Parabéns pra você: a origem da música

birthdayHoje é meu aniversário. Estou completando 25 anos. Assim como eu, no dia de hoje, apenas no Brasil, estima-se que outras 400 mil pessoas estão aniversariando. É bem provável que todas essas celebrações tenham uma única coisa em comum: a música “Parabéns a Você”. Ela é, com certeza e com folga, a melodia mais conhecida e mais cantada no país em todos os tempos, e dificilmente algum dia terá uma concorrente à altura. O que quase ninguém sabe é que sua história começa nos Estados Unidos, em 1875. Duas professoras primárias da cidade de Louisville, no Estado de Kentucky, as irmãs Mildred e Patricia Smith Hill, resolveram compor uma quadrinha para seus alunos cantarem quando chegassem à escola, pela manhã. O resultado foi Good Morning To All (“Bom dia para todos”), uma simples e despretensiosa melodia em que o título era também a letra inteira, repetida 4 vezes em tons diferentes.

Meio século mais tarde, em 1924, uma editora musical americana lançou um livro de partituras, o Celebration Songs. Como na época não havia uma música própria para ser tocada em aniversários, a editora “emprestou” a melodia das irmãs Smith Hill e rebatizou-a como Happy Birthday To You (“Feliz aniversário para você”). De novo, quase nada aconteceu. Mas, 9 anos depois, em 1933, a canção foi usada como tema de uma peça teatral na Broadway, em Nova York, não por acaso intitulada Happy Birthday To You. A letra original tinha apenas uma frase (happy birthday to you), repetida 4 vezes – sendo que, na terceira linha, o to you era substituído por um dear (querido) e acrescido do nome do aniversariante.

A música se espalhou pelo mundo e chegou ao Brasil no final da década de 1930. Aqui era cantada nas festinhas das famílias ricas, em inglês mesmo. Só que tinha alguém que não estava achando graça nenhuma naquela invasão musical alienígena. Era o cantor Almirante, pseudônimo de Henrique Foréis Domingues, que também apresentava, na Rádio Tupi do Rio de Janeiro, um programa de grande audiência sobre música brasileira. Nacionalista fervoroso, Almirante se sentia incomodado com aquela coisa de brasileiro ficar enrolando a língua e, em 1942, decidiu promover um concurso para escolher uma letra “mais nossa” para a melodia americana.

Uma das 5 mil cartas que chegaram à Rádio Tupi veio da cidade paulista de Pindamonhangaba, no Vale do Paraíba. Foi escrita em apenas 5 minutos por Bertha Celeste Homem de Mello, filha única de um casal de fazendeiros, formada em farmácia, casada e mãe de uma filha. O júri encarregado da escolha era composto por membros da Academia Brasileira de Letras: Olegário Mariano, Cassiano Ricardo e Múcio Leão, e os 3 se encantaram com o versinho de Bertha porque era um dos poucos que tinha 4 linhas diferentes (a maioria preferiu repetir a mesma frase 4 vezes). Bertha tinha 40 anos quando escreveu “Parabéns a Você”. Depois de se tornar conhecida em todo o Brasil, doutorou-se em Letras e dedicou-se à poesia (a coletânea de sua obra está no livro Devaneios). Aos 54 anos, mudou-se para a cidade vizinha de Jacareí-SP, onde lecionou por mais 10 anos e onde viria a falecer em agosto de 1999, aos 97 anos, de pneumonia.

Além de passar boa parte da vida contando a história de seu famoso verso, Bertha insistia para que as pessoas o cantassem direito. Quem canta – como muita gente faz – “Parabéns pra você, nessa data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida”, está cometendo 3 erros (gravíssimos, na opinião de Bertha): na primeira linha, o certo é “parabéns a você” e não “pra você”. Na segunda, o correto é “nesta”, e não “nessa”. E, na terceira, “muita felicidade” é no singular e não no plural. Ah, e aquela coisa de “é pique, é pique, é pique, é hora, é hora, é hora” que muita gente canta no final da canção não tem nada a ver nem com a melodia original, nem com dona Bertha. Poetisa de respeito, ela jamais escreveria uma barbaridade dessas.

Com informações de: Superinteressante.

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