O fim da escrita cursiva

Não é de hoje que educadores americanos discutem o fim do ensino da escrita cursiva — a nossa chamada “escrita à mão”, treinada exaustivamente nas idades mais tenras em aulas de caligrafia. Recentemente, o estado de Indiana resolveu aboli-la de vez, privilegiando as letras de forma e aulas de digitação. Não foi o primeiro: Carolina do Norte e Geórgia compartilham a mesma filosofia. De fato, num mundo cada vez mais conectado, escrever à mão tem se tornado um exercício raro. No trabalho, tudo é executado com o auxílio de computadores. Na comuncação pessoal, bilhetes e recados deram espaço a SMS, mensagens instantâneas e redes sociais. E o que dizer do e-mail? Prático e quase instantâneo, tornou-se o padrão da comunicação contemporânea.

Alguém aí ainda se lembra do que era escrever uma carta? Era um ritual: escolher com esmero os blocos de papéis de carta, comprados em papelarias dedicadas. Os envelopes sempre combinavam. Sentava-se à escrivaninha e dedicava-se horas ao ofício da escrita, caprichando na caligrafia. E depois ainda tinha o ritual de escolher selos e despachar tudo pessoalmente numa agência dos correios. E quando chegava uma carta, então? Que festa! Abria com cuidado o envelope pra não estragá-lo, pois tudo era cuidadosamente catalogado e guardado em caixas. Hoje, a correspondência eletrônica não é festa nenhuma. Abrimos nossa caixa de entrada e já ficamos rabugentos com o volume. Exatamente por ser prático e veloz, milhões de sem noção nos entopem de baboseiras e propaganda: o famoso spam. Penso que a educação de nossas crianças deve ser realista, pensando no mundo em que vivemos e no que elas encontrarão quando adultas. Perder tempo desenhando letras enquanto há tantas novas habilidades necessárias não parece ser algo útil ou produtivo.

Com informações de: Tecnoblog.


bild-300x410O popular tablóide alemão Bild, jornal de maior circulação na Europa, com mais de 3 milhões de cópias diárias, publicou no último dia 27 de junho uma capa especial, totalmente escrita à mão. A manchete de meia página dizia: “Atenção! A caligrafia está extinta!”. O objetivo seria denunciar que o hábito de escrever usando papel e caneta está morrendo por causa do crescente uso de tecnologias digitais. Um estudo divulgado pelo Bild observa que a maioria das pessoas hoje se comunica por escrito, quase que totalmente apenas através de SMS e e-mail, e que 79% dos lares da Alemanha têm um computador. “Um terço da população adulta não escreveu nada à mão, nos últimos 6 meses, de acordo com um estudo recente”, diz a matéria. O diretor da Clínica Psiquiátrica Universitária de Ulm, professor Manfred Spitzer, diz que a escrita à mão é essencial para promover a coordenação motora, as habilidades manuais e para a atividade do cérebro. Spitzer também está preocupado com as novas gerações de tablets e celulares inteligentes que irão oferecer a possibilidade de ditar ou emitir ordens oralmente, com isso não será mais preciso sequer usar o teclado.

Com informações de: Pavablog.

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