O computador pode substituir o professor?

Veja também: O professor anacrônico

“Se existe um professor que pode ser substituído por uma máquina,
é porque ele realmente merece ser substituído”.

A resposta foi uma provocação do indiano Sugata Mitra, professor de Tecnologia Educacional da Newcastle University (Inglaterra) e professor visitante do Massachusetts Institute of Technology, o famoso MIT, nos Estados Unidos. Em uma palestra realizada recentemente no EducaParty, programação voltada para a Educação na Campus Party 2012, ele relatou as pesquisas que comprovaram a habilidade das crianças em aprender sozinhas quando têm acesso a um computador com internet, dispensando a intermediação de um adulto. Seu mais emblemático experimento é o “Hole in the Wall” (Buraco na Parede). Sugata Mitra colocou um computador com acesso à internet no muro de uma favela em Nova Delhi, na Índia, e com o auxílio de câmeras, observou o processo durante 2 meses. O resultado? Crianças que nunca viram um computador e não sabiam inglês aprenderam rapidamente a navegar na internet e ainda ensinaram outras crianças!

“Em 9 meses, as crianças atingem o nível de secretárias que trabalham com computador no escritório”, disse Mitra. Essa experiência pode ser uma solução para um dos problemas que Mitra encontra na Educação atualmente: a falta de escolas. “Ela demonstra que crianças expostas ao computador rapidamente entendem seu funcionamento” e os benefícios não tardam a aparecer: melhora a leitura, a compreensão e a capacidade de responder a perguntas. Porém, a principal transformação que esse aprendizado realiza nas crianças é outra. Elas ficam mais confiantes, a autoestima cresce, a postura muda. “Elas dizem para si mesmas que são capazes de fazer o que as outras crianças fazem, mesmo que não tenham a mesma condição financeira”, relata Mitra. O segundo problema diagnosticado por ele é o desinteresse dos alunos. A solução é simples: saber instigar as crianças com a ajuda do computador. Hoje, a principal reclamação dos alunos é não entender por que estão aprendendo determinada matéria. “Trigonometria, por exemplo, é uma palavra que apavora todo mundo”, exemplifica. Uma história real mostra como despertar o interesse das crianças para os estudos. Em Hong Kong, Mitra perguntou aos alunos como um iPad sabe sua localização e deixou que pesquisassem na internet. 30 minutos depois, os alunos aprenderam que 3 satélites estavam envolvidos no trabalho. E, depois de outra rápida pesquisa, descobriram que o iPad usava trigonometria!

“Perguntei se eles queriam saber como isso funcionava e os meninos de 12 anos responderam que sim! E então eu disse ao professor de matemática: agora a porta está aberta”. O modelo atual de Educação, que ignora as mudanças promovidas pela tecnologia, também contribui para o desinteresse dos alunos, acredita Mitra. “Uma criança lê uma página inteira, mas não consegue entendê-la, interpretá-la”, aponta. Para ele, isso é fruto de um modelo ultrapassado de educação “definido 300 anos atrás”, que prioriza a capacidade de decorar informações. Naquela época isso fazia sentido, já que o cérebro era a principal ferramenta para armazenar dados; mas hoje existem diversos dispositivos que podem realizar essa tarefa. “A memória não é o mais importante, mas sim, a capacidade de compreensão e de discernimento sobre as informações que lê”, defende. O sistema educacional ainda não entende isso: “se um aluno perguntar se pode levar um pendrive para fazer a prova, a resposta será não”.

Com informações de: Educar para crescer.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Deixe uma resposta:

%d blogueiros gostam disto: