Como a reforma ortográfica prejudicou Tony Ramos e Cláudia Ohana

Comentário de Murilo Gun sobre as mudanças na língua portuguesa.

Começo a observar aos poucos nos veículos de comunicação a adoção das novas regras pós-reforma ortográfica. Até que eu gostei da extinção do trema, da inclusão das letras k, w e y no alfabeto e da supressão de alguns casos de hífen. Mas não entendi até agora a eliminação do acento diferencial. A diferenciação da preposição “para” e da forma verbal “pára” era essencial para evitar confusões do tipo “Trânsito para a cidade”. O acento diferencial também era fundamental para diferenciar a preposição “pelo” e o substantivo “pêlo”. Depois da reforma, a frase “Desculpe-me pelos pêlos”, frequentemente utilizada por Tony Ramos e Cláudia Ohana com seus respectivos parceiros sexuais, passou para “Desculpe-me pelos pelos”.

A reforma deveria ter retirado, por exemplo, o acento da palavra “pá”, pois é totalmente desnecessário, já que não mudaria nada no som ou na compreensão da palavra “pá” se não houvesse acento. A justificativa dada para a reforma é que o objetivo não é necessariamente simplificar, e sim padronizar o idioma nos países de língua portuguesa. Mas até parece que com essas mudanças gente fosse entender melhor o português de Portugal, por exemplo. Porque num lugar onde camisinha é chamada de durex, calcinha é cueca, grupo de crianças é canalha, pão francês é cacetinho, imposto é propina e injeção é pica… não vai ser a eliminação do trema que vai resolver o problema de comunicação.

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