Insetos interiores – O Teatro Mágico

Poesia de Fernando Anitelli, idealizador d’O Teatro Mágico.

A futilidade encarrega-se de maestrá-los. São inóspitos. Nocivos. Poluentes. Abusam da própria miséria intelectual, das mazelas vizinhas, do câncer e da raiva alheia. “O veneno se refugia no espelho do armário” – lembrou um deles. “O ninho deve estar infectado!” – lembrou outro. Antes do sono, o beijo de boa noite. Antes da insônia, a benção. Arriscam a partilha do tecido que nunca se dissipa: a família. São soníferos… Chagas sem curas. Não reproduzem. São inférteis, infiéis, “infertebrados”. Arrancam as cabeças de suas fêmeas. Cortam os troncos. Urinam nos rios. E na soma dos desagravos, greves e desapegos, esquecem-se de si. Pontuam-se. A cria que se crie! A dona que se dane! Os insetos interiores proliferam-se assim… Na morte e na merda. Seus sintomas? Um calor gélido e ansiado na boca do estomago. Uma sensação de… O que é mesmo que se passa? Um certo estado de humilhação conformado parece bem vindo e quisto. É mais fácil aturar a tristeza generalizada que romper com as correntes de preguiça e mal dizer. Silenciam-se no holocausto da subserviência. O organismo não se anima mais. E assim, animais ou menos assim… Descompromissados com o próprio rumo, desprovidos de caráter e coragem, desatentos ao próprio tesouro… Caem. Desacordam todos os dias. Não mensuram suas perdas e imposturas! Não almejam. Não alma. Já não mais amor. Assim são os insetos interiores.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Deixe uma resposta:

%d blogueiros gostam disto: