Depressão pós-intercâmbio e síndrome do regresso: a tristeza e voltar ao Brasil

As dificuldades que o estudante intercambista tem ao voltar do exterior. Como se acostumar de novo com o Brasil? Como lidar com a síndrome do regresso? É o que mostra este artigo do HetCourses.


Já ouviu falar da depressão pós intercâmbio? Ela é real e eu senti na pele. Afinal, foi mais de um ano no exterior. E é difícil entendê-la. Você está voltando pra casa, pra sua família, pro seu país. Como é possível isto ser motivo de depressão? Foi por esta incredibilidade que fiquei tão aliviada ao descobrir que isso é até objeto de estudo. Trata-se da síndrome do regresso. Como publicado na matéria da Folha, o termo foi criado pelo neuropsiquiatra Décio Nakagawa. Na ida, sofremos o que chamam em inglês de homesickness, algo como “saudade de casa”. E na volta, a síndrome do regresso.

No entanto, o surpreendente é o tempo de duração dos dois. O período de adaptação do intercambista no país novo é de até 6 meses; já a readaptação ao país de origem leva até 2 anos! A verdade é que é muito mais fácil se acostumar a um local onde tudo é novo e a rotina é agitada. Onde há lugares e pessoas para conhecer todos os dias, comidas para experimentar. Onde a rotina dos estudos o mantém ocupado. Onde as coisas funcionam de forma diferente (quase sempre melhor) que no Brasil. Enquanto tudo isso acontece com você no exterior, o que você deixou no país ao partir continua o mesmo. Enquanto você cria uma grande bagagem cultural e coleciona experiências, sua família e amigos, mesmo que muito felizes por você, continuam na rotina de sempre. E é muito difícil para os familiares compreenderem a sua infelicidade porque estão felizes com o seu regresso.

Por isso, é muito importante que intercambistas tenham consciência da existência dos estudos sobre a síndrome do regresso, para não se sentirem culpados, e entenderem que o descontentamento que possam vir a sentir é completamente normal. E passa. Comigo, bastou manter-me ocupada, conquistando um novo emprego, saindo com os amigos, estudando… Mas é preciso que haja paciência dos dois lados. De quem está voltando, para dar-se o tempo de readaptação, encontrando uma maneira de sentir-se em casa de novo, e dos familiares e amigos, para escutar sobre todas as suas experiências, histórias, comparações sem fim entre os países; para reinseri-lo na rotina, na vida da casa, nos passeios; e para, acima de tudo, entender que isso passa e que a sua tristeza não é culpa deles. Meus pais chegaram a acreditar que eu não seria mais feliz no Brasil. Pra dizer a verdade, até eu cheguei a acreditar nisso. Mas depois de ler sobre a síndrome do regresso, nós – meus pais e eu – nos aquietamos e entendemos que era uma fase. E a fase, como todas as outras, passou. Amo os Estados Unidos como minha segunda casa. Mas, como já dizia Dorothy de O Mágico de Oz, “there’s no place like home”.

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