O fim da Enciclopédia Britânica

Depois de 244 anos de história, oferecendo informações a estudantes e decorando prateleiras ao redor do mundo, a tradicional Enciclopédia Britannica deixará de ser impressa. O anúncio foi feito no final da terça-feira (13) pela Encyclopædia Britannica Inc., editora responsável pela obra. De acordo com a companhia, a partir de agora seus 120 mil artigos estarão disponíveis apenas em “meios digitais”, como DVDs e planos de assinaturas online. Em nota oficial publicada no seu site, a empresa afirma:

“Por 244 anos, os grossos volumes da Enciclopédia Britânica têm estado nas prateleiras das casas, bibliotecas e empresas em toda parte. Eles sempre estiveram lá. Ano após ano. Desde 1768. Mas isto não seria para sempre. Hoje nós anunciamos que iremos descontinuar a edição de 32 volumes impressos da Enciclopédia Britânica. Um evento importante? De certa forma, sim. O conjunto tem, afinal, quase um quarto de um milênio. Mas, em um sentido mais amplo, este é apenas mais um marco histórico na evolução do conhecimento humano. A enciclopédia passa a viver em maior, mais numerosas e mais vibrantes formas digitais. Nós, os editores, estamos preparados, na era digital, para servir o conhecimento e a aprendizagem de novas maneiras que vão muito além de obras de referência. Na verdade, nós já o fazemos.”

Impressa desde 1768, a última versão da enciclopédia era composta por 32 volumes e podia ser comprada por módicos US$ 1, 4 mil (cerca de R$ 2,5 mil). Já seus planos mensais na internet têm valores que variam de US$ 1,99 a US$ 4,99, enquanto a assinatura anual custa US$ 70.

O melhor ano de vendas da enciclopédia foi 1990, quando 120 mil coleções foram vendidas, número que caiu para 40 mil unidades em 1996 e se manteve “em torno de 20 mil unidades” na última década. De acordo com a Britannica, ainda existe um lote de 4 mil enciclopédias a espera de compradores. “A edição impressa se tornou difícil de manter e não é o melhor meio para entregar a riqueza de nossa base de dados e garantir nossa qualidade editorial”, afirmou Jorge Cauz, presidente da Encyclopædia Britannica Inc., à rede de notícias Reuters.

Ainda que afirme que a decisão não tenha nada a ver com a concorrência de Wikipedia e Google, Cauz reconhece a maneira que as tecnologias digitais afetaram seu negócio. “A Britannica foi uma das primeiras empresas a realmente sentir o impacto da tecnologia, 20 anos atrás, e temos trabalhado para nos adaptar, ainda que às vezes isso seja muito difícil”, diz. O executivo também comenta que não vê a Wikipedia como uma concorrente. “Não temos como falar de todos os personagens de desenhos nem sobre a vida amorosa das celebridades. Mas em troca nos focamos no que importa, sem ser tão grande, mas sempre correta em relação aos fatos”, alfineta.

Com informações de: Tecnoblog.

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