Na Justiça, tardar é falhar

“Quando os crimes não são castigados logo, o coração do homem se enche de planos para fazer o mal.” (Eclesiastes 8:11)

Todo psicólogo ou adestrador de cães sabe que a punição deve ser aplicada imediatamente após o comportamento indesejado. Somente assim é possível criar uma condicionante capaz de corrigir aquela “traquinagem” do seu pet, que tanto incomoda você e as visitas. Até certo ponto, o mesmo vale também para os humanos: enquanto o tempo passa, a possibilidade de fazer justiça escorre por entre os dedos como a areia de uma ampulheta. Esse senso de urgência na aplicação da justiça está solenemente registrado nas palavras de Jesus, enquanto proferia o seu famoso Sermão da Montanha – o qual muitos teólogos convencionaram chamar de “A Ética do Reino”, referindo-se ao reino de Deus. Ele diz: “Entre em acordo DEPRESSA com seu adversário que pretende levá-lo ao tribunal. Faça isso enquanto ainda estiver com ele a caminho […]” (Mateus 5:25). Todavia, esse parece ser um reino muito distante da nossa realidade, quase inalcançável. No “reino” em que vivemos, que atende pelo nome de República Federativa do Brasil, a ética é diferente. Por aqui, alguns crimes levam anos para serem julgados; e o acusado muitas vezes aguarda o julgamento em liberdade. Onde está a pressa, a “sede de Justiça”? É, meus caros… Enquanto o reino daqui não tiver humildade suficiente para aprender com um simples treinador de cachorros e não tiver a ousadia de se espelhar no (utópico?) reino de Deus, as coisas vão continuar lentas, a Justiça vai continuar a tardar e, invariavelmente, falhar.


“A justiça atrasada não é justiça; senão injustiça qualificada e manifesta. Justiça tardia nada mais é do que injustiça institucionalizada.” (Rui Barbosa)

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