Dicas de estudo #1 – A atitude correta

Charles-Andrade

Na semana passada o G1 publicou uma matéria contando como eu fiz o Enem apenas para testar meus conhecimentos, acabei passando em medicina na UFPB, um dos cursos mais concorridos do Brasil, mas não vou cursar porque quero ser professor de filosofia. Muitas pessoas acharam essa história inspiradora, especialmente porque, em dado momento da matéria, eu digo o seguinte:

“Alguns amigos e familiares dizem que eu passei em medicina sem estudar. Não é verdade. Eu estudei sim o conteúdo do Enem, só que isso faz uns 7 anos. A grande questão é que eu estudei do jeito certo, e não como a maioria das pessoas estudam. As pessoas costumam estudar para o vestibular, para o concurso, para a prova de amanhã… Passado o dia da prova, simplesmente “deletam” toda a informação, porque ela não foi sedimentada, ficou ali apenas provisoriamente, na memória de curto prazo. Esse é o problema de se estudar para a prova e não para a vida. Quando se estuda para a vida, do jeito certo, sem atalhos, sem ‘decoreba’, sem fórmulas mágicas, o aprendizado é para sempre e os bons resultados em provas são apenas uma agradável consequência.”

Veja também:

Aprovado em medicina fez prova só para testar conhecimentos (G1)

Aprovado em 7 vestibulares e 4 concursos dá dicas de estudo (G1)

medicina G1

Logo que essa matéria foi publicada pelo G1, perdi o controle do meu perfil no Facebook e não consegui acompanhá-lo mais. Foram literalmente centenas de chamadas no bate papo, centenas de solicitações de amizade, centenas de compartilhamentos, milhares de comentários e incontáveis curtidas. As pessoas começaram a me procurar principalmente porque queriam saber o que eu quis dizer com “estudar do jeito certo”, o que significa “estudar para a vida”, como é a minha rotina de estudos, quais dicas e macetes eu tenho para dar, enfim, como passar em concursos e vestibulares. Então eu resolvi começar aqui no blog uma série de postagens com dicas de estudo. Quando anunciei isso no Facebook, as pessoas demonstraram bastante interesse em acompanhar a série, e o G1 novamente me procurou dizendo que estavam interessados em publicar outra matéria. Eles me convidaram a gravar algumas dicas nos estúdios da TV Cabo Branco, afiliada da rede Globo na Paraíba. Ganhei muito mais visibilidade depois que fui parar na página inicial do G1 nacional.

dicas de estudo (G1)

No vídeo, dou algumas dicas que considero valiosas não apenas para vestibulandos e concurseiros, mas para qualquer pessoa honestamente interessada em melhorar seus rendimentos nos estudos e estimular a inteligência. São pequenas mudanças de hábitos que funcionaram muito bem comigo e que também podem funcionar com você:

Eu vejo esse pessoal nos cursinhos, quase sem vida social, passando horas e horas todos os dias trancado num quarto e com a cara nas apostilas, com a mente fechada no programa das disciplinas, preocupados apenas com aquilo que eles acham que pode “cair” na prova, decorando dezenas de fórmulas e achando que isso vai lhes garantir um bom desempenho no Enem. Na minha opinião, é muito improvável que isso aconteça; e o motivo é bem simples. O Enem, diferentemente dos antigos vestibulares, não mede conhecimento acumulado, mede competências. Ou seja, ele avalia se o estudante é capaz de interpretar textos, ler gráficos, resolver problemas de raciocínio lógico, se tem pensamento crítico, esse tipo de coisa. Mais do que possuir conhecimento, é importante saber o que fazer com ele.

Portanto, a minha dica é: Não estude somente o que você acha que pode cair na prova; não fique com a mente fechada, preocupado em estudar só aquilo que está previsto no programa do Enem. Seja uma pessoa curiosa. Queira saber um pouco sobre tudo. Estude também aquilo que você acha que não tem a menor chance de cair na prova, mas que você gosta de estudar, que você tem um interesse pessoal; aquele assunto aparentemente inútil, mas que você estuda apenas pelo prazer do conhecimento. Além disso, seja uma pessoa antenada. Não fique tanto tempo trancado no seu quarto. Tire um pouco a cara das apostilas do cursinho. Leia bons livros, especialmente os clássicos. Leia jornais e revistas, assista aos telejornais, saiba o que acontece no mundo. Viaje para lugares diferentes, faça coisas diferentes, fuja da rotina, aprenda coisas novas todo dia, exercite o seu cérebro com novos desafios e, sempre que possível, não use calculadora. Tenho certeza que, vivendo assim, você estará muito mais preparado para o Enem e para a vida do que passando o dia todo do quarto pro cursinho, do cursinho pro quarto.

Em outras palavras, o que eu quis dizer nesse vídeo é que você deve estudar não para passar no vestibular ou num concurso: você deve estudar para aprender; e a consequência agradável de estudar para aprender é passar nessas provas. Quando o sujeito estuda para passar em um exame, ele geralmente não passa. Mas quando ele estuda para aprender, passar é consequência. Portanto, todo aluno que, durante uma aula, pergunta ao professor se determinado assunto “vai cair”, dificilmente vai passar, porque ele está interessado em passar no exame e não em aprender.

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REPERCUSSÃO NA IMPRENSA:

Aprovado em medicina fez prova só para testar conhecimentos (G1)

Aprovado em 7 vestibulares e 4 concursos dá dicas de estudo (G1)

Je suis Charles (Jornal A Tarde, de Salvador-BA)

Estudante conta como conseguiu passar em sete vestibulares
e quatro concursos públicos
 (Portal Stoodi)

Aprovado em Medicina no Sisu dá dicas de estudo (Blog do Enem)

Aprovado em medicina na UFPB fez prova só para
testar conhecimentos
 
(Portal Alagoas 24 horas)

Aprovado em sete vestibulares e quatro concursos públicos
dá dicas de estudo
 
(Circuito Mato Grosso)

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Outros posts da série dicas de estudo:

1 – A atitude correta
2 – O ciclo do aprendizado
3 – Individual e ativo
4 – Educação egoísta
5 – Concentração e foco
6 – As quatro etapas
7 – Pierluigi Piazzi
8 – Lúcia Helena Galvão
9 – Como estudar sozinho em casa
10 – Como estudar para uma prova

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2 opiniões sobre “Dicas de estudo #1 – A atitude correta

  • 11 de fevereiro de 2015 em 10:46
    Permalink

    Este armazenamento em “cache” que as pessoas possuem pre e pós vestibular ou mesmo em um concurso público é completamente errado. Digo armazenamento em “cache” pois como o amigo citou, as memórias e conhecimentos ficam armazenadas temporariamente, assim que você “reinicia” elas são deletadas. O mesmo que acontece em uma memória RAM.

    Pra concurso público, que acredito eu, ter tanta importância quanto uma prova do enem ou vestibular, os alunos precisam realmente se empenhar ou ficam a deriva. Pedem vagas e perdem dinheiro.

    Resposta

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