História secreta da obsolescência programada

Baterias que “morrem” após alguns meses de uso, impressoras que param de funcionar ao chegar a um número determinado de impressões, lâmpadas que queimam depois de uma determinada quantidade de horas ligadas. Apesar dos avanços tecnológicos, os produtos de consumo duram cada vez menos. Por que será que isso acontece?

O documentário abaixo revela o segredo: obsolescência programada, o motor da economia moderna. O filme percorre a história dessa prática gananciosa, que consiste na redução deliberada da vida útil de um produto para incrementar as vendas e aquecer a economia, pois, como já publicava em 1928 uma influente revista de publicidade americana, “um artigo que não se desgasta é uma tragédia para os negócios”.

O documentário é resultado de três anos de investigação. Dirigido por Cosima Dannoritzer e co-produzido pelo canal 2 da TV espanhola, ele expõe provas documentais e denuncia as desastrosas consequências para o meio ambiente que derivam dessa prática. Também apresenta diversos exemplos do espírito de resistência que está a crescer entre os consumidores e recolhe a análise e a opinião de economistas, designers e intelectuais que propõem vias alternativas para salvar a economia e o meio ambiente.


Inventor espanhol é ameaçado de morte
por desenvolver lâmpada que não queima

Uma lâmpada fluorescente dura cerca de 10 mil horas. São mais de 416 dias (mais de um ano) de uso ininterrupto. Bastante tempo, certo? Imagine, no entanto, se existisse uma lâmpada que durasse 100 anos. Quer dizer, imagine não: essa lâmpada existe! Pelo menos é o que diz Benito Muros, um inventor espanhol que diz estar sendo ameaçado de morte por causa de sua criação. Muros é o presidente de um movimento chamando Sem Obsolescência Programada (SOP) e diz que, não só lâmpadas, mas muitos outros objetos de nosso dia a dia poderiam durar muito mais. Na verdade, existe uma teoria de que muitos fabricantes desenvolvem produtos de curta durabilidade para obrigar os consumidores a adquirir novos produtos de forma acelerada e sem uma necessidade real. Segundo ele, algumas peças essenciais para eletrodomésticos, por exemplo, são colocadas propositalmente próximas das partes que mais aquecem no objeto, diminuindo seu tempo de vida. Soma-se a isso o uso de materiais de menor qualidade.

Muros quer desenvolver um novo conceito empresarial, baseado no desenvolvimento de produtos mais duráveis. Quem não lembra daquela máquina de lavar da casa da avó que durou a vida inteira ou da geladeira que está na família há anos e nunca deu problema? “Deixaram de fabricar, porque duravam demais. Hoje, por exemplo, temos uma lâmpada que está acesa a 111 anos em um parque de bombeiros de Livermore, na Califórnia. Foi então que surgiu a ideia de criar, junto com outros engenheiros, uma linha de iluminação que dure toda a vida”, disse ele ao jornal espanhol El Economista. Além de terem mais tempo de vida, as lâmpadas, desenvolvidas em parceria com a empresa OEP Electrics, gastam 70% menos energia que as fluorescentes. Além disso, não queimam ao serem acesas e apagadas várias vezes seguidas. No entanto, Muros diz que a descoberta também gerou ameaças. O espanhol chegou a prestar queixa na polícia e apresentar, na delegacia, um recado anônimo que recebeu. Apesar disso, ele conta que não irá recuar e que vai continuar defendendo a SOP e lutando contra a obsolescência programada.

Fonte: Época Negócios.

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O perigo de um mundo descartável

Assista abaixo uma entrevista com Benito Muros:

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