Deus fora da Unicamp

unicamp (1)Marcado para a última quinta-feira, o 1° Fórum de Filosofia e Ciência das Origens, que seria realizado no campus da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), foi cancelado na véspera, sob uma enxurrada de e-mails indignados de professores da própria instituição de ensino, uma das mais respeitadas do País. O motivo da revolta é que os cinco palestrantes convidados a participar do evento eram nomes ligados ao criacionismo científico, que nega a teoria da evolução do biólogo inglês Charles Darwin.

“Que façam isso numa igreja! É embaraçoso dar credibilidade a esse tipo de doutrina não científica”, disse o professor de física Leandro Tessler. Outro que reclamou à reitoria, o professor de matemática Samuel Oliveira, disse que “criacionistas não têm formação para falar de ciência”. A pró-reitoria, que havia dado aval ao evento, recuou. Em nota oficial, a Unicamp justificou o cancelamento dizendo que “faltavam integrantes que pudessem debater o tema sob todos os pontos de vista”. O físico americano Russell Humphreys já tinha passagem comprada para palestrar no evento, mas teve de cancelar a viagem. “Fomos boicotados por um grupo de professores ateus. Hoje, quem discorda de Darwin é queimado na fogueira”, afirma o professor de arqueologia Rodrigo Silva.

Esse tipo de intolerância a opiniões divergentes em uma instituição como a Unicamp, reconhecida pela qualidade da pesquisa científica, chama a atenção. Mas esse tipo de conflito não é novidade no meio acadêmico. Em 2008, depois de uma série de reclamações, a Universidade Federal de São Carlos (UFSC) cancelou uma palestra do físico Adauto Lourenço sobre criacionismo e teoria da evolução. Em 2007, o bioquímico americano Fazale Rana esteve na mesma Unicamp para falar da Teoria do Design Inteligente. Professores ateus conseguiram retirar o logo da universidade dos cartazes da palestra de Rana, mas não conseguiram impedir a conferência.

Com informações de: Isto É.

Veja também: Universidade recusa trabalho por menção a Deus nos agradecimentos

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4 opiniões sobre “Deus fora da Unicamp

  • 1 de novembro de 2013 em 11:04
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    É universidade é um local de livre debate de ideias. Não se pode perseguir grupos dentro da universidade, é interessante sempre analisar o ponto de vista dos outros. Agora os alunos podem comemorar o conhecimento que não adquiriram, por preconceito, e intolerância. E olhem que eu não tenho religião, mas creio que todos devem ser livres para expor suas ideias nesse ambiente.

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    • 2 de novembro de 2013 em 13:21
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      É completamente válida a posição da Unicamp. Não mandamos astrólogos nos institutos de astronomia para discutir se a posição do planeta na hora do nascimento ou de outros astros influi na vida das pessoas. Da mesma forma, não se coloca em debate algo que só é defendido por alguns poucos fanáticos que não gostam como a ciência já demoliu boa parte da cosmovisão bíblica, uma vez que isso criará ao público a falsa impressão de que evolução e criacionismo possuem quase a mesma qualidade em evidências, o que não é verdade.
      As igrejas, infelizmente, já contribuem muito para propagar pseudociência e analfabetismo científico no meio popular. Não precisamos disso também no meio acadêmico.

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      • 6 de fevereiro de 2014 em 3:18
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        O espaço acadêmico pode e deve ser utilizado para exposição de diferentes pontos de vista, fontes diversas de conhecimento… cabe a cada indivíduo acatar ou refutar tais teorias e desenvolver seu próprio senso crítico. É para isso que estamos lá!

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