A pré-história do futebol

Às vésperas da Copa, a revista Placar traz essa reportagem sobre as modalidades ancestrais do esporte mais popular do mundo, da China antiga à Inglaterra do século 19.

futebol_origens

2500 a.C., China – Tsu-chu

Foi desenvolvido por Yang-Tsé, um dos guardas do imperador Huang-ti e era disputado por soldados. A bola era o crânio de um inimigo derrotado. Sem deixá-lo cair no chão, os jogadores tinham de passá-lo entre duas balizas (ou traves). O tsu-chu chegou à Coreia, Japão e Vietnã. Na Dinastia Tang (618-907), os postes ganharam uma rede.


900 a.C., México – Pok ta pok

Entre os Maias da Península de Yucatan, no atual território do México, o jogo era questão de vida ou morte. O líder da equipe derrotada era oferecido em sacrifício aos deuses. Simbolizando o sol e feita de borracha, a bola era jogada, com os pés ou as mãos, em um buraco circular no meio de placas de pedra.


800 a.C., Grécia – Episkyros

O esporte foi citado pelo poeta Homero no livro Sphairomachia. Era disputado em um campo que podia receber até 17 jogadores de cada lado. O objetivo era cruzar a meta adversária com a bola, feita de bexiga de vaca, areia e ar. Não foi tão popular quanto o arremesso de disco ou a corrida, mas teve praticantes.


146 a.C., Império Romano – Harpastum

Quando os romanos invadiram a Grécia, adaptaram o episkyros a um exercício militar. A partida podia durar várias horas. O imperador Júlio César era um entusiasta da atividade, pois gostava de ver seus soldados treinando força e habilidade ao mesmo tempo. Os romanos levaram o esporte à Europa, Ásia Menor e norte da África.


58 a.C., França – Soule

Por influência dos romanos, os gauleses criaram um jogo parecido com o harpastum. As regras, que não eram muitas, variavam em cada região. Às vezes a prática desse esporte descambava para a violência. Até que, já na Idade Média, o rei Henrique II o baniu. Quem insistisse em sua prática era condenado à prisão.


644, Japão – Kemari

Era disputado por seis ou oito jogadores e tinha um caráter cerimonial, sem que fosse apontado um vencedor. Antes do jogo, os atletas abençoavam a bola em um templo. Um ancião, o Edayaku, rezava por prosperidade. Os jogadores formavam uma roda e passavam a bola um para o outro, sem deixá-la cair no chão e apenas com o pé direito.


1580, Itália – Calcio Fiorentino

O nome “cálcio”, como os italianos chamam o esporte, surgiu em Florença, com esta versão. As regras teriam sido estabelecidas pelo músico e escritor local Giovanni Bardi. Ele instituiu a necessidade de usar 10 juízes, por causa da longa extensão do campo. A bola, levada com as mãos ou os pés, era introduzida em uma barraca armada no fundo de cada campo. Da Toscana, o “cálcio”espalhou-se por todo o país.


1175, Grã-Bretanha – Schrovetide Football

Desse ano vem o primeiro registro de um esporte parecido com o futebol entre os bretões, provavelmente uma adaptação das versões romana (harpastum) e francesa (soule). Ele era jogado durante a Schrovetide, que coincide com o nosso carnaval, festa na qual os ingleses comemoram a expulsão dos dinamarqueses. Para tanto, eles saíam à rua chutando uma bola de couro, que simbolizava a cabeça do invasor. Muitas pessoas participavam ao mesmo tempo, sem obedecer nenhuma regra. O resultado era violência descabida, com alguns praticantes cheios de fraturas, sem alguns dentes e até mortos.


1710, Londres – Football

Após estabelecer algumas regras, que variavam conforme a instituição, as escolas londrinas de Covent Garden, Strand e Fleet Street adotaram o futebol como atividade física. Em uma delas, só o uso dos pés era permitido.


1863, Inglaterra – Football

A Football Association unificou as regras do esporte, determinando, por exemplo, o número de participantes e o tamanho do campo tal como se pratica até hoje. Com a expansão do Império Britânico, estudantes, missionários, marinheiros e colonos divulgaram a “invenção inglesa” e suas 17 regras pelo mundo.

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