Sintaxe à vontade – O Teatro Mágico

Poema de Fernando Anitelli, idealizador d’O Teatro Mágico.

Sem horas e sem dores
Respeitável público pagão
Bem-vindos ao teatro magico!

Todo sujeito é livre para conjugar o verbo que quiser
Todo verbo é livre para ser direto ou indireto
Nenhum predicado será prejudicado
Nem tampouco a frase, nem a crase, nem a vírgula e ponto final
Afinal, a má gramática da vida nos põe entre pausas, entre vírgulas
E estar entre vírgulas pode ser aposto
E eu aposto o oposto que vou cativar a todos
Sendo apenas um sujeito simples
Um sujeito e sua oração
Sua pressa, sua verdade, sua fé
Que a regência da paz sirva a todos nós
Cegos ou não, que enxerguemos o fato
De termos acessórios para nossa oração
Separados ou adjuntos, nominais ou não
Façamos parte do contexto da crônica
E de todas as capas de edição especial
Sejamos também o anúncio da contra-capa
Pois ser a capa e ser contra a capa é a beleza da contradição
É negar a si mesmo
E negar a si mesmo é muitas vezes encontrar-se com Deus
Com o teu Deus

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