco tempo, a empresa foi injusta em não reconhecer seu valor). Você conhece alguém assim? Boa parte deles, no Brasil e no resto do mundo, foi bem-educada, teve acesso aos melhores colégios, fala outras línguas e, claro, é ligada em tecnologia e competente em seu uso.

A expectativa exagerada dos jovens foi detectada no livro Generation me (Geração eu), escrito em 2006 por Jean Twenge, professora de psicologia da Universidade Estadual de San Diego, nos EUA. No trabalho seguinte, em parceria com Campbell, ela vasculhou os arquivos de uma pesquisa anual feita desde os anos 1960 sobre o perfil dos calouros nas universidades. Descobriu que os alunos dos anos 2000 tinham traços narcisistas muito mais acentuados que os jovens das três décadas anteriores. “O narcisismo pode levar ao excesso de confiança e a uma sensação fantasiosa sobre seus próprios direitos”, diz Campbell. Os maiores especialistas no assunto concordam que a educação que esses jovens receberam na infância é responsável por seu ego inflado e hipersensível. E eles sabem disso. Uma pesquisa da revista Time e da rede de TV CNN mostrou que dois terços dos pais americanos acreditam que mimaram demais sua prole. Sally Koslow, uma jornalista aposentada, chegou a essa conclusão depois que seu filho, que passara quatro anos estudando fora de casa e outros dois procurando emprego, voltou a morar com ela. “Fizemos um superinvestimento em sua educação e acompanhamos cada passo para garantir que ele tivesse sua independência”, diz ela. “Ao ver meu filho de quase 30 anos andando de cueca pela sala, percebi que deveria tê-lo deixado se virar sozinho”.

Que criação é essa que, mesmo com a garantia da melhor educação e sem falta de atenção dos pais, produz legiões de narcisistas com dificuldade de adaptação? Os estilos de criação modernos têm em comum duas características. A primeira é o esforço incansável dos pais para garantir o sucesso futuro de sua prole – e esse sucesso depende, mais do que nunca, de entrar numa boa universidade e seguir uma carreira sólida. Nos Estados Unidos, a tentativa de empacotar as crianças para esse modelo de vida começa desde cedo. Escolas infantis selecionam bebês de 2 anos por meio de testes. Isso acontece no Brasil também. No colégio paulista Vértice, um dos mais bem classificados no ranking do Enem, há fila para uma vaga no jardim da infância.

O segundo pilar da criação moderna está na forma que os pais encontraram para estimular seus filhos e mantê-los no caminho do sucesso: alimentando sua autoestima. É uma atitude baseada no “movimento da autoestima”, criado a partir das ideias do psicoterapeuta canadense Nathaniel Branden, hoje com 82 anos. Em 1969, ele lançou um livro pregando que a autoestima é uma necessidade humana. Não atendida, ela poderia levar a depressão, ansiedade e dificuldades de relacionamento. Para Branden, a chave para o sucesso tanto nas relações pessoais quanto profissionais é nutrir as pessoas com o máximo possível de autoestima desde crianças. Tal tarefa, diz ele, cabe sobretudo a pais e professores. Foi uma mudança radical na maneira de olhar para a questão. Até a década de 1970, os pais não se preocupavam em estimular a autoestima das crianças. Temiam mimá-las. O movimento de Branden chegou ao auge em 1986, quando o então governador da Califórnia, George Deukmejian, criou um grupo de estudos de autoestima. Os pesquisadores deveriam descobrir como escolas e famílias poderiam estimulá-la.

Os pais reuniram esses dois elementos – o desejo de ver o filho se dar bem na vida e a ideia de que é preciso estimular a autoestima – e fizeram uma tremenda confusão. Na ânsia de criar adultos competentes e livres de traumas, passaram a evitar ao máximo criticá-los. O elogio virou obrigação. Para fazer com que as crianças se sintam bem com elas mesmas, muitos pais elogiam seus filhos até quando não é necessário. O resultado é que eles começam a acreditar que são bons em tudo e criam uma imagem triunfante e distorcida de si mesmos. Como distinguir o elogio bom do ruim? O exemplo mais comum de elogio errado, dizem os psicólogos, é aquele que premia tarefas banais. Se a criança sabe amarrar o tênis, não é necessário parabenizá-la por isso todo dia. Se o adolescente sabe que é sua obrigação diária ajudar a tirar a mesa, diga apenas “obrigado”. Não é preciso exaltar sua habilidade em dobrar a toalha. Os elogios mais inadequados são feitos quando não há nada a elogiar. Se o time de futebol do filho perde de goleada – e o desempenho dele ajudou na derrota –, não adianta dizer: “Você jogou bem, o que atrapalhou foi o gramado ruim”. Isso não é elogio. É mentira.

Para piorar, um grupo de psicólogos afirma agora que a premissa fundamental do movimento da autoestima estava errada. “Há poucas e fracas evidências científicas que mostram que alta autoestima leva ao sucesso escolar ou profissional”, diz Roy Baumeister, professor de psicologia da Universidade da Flórida. Ele é responsável pela mais extensa e detalhada revisão dos estudos feitos sobre o tema desde a década de 1970. Descobriu que a autoestima alta é provocada pelo sucesso – não é causa dele. Primeiro vêm a nota boa e a promoção no trabalho, depois a sensação de se sentir bem – não o contrário. “Na verdade, a autoestima elevada pode ser contraproducente. Ela produz indivíduos que exageram seus feitos e realizações”. Outra de suas conclusões é que o elogio mal aplicado pode ser negativo. “Quando os elogios aos estudantes são gratuitos, tiram o estímulo para que os alunos trabalhem duro”, afirma.

Com uma visão distorcida de suas qualidades, com dificuldade para lidar com as críticas e aprender com seus erros, muito jovens narcisistas não conseguem se acertar em nenhuma carreira. Outros vão parar na terapia. Esses jovens acham que podem muito. Quando chegam à vida adulta, descobrem que simplesmente não dão conta da própria vida. Ou sentem uma insatisfação constante por achar que não há mais nada a conquistar. Eles são estatisticamente mais propensos a desenvolver depressão.

Em terapia desde os 15 anos, Priscila Pazzetto tem hoje 25 e não hesita em dizer que foi e ainda é mimada. “Uma vez pedi para minha mãe me pôr de castigo, porque não sabia como era”, afirma. Os pais se referem a ela como “nossa taça de champanhe”, a caçula de três irmãos que veio brindar a felicidade da família num momento em que seu pai lutava contra um câncer. “Nasci no Ano-Novo. Quando assistia às chuvas de fogos na TV, meus pais diziam que aquilo tudo era para mim, para comemorar meu aniversário”, diz Priscila. Quando cresceu, nada disso a ajudou a terminar o que começava. Tentou inglês, teatro, tênis, karatê, futebol, jiu-jítsu e natação. Interrompeu até o hipismo, pelo qual era apaixonada. Estudou em 7 colégios particulares de São Paulo e, com frequência, seu pai precisou interferir para que ela passasse de ano. Passou em 3 vestibulares, mas não concluiu nenhum curso superior. “Simplesmente não me sinto motivada a ir até o fim”, afirma. Ainda morando com os pais, Priscila acaba de fazer um curso técnico de maquiagem e diz que arrumou emprego na butique de uma amiga. Tenta recomeçar.

Esses modelos de criação domésticos são chamados pelos psicólogos de “estilo parental”. Não é uma atitude isolada ou outra. É o clima emocional criado na família graças ao conjunto de ações dos pais para disciplinar e educar os filhos. Eles começaram a ser estudados em 1966 pela psicóloga Diana Baumrind, pesquisadora da Universidade da Califórnia em Berkeley. De acordo com sua observação, ela dividiu os pais em 3 tipos: autoritários, permissivos e competentes. O melhor modelo detectado por psicólogos, claro, são os pais competentes. Eles são exigentes – sabem exercer o papel de pai ao impor limites e regras que os filhos devem respeitar –, mas, ao mesmo tempo, são flexíveis para escutar as demandas das crianças e ceder, se julgarem necessário. A criança pode questionar por que não pode brincar antes de fazer o dever de casa, e eles podem topar que ela faça como queira, contanto que o dever seja feito em algum momento. Mas jamais admitirão que a criança não cumpra com sua obrigação. Ao dar limites, podem ajudar o filho a aprender a escolher e a administrar seu tempo. Os filhos de pais competentes costumam ser muito responsáveis, seguros e maduros.

Os piores resultados vêm da criação de pais negligentes. Eles não são exigentes, não impõem limites e nem estão abertos a ouvir as demandas dos filhos. Segundo pesquisas brasileiras – com amostras pequenas, que não devem ser tomadas como definitivas –, esse é o estilo parental que predomina no país nos últimos anos. Quando se fala em estilo negligente de criação, isso não quer dizer que a criança está abandonada e não receba o suficiente para suprir suas necessidades materiais e de afeto. O problema é mais sutil. Com medo de parecer repressores, esses pais hesitam em impor limites. “É uma interpretação errônea dos modelos educacionais propostos a partir da década de 1970, de que a criança não deveria ser cerceada para que pudesse manifestar todo seu potencial”, diz Claudete Reichert, professora de psicologia da Universidade Luterana do Brasil. “Provavelmente, a culpa que os pais sentem por trabalhar fora leva a isso”.

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Reintegração de posse afetiva

Trecho de uma palestra do psicólogo paraibano Rossandro Klinjey, no qual ele conta uma história pessoal verídica e bastante didática sobre educação de filhos adolescentes.

Uma proposta de solução inteligente e criativa para a questão da maioridade penal

Artigo de opinião do professor Pirluigi Piazzi, que propõe uma solução bem inteligente para superar a polarização dos “contra” e “a favor” da redução da maioridade penal.


Assassinatos bárbaros com requintes de crueldade e outros crimes hediondos cometidos por “quase maiores” estão revoltando a população brasileira, cuja indignação está sendo insuflada pela mídia sensacionalista. Reações indignadas dos defensores das “pobres criancinhas”, por outro lado, rebatem exageros com exageros. Do alto de minha vetusta idade, se não adquiri sabedoria, pelo menos consegui um pouco de experiência que me ensinou a desconfiar das polarizações. Das aulas de latim, ainda lembro da frase: Virtus in medium est (A virtude está no meio). Deve haver uma forma de conciliar opiniões tão conflitantes de forma a se chegar em um consenso.

Acho que a forma existe e quero propor aqui um esboço de solução. Afinal das contas nossos alunos estão se envolvendo nessa polêmica e, se de um lado isso pode aguçar o espírito crítico e a habilidade de argumentação, por outro lado pode também incentivar radicalismos nem um pouco benéficos ao desenvolvimento emocional deles. Para encontrar esse esboço de solução (esboço este que está longe de ser uma versão definitiva), tentei identificar o porquê de tanto radicalismo. A resposta é simples: discute-se apenas com base emocional, e não racional. Minha proposta é transformar o conflito em um problema matemático em vez de um embate emocional. Em vez de discutir se a maioridade penal deve ser reduzida para 16 ou 14 anos (ou aumentada para 21, como querem outros), vamos tentar encarar as coisas de forma diferente.

Há muitos anos fui a um teatro assistir uma peça do Jô Soares e um dos trechos me chamou a atenção. Descrevia a perplexidade de alguém olhando a data de validade de um produto qualquer, por exemplo, uma lata de atum. De forma extremamente divertida, o personagem se perguntava: O que acontece dentro desta lata exatamente à meia-noite da data fatídica? Que brusca e fantástica mutação ocorrerá ao conteúdo dessa embalagem quando soarem as doze badaladas? E se eu comprar em um país, pegar um avião e à meia-noite já estiver em outro, com fuso horário diferente, a súbita transformação ocorrerá em qual das meia-noites?

Vendo e ouvindo todas as discussões e os comentários do tipo “daqui a três dias ele seria imputável, mas agora vai sair da delegacia sorrindo, valendo-se de uma lei estúpida”, percebi que a estupidez não está na lei, mas na forma com que ela determina a data de validade da adolescência. Até 17 anos, 11 meses e 30 dias, o sujeito tem um cérebro de adolescente, ainda não amadurecido o suficiente para perceber a gravidade do crime cometido. Exatamente à meia-noite, o cérebro sofre uma abrupta transformação e o sujeito torna-se um cidadão plenamente consciente e responsável por seus atos. Pode haver suposição mais estúpida?

Por que tanta estupidez? Um dos motivos é que a maioria de nossos juristas e legisladores é constituída por pessoas que enveredaram por essas carreiras para fugir do terror do ciclo médio: a matemática. Não têm, portanto, a capacidade intelectual de perceber a enorme vantagem de uma função contínua em relação a essa loucura de verdadeiros saltos quânticos que as leis promovem. Vamos então pegar uma função contínua: a sigmoide. Para quem não lembra, a derivada da sigmoide é justamente a curva de Gauss, tão usada em cálculo de probabilidade. Usando um pouco de fuzzy logic poderíamos construir um gráfico como o da figura:

SIGMOIDE

Segundo um gráfico desse tipo, uma criança de 14 anos seria 0% imputável, ou seja, totalmente inimputável. Já alguém de 15 anos teria uma imputabilidade de 5%, ou seja, ficaria detido em uma instituição ressocializadora por 5% do tempo correspondente à pena que um adulto cumpriria ao cometer o mesmo crime. Nesse gráfico, a sigmoide tem seu máximo de velocidade de mudança aos 16 anos, idade que coincide com o máximo de mudanças neurais no cérebro. Com 16 anos, o indivíduo pode votar e até pilotar um avião. Nesse caso, ao cometer um crime, teria que cumprir metade da pena que um adulto cumpriria. Aos 17, cumpriria 95% da pena e, aos 18, cumpriria a pena completa.

Essa pena proporcional seria cumprida sempre em uma instituição especial “para menores” até que o apenado completasse 21 anos. Só depois ele cumpriria pena em uma cadeia comum. Trata-se obviamente de um esboço, longe de ser uma solução. Tenho certeza, porém, que a solução estaria não tanto nos valores a serem atribuídos ou na função matemática a ser aplicada, mas no conceito de função contínua, ou seja, no fato de se tornar a responsabilidade penal algo gradual e não em algo determinado por absurdos saltos quânticos.

Para bom bebedor, meia garrafa basta

Crônica de Fernando Sabino.

A primeira vez que provei bebida alcoólica foi aos 11 anos. Estávamos acantonados nos galpões vazios da antiga Feira de Amostras, ali onde é hoje o Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. Havia latas de doce vazias, invólucros sem conteúdo, rótulos sem produto, restos da última exposição: nada que satisfizesse nossa gula. Em companhia de outro pivete (que acabaria regenerado tornando-se hoje um competente cirurgião), arrombei a janela de um galpão que supúnhamos cheio de comedorias, para acabarmos apanhados em pleno malfeito pelo vigia do lugar (o que nos valeu um esculacho pouco digno da nossa condição de escoteiros). Até que alguém mais esperto descobriu num desvão da antiga feira um depósito de garrafas cheias. Mas cheias de que? Só vim a saber quando vi os mais velhos fazendo correr uma garrafa de mão em mão, bebendo pequenos goles furtivos entre risinhos de malícia. Fui buscar meu caneco e pedi que me dessem um pouco. Tanto insisti que acabaram se enchendo, e encheram o caneco para se verem livres de mim. Eu imaginava que aquilo tivesse o gosto delicioso de alguma soda limonada, groselha ou guaraná. E virei tudo de uma vez só. Era cachaça pura! Só não morri ali mesmo porque quis Deus me experimentar ao longo da vida, propiciando-me generosamente outras espécies de bebida. Mas passei a noite delirando, depois de haver vomitado a própria alma até o rabo. Hoje sinto náuseas ao mais leve cheiro de cachaça.

Aos 15 anos tomei o primeiro grande pileque da minha vida. De gim, que até hoje me lembra a loucura e tem gosto de consequências fatais. Na manhã seguinte fui curar minha ressaca enfrentando a ressaca ainda mais poderosa do mar. Se não morri de beber na véspera, poderia ter morrido afogado. Mas eu era jovem, e como todo jovem, imortal. Até que chegou o momento, com alguns chopes de permeio, de finalmente me iniciar no uísque, a que permaneci fiel. Era um baile no Automóvel Clube, em Belo Horizonte, e o uísque da moda era o Old Parr. Tomado com guaraná! Entrei no uísque como se fosse refrigerante, e entrei bem. Meu irmão me encontrou em coma alcoólico debaixo do chuveiro aberto, ainda vestido no elegante dinner-jacket da minha primeira festa a rigor — rigorosamente ensopado e vomitado. Com tantos fracassos sucessivos, não sei como não caí na mais intransigente das abstinências. É que em pouco surgia a hora da verdade, no grupo de quatro amigos já composto para a vida inteira. Encharcados de chope e literatura, enchíamos de desvario a silenciosa noite de Minas, convertendo a bebida em indispensável combustível de nossa rebeldia. Rebeldia contra que? Contra tudo. Tínhamos de beber para justificar a embriaguez da mocidade em que vivíamos.

Deixemos, pois, que falem os entendidos — no caso, os mestres Luís Lobo e Leopoldo Adour da Câmara. Assim se expressam eles no seu admirável receituário “A Arte do Rabo de Galo”, um “breve discurso em torno de copos e garrafas”: “Não há motivo para criticar a bebida em razão dos que se embriagam. Como ninguém critica a comida simplesmente porque há gente capaz de comer até morrer de indigestão”. Falou, ou melhor, falaram — e está falado: como a comida, assim a bebida, em quantidade razoável, é perfeitamente inofensiva, tendo o efeito de estimular o apetite, ajudar a digestão, relaxar os nervos e tornar a vida mais agradável. Mas, aqui entre nós, onde ficam os limites do razoável? Não será, certamente, na primeira dose. Esta apenas prepara o caminho para a segunda. E a segunda dose… Já dizia o prefeito de Rochester a Henrique Savile (dois indivíduos de quem eu nunca ouvira falar, mas competentes, desde que citados pelos autores acima mencionados): “Oh, aquela segunda dose; é o mais sincero, o mais sábio, o mais imparcial amigo nosso; diz a verdade sobre nós mesmos e força-nos a dizer a verdade sobre os outros. Barra a lisonja das nossas bocas e a desconfiança dos nossos corações; coloca-nos acima dos eufemismos, da política dos preconceitos de cortesia, os quais nos fazem mentir de dia com receio de sermos traídos à noite”.

A partir da terceira dose as coisas se complicam um pouco. Se a humanidade está atrasada em três uísques, como dizia Humphrey Bogart, ao recuperar o atraso a gente se vê de súbito, copo vazio na mão, ante o dilema de tomar mais um ou se dar por satisfeito. E é aí que intervém a já referida sabedoria da dupla Lobo e da Câmara, afirmando: “Um bom conselho em relação à quantidade é parar de beber quando sentir que dá para beber mais um, porque dois será demais. Este um provavelmente também o será”. Por isso é que um velho amigo meu, conhecido pelo hábito de sempre tomar mais um, afirmava outro dia num bar que, de sua parte, jamais passava de três uísques. Ante o protesto geral, insistiu, com a mais cínica das convicções: “Eu só tomo três; depois do terceiro me transformo noutro sujeito, e este sim, bebe como gente grande”. Fiquemos, pois, no terceiro. Ainda que a contagem varie de bebedor para bebedor, podendo começar a partir do terceiro, ou mesmo ser regressiva, como no lançamento de foguetes.

Por falar em foguetes: e a ressaca? Entendidos de lado, falo de experiência própria: não há cura mais eficiente do que evitá-la. Mas eis que um cientista sueco, que por sinal ganhou o Prêmio Nobel, descobriu recentemente uma substância capaz de neutralizar a toxidez do álcool, impedindo sua metabolização no organismo, sem inibir seus agradáveis efeitos no cérebro. Esta descoberta terá, em relação à bebida, o mesmo impacto que a pílula teve em relação ao sexo: agora é que eu quero ver o que será da humanidade, bebendo sem parar, e se sentindo fisicamente cada vez melhor. Por enquanto, dentre as causas da ressaca, talvez a mais comum seja a bebida de má qualidade. É incrível como tantos que se dizem bons bebedores são capazes de aceitar como bebida legítima as mais grosseiras falsificações. No entanto, um mínimo de atenção e cuidado ao beber seria o suficiente para denunciá-las. O bom uísque, por exemplo, não morde a gente: cai bem, sem causar estranheza, sem chamar atenção sobre a língua, redondo dentro da boca, sem arestas, sem azinhavre nas bordas, sem largar ferrugem ao longo da garganta, sem deixar gosto de lápis no esôfago, sem levantar poeira no estômago. O bom uísque, enfim, é aquele sobre o qual não resta a menor dúvida.

Enquanto escrevo, entre um gole e outro de uísque, penso se serei capaz de me revestir da seriedade que o assunto exige. A sabedoria, que faz de beber uma arte, talvez repouse nos mesmos princípios de proporção, equilíbrio e harmonia que regem as outras artes. E que estabelecem o primado da qualidade sobre a quantidade. Beba bem e viva melhor — seria o slogan que eu proporia a uma campanha publicitária de apologia da bebida. A essa altura, já ouço o leitor abstêmio comentar, indignado: “Apologia da bebida. Esse cretino ousa sugerir publicidade para um dos mais terríveis males que afligem a humanidade”. Ouso sugerir que a humanidade é afligida não pelo álcool, mas pelo alcoolismo. A arte de bem beber se contrapõe justamente ao vício de beber mal. O álcool em si não é bom nem mau, e existe desde que o homem é homem. Todas as civilizações conhecidas produziram alguma espécie de bebida alcoólica.

O mal não está no que entra no homem, mas no que dele sai, como afirmou Jesus Cristo. Ele próprio não consagrou a água, o leite ou a coca-cola: consagrou o pão e o vinho, como alimentos do corpo e do espírito. É preciso respeitar a bebida — não saber beber é que constitui um dos mais terríveis males que afligem a humanidade. Esta é uma lição que todos deveriam saber de cor antes de beber e não na manhã seguinte, como geralmente acontece. Ao fim de minhas digressões, vejo que não cheguei a sair do princípio, ou seja, sinto que mal cheguei a entrar no assunto. Agora é tarde: só me resta tomar mais uma e dar por atingido o meu propósito (ou despropósito) de enaltecer a bebida como fator de bom entendimento entre os homens. Ou, pelo menos, do homem consigo mesmo.

Cálculos cerebrais – Rubem Alves

Minha neta parecia absorta, lendo seu caderno de biologia. Dezesseis anos, idade tão bonita, o mundo inteiro a ser compreendido… Especialmente em se tratando de biologia. Haverá coisa mais fascinante que a vida? Toda mocinha de 16 anos quer compreender a vida, pois a vida está borbulhando dentro dela! Olhei para o caderno: ilustrações coloridas, tudo tão organizado! Tive inveja. Na idade dela eu também estudava biologia, mas os cadernos eram diferentes. O professor ditava a matéria, fazia desenhos na lousa, a gente copiava. Na prova, a gente tinha de repetir o que o professor havia falado, ou seja, o que a gente tinha escrito no caderno. Mas esses tempos tenebrosos já passaram. Hoje, os processos de avaliação são outros.

Mas não havia entusiasmo no seu rosto. Nem nada que se parecesse com curiosidade. Era mais uma expressão de tédio. Sei o que é isso. Há textos que reduzem o leitor a uma panqueca que se arrasta pelo chão. Arrasta-se porque tem de ler, mas não quer ler. É por causa desses textos que Barthes disse que a preguiça é parte essencial da experiência escolar. Perguntei o que ela estava lendo. Ela me mostrou um parágrafo com o dedo. Era isso que estava escrito: “Além da catálase, existem nos peroxíssomos enzimas que participam da degradação de outras substâncias tóxicas, como o etanol e certos radicais livres. Células vegetais possuem glioxissomos, peroxissomos especializados e relacionados com a conversão das reservas de lipídios em carbohidratos. O citosol (ou hialoplasma) é um colóide… No ciosol das células eucarióticas existe um citoesqueleto constituído fundamentalmente por microfilamentos e microtúbulos, responsável pela ancoragem de organóides… Os microtúbulos têm paredes formadas por moléculas de tubulina…”. Encontrei ainda palavras que nunca lera: “retículo sarcoplasmático, complexo de Golgi, pinocitose, fagossomo, fragmoplasto, o padrão do axonema é constituído por 9+2, uma referência aos nove pares de microtúbulos em torno de um par central”. Parece-me que essa afirmação tem a ver com o rabo do espermatozóide, mas, naquele momento, meus pensamentos estavam tão confusos que não posso garantir.

Fiquei curioso acerca da cabeça da pessoa que escreveu isso. Teria de ser um biólogo, cientista, pessoa competente na sua ciência. Se assim não fosse, a editora que imprimiu e vendeu o referido caderno não o contrataria como autor do texto. Todas as informações que ali se encontram são, assim, cientificamente corretas. Mas todo texto é escrito pensando-se numa pessoa que vai lê-lo. Nesse caso específico, essa pessoa será um estudante que terá de aprender as informações que o texto contém. Trata-se, portanto, de conhecimentos essenciais. Se o estudante não aprender, sofrerá a punição devida. Não saberá colocar o “x” no lugar certo. Não colocando o “x” no lugar certo, terá uma nota má. Tirando uma nota má, poderá ser reprovado na escola ou no vestibular. Os conhecimentos do texto, assim, têm um caráter obrigatório. O jovem não pode refugar.

O autor do texto, cientista e pedagogo (pedagogo, sim, porque o seu texto dirige-se a um aluno), tem de ser inteligente. Deve pensar no sentido do texto para o estudante. Pelo menos, é assim que acontece comigo. Não me parece que o referido texto seja uma entidade da caixa de brinquedos. Ao lê-lo, não consegui encontrar nem beleza nem humor. Deve, portanto, ser uma entidade da caixa de ferramentas: um conhecimento que vale pelo seu uso prático. Aí, fiquei atrapalhado: por mais que me esforçasse, não consegui imaginar nada de prático que eu pudesse fazer com aquele parágrafo e muito menos a minha neta. Alfred North Whitehead criou a expressão “idéias inertes”. Idéia inerte é uma idéia que, além de não servir para coisa alguma, pesa e produz dor. Dificulta os saltos do pensamento, que é obrigado a se arrastar. Percebi, então, que além da caixa de ferramentas e da caixa de brinquedos de que lanço mão frequentemente, é preciso criar uma “caixa de torturas”. A vesícula, vez por outra, desenvolve cálculos, pedras dolorosas que ela tem de carregar até que uma cirurgia as extraia. Idéias inertes são cálculos que se desenvolvem no cérebro. Doem e não servem para coisa alguma.

Compreendi então o rosto da minha neta. Não era tédio. Era dor. Seus cálculos cerebrais doíam. E doíam mais por não servirem para nada. Senti então uma indignação crescendo dentro de mim, indignação maior que aquela causada pelas corrupções políticas. Porque as corrupções políticas têm a ver só com dinheiro e homens adultos. Mas coisas como aquele texto que minha neta tem de aprender têm a ver com as crianças e os adolescentes. Fico a pensar nos cálculos cerebrais que irão carregar pelo resto da vida e que fazem o pensamento doer. Fiquei com dó dela. Biologia é tão bonito… O absurdo é tão óbvio. E parece que ninguém se dá conta. É preciso que se faça algo para proteger a inteligência dos jovens.

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