Como aumentar a sua inteligência

Artigo de Adonai Santanna, professor de matemática da UFPR.

Esta postagem se refere àquilo que psicólogos cognitivos chamam de inteligência fluida, a capacidade de aprender novas informações, mantê-las em nossos cérebros e usar este novo conhecimento para resolver problemas e desenvolver novas habilidades. O texto que segue abaixo é baseado em uma palestra ministrada por Andrea Kuszewski, na Universidade Harvard, em 2010. Veja uma versão escrita e detalhada desta palestra aqui. Andrea Kuszewski é terapeuta e consultora, especializada em autismo. As técnicas relatadas em sua palestra permitiram, entre outros resultados, aumentar o QI de uma criança autista, de 80 para 100 pontos, em três anos. Por conta de uma propriedade cerebral chamada de neuroplasticidade, é possível sim aumentar significativamente a inteligência fluida de qualquer pessoa. Aqui estão as atividades que Kuszewski aponta como fundamentais para o crescimento da inteligência fluida. Todas as atividades devem ser executadas permanente e concomitantemente.

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1. Buscar novidades

Os grandes gênios da ciência sempre tiveram múltiplos interesses intelectuais. Estagnar o cérebro em uma única área do conhecimento ou atividade intelectual é uma péssima ideia. É fundamental a abertura para novas experiências. Aquilo que é novo para o seu cérebro desencadeia novas conexões sinápticas, aumentando a atividade neuronal. Além disso, novidades ativam a dopamina, um neurotransmissor que, entre outras coisas, aumenta a motivação. Ou seja, a busca por novidades estimula a própria busca por novidades.

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2. Enfrentar desafios

Existe vasta literatura sobre o papel de jogos, como Sudoku e Tetris, para melhorar a inteligência de pessoas. No entanto, em geral, esta literatura carece de fundamentação científica. Jogar Tetris pode melhorar temporariamente certas habilidades cognitivas. Mas uma vez que o jogador domine o jogo, persistir com Tetris inevitavelmente resultará em queda de atividade cerebral. Desafios precisam ser renovados. Ou seja, deve haver uma incessante busca por problemas. Quanto mais difíceis de serem resolvidos, melhor. Caso contrário, sua atividade cerebral diminuirá e sua inteligência será comprometida.

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3. Pensar criativamente

Ao contrário do que diz a crença popular, criatividade envolve ambos os hemisférios do cérebro humano, e não apenas o direito. E pensamento criativo, neste contexto, nada tem a ver com produção artística, mas com cognição criativa. Cognição criativa envolve a associação entre ideias aparentemente distantes, intercâmbio entre formas tradicionais e formas atípicas de pensamento, e a geração de ideias originais que sejam adequadas para as atividades que você exerce. Resolver problemas de matemática, por exemplo, apelando apenas para analogias com o mundo real, é o mesmo que matar a criatividade.

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4. Seguir o caminho mais difícil

A tecnologia tem tornado o mundo mais eficiente, permitindo que as pessoas tenham mais tempo para se concentrar naquilo que é realmente importante. Certo? Errado. O emprego sistemático de GPS, por exemplo, piora a noção de localização espacial de pessoas. Como já foi indicado, eficiência é um inimigo do cérebro. Nem todas as novas tecnologias são nocivas para o intelecto humano. Mas compensações são necessárias. Faça contas sem usar calculadoras. Siga para um destino desconhecido sem usar GPS. Escreva textos impecáveis sem usar corretores ortográficos; e reescreva esses textos, para que fiquem realmente atraentes. Leia textos em idiomas estrangeiros sem usar tradutores. Faça sua própria comida. John F. Kennedy disse, no mais belo discurso que já ouvi: “Nós iremos para a Lua não porque é fácil, mas porque é difícil”.

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5. Formar redes sociais

Não importa se suas redes sociais operam via Facebook, Twitter ou contato pessoal. O fato é que a condição humana é de caráter social. Coloque a cara para bater. Exponha suas ideias. Mantenha contato com quem sabe muito mais do que você; é preciso aprender. Mantenha contato com quem sabe muito menos do que você; é preciso ensinar. Mantenha contato com aqueles que pensam como você, mas também com aqueles que pensam diferente. Troque ideias sobre ciência, educação, música, cinema, teatro, história, religião, vida. Uma vida social rica é fonte de novidades, é a oportunidade de encontrar desafios, é a inspiração para soluções criativas. Mas vida social rica não se traduz na forma de quantia de pessoas, porém na forma de diversidade de visões.

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