Como planejar um artigo de filosofia

Artigo do professor Jeff McLaughlin (Ph.D., University College of the Cariboo). A tradução do original (How to Plan a Philosophy Paper) foi feita pela minha professora na UFPB, Dra. Maria Clara Cescato. Este artigo é o segundo de uma série de três. Veja também como ler como escrever um texto de filosofia.


Suas aulas de filosofia mal começaram e seu professor, cujo nome você sequer conhece, já está falando sobre o primeiro texto que deve ser entregue em semanas, senão meses depois. Você talvez se veja tentado(a) a esperar até o último minuto para começar de fato a escrever, mas a essa altura, você terá mais outras cinco tarefas de outros cursos a ser também entregues. Não é uma atitude sábia, mas é compreensível. Faz parte da natureza humana evitar fazer coisas de que não gostamos, seja a tarefa do curso, seja ir ao dentista. No entanto, qual a consequência de se esperar até o último minuto? Você vai perder muito sono, faltar a algumas aulas matinais, ficar de mau humor, estressado(a), e apresentar um trabalho cheio de falhas que não representa de modo adequado sua capacidade nem o que você pensa (e você provavelmente vai receber uma nota baixa).

Os guias de escrita se destinam a ajudar você a expressar seus pontos de vista e argumentos com clareza e com força filosófica. Erros gramaticais e pensamento acrítico aliados a fracas habilidades de pesquisa e exposição vão interferir em suas tentativas de convencer o leitor de suas afirmações. Seu leitor quer se esclarecer com seu texto – e não ser confundido; sobretudo, ele não vai querer ter de lidar com seu texto como uma espécie de quebra-cabeça, sem clara direção ou objetivo. Os leitores não devem ter de trabalhar pesado para decifrar sua intenção. Na verdade, você não precisa realmente gastar mais tempo escrevendo seu texto, você precisa gastar mais tempo planejando-o. Nesta segunda parte de nossa série, você aprenderá como planejar sistematicamente seu texto de filosofia. Antes de começar, vamos nos certificar de que estamos falando da mesma coisa. Com muita frequência, um texto de filosofia é um texto que toma posição, ou um texto argumentativo. Não é um “texto de pesquisa”. Um texto de pesquisa pura envolve, entre outras coisas, o estabelecimento ou a descoberta de fatos. Um texto argumentativo é, ao contrário, um texto em que você toma posição ou explica uma posição ou ponto da vista. Você está tentando convencer seu leitor da tese que você propõe. Para saber se você tem meios de convencer seu leitor de seus próprios pontos de vista, seu professor irá verificar se você compreende adequadamente o material e suas implicações, se você consegue analisar e avaliar criticamente as questões relevantes e pode defender com plausibilidade sua tese.

Um texto de posicionamento não deve ser considerado como uma oportunidade para meramente afirmar suas próprias opiniões (opiniões não têm interesse filosófico, uma vez que são apenas afirmações sem o apoio de justificativas). Embora estejamos comparando esse processo com um “texto de pesquisa” padrão, não estamos afirmando que você não deve fazer nenhuma pesquisa para seu projeto. A pesquisa é um elemento chave para descobrir mais sobre seu tópico bem como posições e argumentos diferentes que outras pessoas apresentaram sobre ele. Você precisará fazer pesquisa para poder entender o tópico, assim como as questões e implicações a ele vinculadas; depois você precisará fazer pesquisa para descobrir o que outros pensam e depois você precisará fazer pesquisa para justificar sua própria posição. Fazer tudo isso exige tempo. Algo que irá desesperadamente faltar, se você adiar o texto até o último minuto.

Se existe um tema no presente texto é enfatizar a necessidade de ter tempo suficiente para dedicar a seu projeto. Vamos repetir novamente: dê a sua tarefa, a seu tópico e a seu leitor o tempo que eles merecem. Você precisa de tempo para refletir, realizar a pesquisa, refletir um pouco mais e colocar suas idéias no papel. Você precisa de tempo para se distanciar dessas idéias e tempo para retornar a elas. Você precisa de tempo para procurar materiais em bibliotecas e na internet e para, então, munido com esse material adicional, alterar, reelaborar e revisar seu trabalho. Você precisará de mais tempo para executar tarefas mecânicas como revisão e correção de provas e verificar se tem tinta na impressora. E uma vez que o tempo é importante, passemos aos tópicos principais.

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Entenda a natureza da tarefa

Seu tópico pode ser sugerido por seu professor ou você pode receber a incumbência de escolher um tópico dentro de certos parâmetros. Independentemente de qual abordagem seu professor adote, você deve entender o tópico e os requisitos da tarefa, pois embora você possa escrever um texto com competência, ele pode estar completamente fora do tema! Assegure-se de que entendeu corretamente as instruções. Trata-se de analisar uma determinada obra ou conceito? O que está sendo pedido é um resumo, sem emitir sua avaliação? A tarefa é comparar e contrastar as posições de filósofos ou filosofias diferentes? Quantas laudas são necessárias? Trata-se de um texto curto ou de um mais longo? Seja qual for o tamanho, preste atenção para permanecer dentro dos limites estabelecidos. Um texto demasiado curto indica que você não dedicou tempo suficiente para desenvolver e explorar idéias complexas. Um texto excessivamente longo pode ser repetitivo ou ser demasiado tortuoso e simplesmente não cumprir o objetivo da tarefa (por exemplo., capacitar o estudante a apresentar o material de modo conciso).

Se você tiver pouca clareza sobre o tópico escolhido ou se tiver pouca familiaridade com o contexto em que ele se situa, ou se tiver dúvidas quanto à terminologia filosófica, pesquise num dicionário de filosofia ou enciclopédia na seção de referências de sua biblioteca. Essa leitura também irá ajudar a situar o tópico no contexto mais amplo e pode fornecer informações que ajudarão na hora de efetivamente iniciar o processo de escrita formal. Não recorra simplesmente a um dicionário padrão, uma vez que as definições que você obterá estarão irremediavelmente incorretas ou incompletas. Se o tópico for baseado em materiais de aula, então releia os artigos à luz das novas informações de que você dispõe. Isto é, procure nos artigos os elementos vinculados ao tópico que você tem em mãos, pois, agora que você sabe o que está procurando, compreender o material deve ficar mais fácil. Você pode querer reler a primeira parte desta série, Como ler um texto de filosofia, para ajudar nesse ponto de seu preparo. Se tiver que escolher seu próprio tópico, somente o faça após considerar as 4 diretrizes abaixo.

Escolha algo que seja relevante

Parece óbvio, mas os estudantes às vezes perdem o rumo com facilidade e terminam por escolher um tópico que está longe do que o professor espera. Isso talvez se deva a uma falta de compreensão da natureza da tarefa ou devido à escolha de um tema demasiado genérico ou vago. É aconselhável pelo menos discutir o tema escolhido com seu(sua) professor(a), para verificar se você está na pista correta. Ele(a) poderá então fornecer orientação adicional sobre o que fazer.

Escolha algo em que você tenha interesse

Dizem que o tempo voa quando você se está divertindo… Embora alguns tópicos possam parecer mais fáceis que outros, não deixe suas impressões iniciais ser o fator principal. Se você não tiver interesse pelo tema, então o processo efetivo de escrita se tornará mais difícil, uma vez que você não tem muita coisa investida no projeto.

Escolha um tema que seja “executável”.

Temas como “A filosofia de Aristóteles”, “O que é a Verdade?”, ou “Ciência contra Religião”, são demasiado amplos. Ao refletir sobre seu tópico, é preferível que “o poço seja pequeno e profundo, em vez de amplo e raso”. Essa é uma metáfora obscura, mas basicamente significa: não abocanhe mais do que você pode mastigar. Você não vai querer abordar 50 pontos diferentes e desarticulados, sem dizer nada de substancial sobre qualquer deles (ou você corre o risco de escrever um texto longo demais). Ao contrário, você vai querer escolher um tópico que seja possível abordar e que permita explorar com profundidade uma questão específica.

Escolha algo sobre o qual você pode encontrar materiais.

Ao encontrar um tema de seu interesse, você precisa verificar que recursos estão disponíveis. Você poderá se ver em dificuldades com os argumentos e ideias se não encontrar mais de 2 ou 3 textos que apenas mencionam seu tema de passagem.

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Faça observações preliminares sobre o tema

Uma vez escolhido o tópico com cuidado e tendo alguma compreensão dele, tente colocar no papel alguns de seus próprios pensamentos. Faça observações que podem servir como áreas em potencial para talvez ser exploradas mais tarde. O mero fato de ter selecionado um tópico não significa necessariamente que você tem claro o que você pensa sobre ele e, menos ainda, o que você quer dizer sobre ele. Tente responder às seguintes perguntas: O que você pensa com relação ao tópico? O que você pretende dizer? O que incomoda você nesse tópico? O que você gosta nele? O que você acha interessante ou confuso? Você acha que ele conduz a determinadas consequências? Você consegue imaginar algum exemplo que põe em destaque algum dos aspectos discutidos ou que põe em destaque as afirmações apresentadas pelos que defendem essa posição específica? Agora é hora de deixar fluir os eflúvios criativos. Você acredita ser favorável a uma posição mais que a outra? Você se inclina para uma direção, mas não tem absoluta certeza? Apenas coloque seus pensamentos no papel. A essa altura, não tem de ser uma apresentação formal e de forma alguma esses comentários iniciais têm de ser bem desenvolvidos ou mesmo coerentes entre si. O desafio é apenas começar. O processo mecânico de escrita – mesmo ser ter certeza do que pretende dizer – vai ajudar.

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Pesquise fontes em potencial

Depois de escolher seu tema e registrar alguns de seus pensamentos sobre ele, você precisa descobrir o que existe lá fora. Embora você possa achar que a internet é o melhor lugar para procurar e descobrir que tipos de recursos estão disponíveis, ela não é o melhor lugar para se começar. Examine primeiro seus próprios materiais de aula. Eles podem conter uma bibliografia ou uma lista de “leituras recomendadas”. O autor ou editor apresentam uma introdução ao texto ou a cada capítulo? Nela pode haver referências explícitas a outras obras ou pelo menos algumas questões propostas para discussão que podem fornecer alguns termos chave que você poderá usar em sua busca. O livro ou artigo talvez mencionem outras fontes como periódicos ou outros textos que você pode buscar na biblioteca de sua universidade. Procure nas notas de rodapé que acompanham os diferentes recursos. Também elas irão indicar outras fontes. Lembre-se, cada fonte, seja uma enciclopédia, seja um periódico, um livro, uma antologia, um índice, um glossário de termos ou uma nota de rodapé, tem o potencial de conduzir a outras fontes.

Curiosamente, esse processo de usar uma referência para conectar a outra é exatamente o mesmo procedimento que usamos nas hiperconexões na web. Assim, sente-se em meio à coleção de sua biblioteca e comece a folhear as várias revistas e textos que encontrar nas prateleiras. Você terá uma agradável surpresa com o que vai descobrir apenas passando uma hora procurando. Se não tiver sorte em encontrar algo sobre seu tema, você pode pedir orientação ao bibliotecário ou seu professor. Talvez seja necessário escolher outro tópico, para o qual haja disponível material mais abundante. É preciso assinalar que, se você ainda não fez uma visita oficial a sua biblioteca, é preciso fazer. Descubra onde estão as coisas. Descubra como procurar os materiais. Descubra onde se encontram as obras de referência, os periódicos, as máquinas de xérox… Faça perguntas. Peça ajuda. Explore o local, antes de desperdiçar mais tempo, caso contrário, você vai fazer isso toda vez que tiver de retornar à biblioteca para pesquisar para um texto. Com relação à internet, é importante ser capaz de buscar com eficácia e de forma crítica, de modo a poder distinguir entre um site duvidoso e o que é uma mina de ouro em potencial.

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Reúna suas fontes iniciais

Agora é o momento de reunir suas leituras. Você pode descobrir que algumas das fontes não são adequadas ou exatamente o que você precisa, mas por ora, reúna uma pequena coleção e comece a examinar sua utilidade. Muitas vezes não vai levar muito para avaliar se um determinado artigo é relevante ou inútil para o que você quer. Leia o índice por assunto, dê uma olhada na introdução do autor, examine o índice em busca dos termos chave que são mencionados com frequência. Utilize esses termos chave para procurar outras fontes. Ao procurar um livro numa prateleira, dê uma olhada em todos os outros da mesma prateleira. Ao encontrar um artigo útil num periódico, procure nas edições anteriores e posteriores (talvez alguém tenha escrito uma crítica ao artigo).

Se houver informação publicitária na sobrecapa do livro, leia. Pois o nome do resenhista na sobrecapa do livro pode ser o de alguém que você queira investigar. Após percorrer um setor da biblioteca e encontrar suas fontes em potencial, vá a uma máquina de xérox e faça suas cópias para uso pessoal (sempre verificando as regras de direitos autorais). Embora você possa, em princípio, confiar no fato de que os livros ou periódicos da biblioteca são obras de “qualidade”, uma vez que foram selecionados por alguém para ser incluídos na coleção da universidade, lembre-se de avaliar criticamente toda e qualquer obra que você está pensando em utilizar como base para suas próprias posições. Isso é ainda mais necessário se você está recorrendo à web, onde qualquer pessoa pode publicar online o que quer que seja. Felizmente, muitos dedicaram seu tempo a montar sites fornecendo listas com vários recursos que você pode utilizar.

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Entenda e reflita sobre os artigos que encontrou

Leia os artigos que você selecionou. Você deve compreender o material antes de poder avaliá-lo. Faça notas em suas cópias (xérox), use um marca-texto ou uma caneta para resumir idéias ou citações que você deseja utilizar (mas não plagie!). Se não tem segurança sobre como ler os artigos com eficiência, por garantia, verifique na primeira parte desta série, para obter ajuda. Dedique tempo para refletir sobre as informações.

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Escreva um esboço

Retorne agora às ideias que você anotou anteriormente. Há algum fio condutor em comum? Você pode reunir algumas delas de modo a formar uma direção rumo à qual você pode querer ir? Os artigos que você encontrou oferecem novas idéias e pistas? Eles respondem algumas questões ou levam a novas perguntas? Como os artigos que você leu estão ajudando? Pense nesse processo como um trabalho de equipe. Muitos outros percorreram o caminho em que você está e podem oferecer sugestões sobre em que rua virar e com que tomar cuidado. Tente elaborar a partir das bases que eles construíram. Agora é o momento de criar um esboço de seus argumentos ou, no mínimo, um esboço de suas idéias e elaborar um diagrama informal ligando um ponto a outro.

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Fique longe!

Você precisa de algum tempo para ser capaz de bloquear sua mente voltada para a meta e reexaminar seu texto. Isso porque, quando se escreve por longos períodos de tempo, pode-se perder a objetividade. Por exemplo, você já leu alguma vez um de seus próprios textos repetidas vezes e pediu a um amigo para dar uma olhada para encontrar erros de digitação que você nunca percebeu? Isso acontece porque você se habituou de tal forma ao que você escreveu e tem tanta intimidade com as ideias que você passa batido por todos os erros. É por isso também que, quando você lê o texto, ele pode estar claro como dia para você, mas não fazer nenhum sentido para uma outra pessoa. A razão disso é que você sabe o que quis dizer e você sabe o que pensa e para onde está indo, mas essas coisas podem não estar apropriadamente refletidas no que de fato aparece em seu texto. Depois de um tempo afastado, você deve retornar ao seu texto não como o autor dele, mas como um leitor desinteressado.

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Retorne e revise furiosamente!

Ao dar um tempo para esvaziar sua cabeça (pelo menos uma boa noite de sono!) você pode retornar a seu texto com um ponto de vista mais objetivo. Você vai perceber o que pode ter escapado a você, ou o que precisa ser reescrito, ou suprimido, ou um pouco mais fundamentado. Muitas vezes a leitura do texto em voz alta para você mesmo ou para um amigo pode revelar lapsos de lógica, incongruências, digressões e problemas básicos de apresentação. Aqui vão algumas coisas que você deve verificar:

Você apresenta uma tese clara e informa ao leitor para onde pretende levá-lo? Você leva seu leitor para onde disse que estava levando e da forma mais eficiente? Você oferece argumentos? Você apresenta uma defesa persuasiva de sua tese – fornecendo não apenas suas próprias justificativas, mas também as justificativas de outros? Alguma das afirmações que você utiliza como justificação também requer, por sua vez, justificação? Você oferece e considera pontos de vista de outros? O que outros disseram tanto a favor quanto contra os pontos de vista que você está apresentando? Por que o leitor deve aceitar seus argumentos em vez de outros que estão disponíveis (e que você pode até mesmo discutir)? Você examina as consequências deles para sua própria posição? Você pode fornecer argumentos convincentes colocando em questão outras posições que são incompatíveis com a sua? Você pode perceber as implicações de sua posição? Você aceita essas implicações? Você percebe alguma fragilidade em sua teoria? Você reconhece explicitamente alguma crítica em potencial e tenta se confrontar com ela? Essas críticas são sérias o suficiente para exigir uma revisão geral de seu argumento ou você pode lidar com essa fragilidade alterando sua posição dentro de limites razoáveis? Existem pontos que estão ambíguos ou vagos? Há inconsistências?

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Revise seu texto manualmente antes de entregar

Finalmente, você está quase no fim. Após revisar o conteúdo de seu texto, faça uma verificação mecânica. Aplique um corretor ortográfico. Se não o fez ainda, faça uma cópia impressa de seu texto. Revise manualmente o texto. Muitas vezes, os estudantes apenas passam o corretor ortográfico, mas ele não detectará erros como distinguir entre “filósofo” e “filosofo”, do verbo “filosofar”. Ao ler seu texto no papel e não na tela do computador, você vai poder perceber erros óbvios, saltos na lógica, parágrafos desconexos e transições mal feitas que você talvez ignore se examinar o texto apenas na tela. Agora repita os dois últimos passos até que você esteja satisfeito(a) e/ou até que seja hora de entregar seu texto.

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