Histórico de protestos no Brasil desde 2015

Os infográficos a seguir foram produzidos pelo G1 e fazem um levantamento estatístico do histórico de protestos e manifestações públicas de cunho político ocorridos no Brasil nos últimos dois anos (de março de 2015 até abril de 2017). Eles mostram estimativa de público nos protestos segundo a contagem da polícia, segundo a contagem dos organizadores, e o número de cidades nas quais houve registros de protestos.

Veja também: A ilusão política das grandes manifestações


Estimativa de público segundo contagem da polícia

protestos policia


Estimativa de público segundo os organizadores

protestos organizadores


Número de cidades onde houve protestos

protestos cidades

Democracia em questão: Pessoas ignorantes em política devem ter o direito de votar?

Artigo de opinião do professor e cientista político português João Pereira Coutinho
para o jornal Folha de S.Paulo do dia 27 de setembro de 2016.


Vamos ser honestos? A democracia não é o melhor regime político. Você sabe disso. Muitas vezes, as maiorias elegem governos incompetentes, mentirosos, corruptos e autoritários. Então surge a pergunta: Devemos conceder o direito de voto a quem não tem inteligência suficiente para escolhas responsáveis? O cientista político Jason Brennan defende que não. O livro, que provocou polêmica nos Estados Unidos, intitula-se “Against Democracy” (contra a democracia). Nele, o Dr. Brennan mostra que, em todas as pesquisas disponíveis, os eleitores americanos são comprovadamente ignorantes sobre os assuntos da República. Desconhecem coisas básicas, como identificar qual dos dois grandes partidos americanos controla atualmente o Congresso.

Para usar a terminologia de Brennan, a maioria dos eleitores se divide em hobbits e hooligans. Os hobbits são apáticos, apedeutas, raramente votam – e, quando votam, o fazem com a cabeça vazia. Os hooligans são o contrário: fanáticos, como torcedores de futebol, defendendo os seus “clubes” de uma forma irracional, quase tribal. É possível perguntar a um hooligan democrata se ele concorda com uma política de Bush e antecipar a resposta. É contra, claro. E depois, quando o pesquisador comunica ao hooligan que a referida política, afinal, é na verdade de Obama, o hooligan muda de opinião e fica indignado. Como dizia T. S. Eliot sobre Henry James, a cabeça de um hooligan é tão dura que nenhuma ideia é capaz de violá-la.

O eleitor ideal, para Brennan, é um vulcan: alguém que pensa cientificamente sobre os assuntos. Mas os vulcans são artigo raro. Em democracia, somos obrigados a suportar as escolhas de hobbits e hooligans. Felizmente, Jason Brennan tem uma solução: se as pessoas precisam de uma licença para dirigir, o mesmo deveria acontecer para votar. “Epistocracia”, eis a proposta. O governo dos conhecedores. Antes de votar, é preciso provar que sabe o que está fazendo. Existem vários modelos de epistocracia. Dois exemplos: todos teriam direito a um voto e depois, com a progressão acadêmica, haveria votos extra; ou, em alternativa, só haveria votos para quem tivesse boa nota em exame de política. Faz sentido? Não, caro leitor, não faz. Seria possível escrever várias páginas de jornal a fim de desconstruir o livro de Brennan. Por falta de espaço, concentro-me na sua falha básica: Brennan, um cientista político, não compreende a natureza da política.

Como um bom racionalista, Brennan acredita que os fatos políticos são neutros; consequentemente, as escolhas do eleitor podem ser “científicas”. Acontece que nunca são: a política, ao contrário da matemática ou da geometria, lida com a complexidade e a imperfeição da vida humana. Um “exame” de política, por exemplo, dependeria sempre das preferências políticas dos examinadores – nas perguntas e na correção das respostas. Brennan até pode defender perguntas “factuais” para respostas “factuais”. Mas a simples escolha de certos temas (mais economia) em prejuízo de outros (menos história) já é uma escolha política. Além disso, acreditar que diplomas acadêmicos conferem a alguém um poder especial em política é desconhecer o papel que os “intelectuais” tiveram nos horrores do século 20. Ou, para não irmos tão longe, é ignorar o estado de fanatismo ideológico que as universidades, hoje, produzem e promovem.

Por último, não contesto que a maioria desconhece informação política relevante. Mas as pessoas não precisam de um PhD para votarem. Basta que vivam em sociedade. Que sintam na pele o estado dos serviços públicos. O dinheiro que falta no final do mês. A insegurança que sentem em seus bairros, suas cidades, seus países. Como lembrava o filósofo Michael Oakeshott, não se combatem ditadores com a balança comercial. Tradução: a política não depende apenas de um conhecimento técnico; é preciso um conhecimento prático, tradicional, vivencial. O conhecimento que só a experiência garante. A democracia pode não ser o regime ideal para seres humanos ideais. Infelizmente, eu não conheço seres humanos ideais. No dia em que Jason Brennan me mostrar onde eles vivem, eu prometo jogar a democracia no lixo.

Evolução nominal do salário mínimo no Brasil desde a instituição do Plano Real em 1994

Lembre-se que este é o valor nominal, desconsiderando a inflação e o poder aquisitivo.

AnoVigênciaValorAto LegalPercentual de aumento
201601/01/2016R$ 880,00Decreto 8.618/201511,68 %
201501/01/2015R$ 788,00Decreto 8.381/20148,84 %
201401/01/2014R$ 724,00Decreto 8.166/20136,78 %
201301/01/2013R$ 678,00Decreto 7.872/20129,00 %
201201/01/2012R$ 622,00Decreto 7.655/201114,13 %
201101/03/2011R$ 545,00Lei 12.382/20110,93 %
201101/01/2011R$ 540,00MP 516/20105,88 %
201001/01/2010R$ 510,00Lei 12.255/20109,68 %
200901/02/2009R$ 465,00Lei 11.944/200912,05 %
200801/03/2008R$ 415,00Lei 11.709/20089,21 %
200701/04/2007R$ 380,00Lei 11.498/20078,57 %
200601/04/2006R$ 350,00Lei 11.321/200616,67 %
200501/05/2005R$ 300,00Lei 11.164/200515,38 %
200401/05/2004R$ 260,00Lei 10.888/20048,33 %
200301/04/2003R$ 240,00Lei 10.699/200320,00 %
200201/04/2002R$ 200,00Lei 10.525/200211,11 %
200101/04/2001R$ 180,00MP 2.194-6/200119,21 %
200003/04/2000R$ 151,00Lei 9.971/200011,03 %
199901/05/1999R$ 136,00Lei 9.971/20004,62 %
199801/05/1998R$ 130,00Lei 9.971/20008,33 %
199701/05/1997R$ 120,00Lei 9.971/20007,14 %
199601/05/1996R$ 112,00Lei 9.971/200012,00 %
199501/05/1995R$ 100,00Lei 9.032/199542,86 %
199401/09/1994R$ 70,00MP 598/19948,04 %
199401/07/1994R$ 64,79Lei 8.880/1994

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salario-minimo

Invejo quem vota com entusiasmo

Artigo de opinião de Guy Franco para o Yahoo Notícias,
publicado às vésperas do primeiro turno das eleições municipais.


Melancólico e aborrecido. É como eu me sinto agora. Esta é a semana mais deprimente do ano. Com as eleições municipais logo ali. São 11 enfadonhos candidatos a prefeito mais 1273 candidatos a vereador na minha cidade. E nenhum nome me desperta a vontade de levantar do sofá, pôr uma calça e sair de casa no domingo para votar. Este é o primeiro fim de semana desde o fim da Olimpíada que me sinto tão desanimado.

Confesso que tenho inveja do entusiasmo de quem vota com alegria, de quem vota com orgulho e paixão por um candidato. De quem assiste ao comício de um político – qualquer político – e diz “É isto! Falou tudo! Arrasou!”. Gostaria de ter esse dom. Infelizmente, não tenho a qualidade mais importante para votar com esse entusiasmo todo, que é ignorar o histórico, o partido, as alianças, os escândalos e os ternos horrorosos dos candidatos. Todos eles, todos eles. Simplesmente não dá.

Nesta eleição descobri um número surpreendente de pessoas que votarão orgulhosas e empolgadas. Pois não basta ser um sujeito que se anima para votar: é preciso votar alegre e saltitante, tirar selfie com os candidatos, fazer coraçãozinho com as mãos, essas coisas. Fico impressionado. Chega a parecer estranho que, num país onde a regra é levar bordoadas das autoridades, ainda consigam acreditar no discurso dessa gente encardida.

Como é evidente, fico à margem disso tudo. Infelizmente, sou pobre e periférico, não tenho uma vista privilegiada onde moro, de modo que, quando abro a janela de casa, tudo o que eu vejo é o caos, a destruição e os pênis pichados nos muros. Pelo menos era isso o que eu pensava que via. Os comentários que tenho lido na internet quase me fazem acreditar que nos últimos anos eu não morava em São Paulo mas, sei lá, em Oslo.

Esse é o problema dos fanáticos partidários: parece que eles vivem isolados no mundo deles, bebendo a caipirinha de kiwi deles. Esses rapazinhos magricelas de alpargatas estranham que existam pessoas que não idolatram o candidato deles. Meu Deus, toda pessoa normal abomina os políticos do lugar onde vive. É para isso que pagamos impostos, aliás: para abominar e poder falar mal dessa gente à vontade.

Será que o Brasil é tão pobre assim de referência para insistirem em escolher um político como o salvador? Logo um político? Não um paramédico ou um bombeiro, mas um candidato a prefeito? Os fanáticos partidários ficam felizes com a mera ideia de serem tributários do município. Só pode ser isso. Para mim, é como se estivesse escrito em suas testas “CONTRIBUINTE FELIZ”. Que fetiche é esse por autoridades, burocratas e partidos políticos? Queria me satisfazer com tão pouco.

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