O besteirol dos 500 anos

Artigo de opinião do escritor baiano João Ubaldo Ribeiro (1941-2014), publicado no jornal O Estado de S. Paulo do dia 23 de abril de 2000, exatamente um dia depois das comemorações dos 500 anos de descobrimento do Brasil.

descobrimento

Levando-se em conta nossa pitoresca realidade contemporânea, até que a quantidade de besteiras ditas e escritas sobre o controvertido aniversário do Brasil não dá para surpreender. O que chateia um pouquinho é que diversas dessas besteiras continuarão a perseguir-nos pela vida afora, algumas talvez trazendo conseqüências indesejadas. A principal delas, naturalmente, é a de que o Brasil começou em 1500, quando nem mesmo no nome isso aconteceu, posto que éramos uma ilha quando os portugueses primeiro viram as terras daqui e, durante muito tempo, o Brasil que duvidosamente existia não tinha nada a ver com o Brasil de hoje.

A impressão que se tem é que, do povo às autoridades e mesmo aos entendidos, acha-se que o Brasil já estava no mapa, com as fronteiras e características atuais, no momento em que Cabral chegou. Teria tido até um nome nativo, já proposto, pelos mais exaltados, para substituir “Brasil”: Pindorama, designação supostamente dada pelos índios ao nosso país. Não sou historiador, mas também não sou tão burro assim para acreditar que os índios tinham qualquer noção geopolítica, ou alguma idéia de que pertenciam a um “país” chamado Pindorama. Não havia qualquer país, é claro, nem sequer a palavra Pindorama devia fazer sentido para os ocupantes que os portugueses encontraram aqui, se é que ela era usada mesmo. No máximo, significaria o único mundo conhecido deles. Parece assim que os nossos índios administravam impérios e cidades como os dos maias, astecas ou incas, quando na verdade, que perdura até hoje, viviam neoliticamente e a maioria esgotava os numerais em três – era o máximo que conseguiam contar e o resto se designava como “muito”.

Como corolário disso, vem a tese de que fomos invadidos. Com perdão da formulação pouco ortodoxa da pergunta, quem fomos invadidos? Todos nós, salvante os mais ou menos 400 mil índios que sobraram por aí, somos descendentes dos invasores, inclusive os negros, que não vieram por livre e espontânea vontade, mas também não viviam aqui na época de Cabral e hoje constituem parte indissolúvel de nossa, digamos assim, identidade. Imagino que haja quem pense que, diante de uma delegação portuguesa, algum diplomata ou general índio tenha argumentado que se tratava da ocupação ilegal de um Estado soberano do Oiapoque ao Chuí e que aquilo não estava certo, cabendo talvez a intervenção das Nações Unidas.

Se a História tivesse tomado rumos um pouquinho diferentes, nossa área hoje podia estar subdividida em vários países diferentes, uns falando português, outros espanhol, outros holandês, outros francês. Do Tratado de Tordesilhas às capitanias hereditárias, aos movimentos separatistas e à ação do barão do Rio Branco, muita coisa se passou para que nos tenhamos tornado o Brasil que somos hoje. Ninguém chegou aqui e descobriu o Brasil já pronto e acabado (se é que podemos falar assim mesmo agora), isto é uma perfeita maluquice. O Brasil, é mais do que óbvio, se construiu lentamente e às vezes aos trancos e barrancos.

Compreende-se que nativos de países como o Peru, o México e outros, notadamente na América Central, se sintam invadidos. Até hoje são numerosos e discriminados, muitos nem falam espanhol e, quando aportaram os conquistadores, tinham cidades maiores do que as européias. (3) Mas nós? Quem, com a notável exceção do amigo pataxó e da jovem senhora xavante que ora me lêem, foi aqui invadido? Vamos supor, já jogando no terreno da absoluta impossibilidade, que o chamado mundo civilizado ignorasse a existência destas terras até hoje. Teríamos aqui, não o Brasil, mas uns 4 milhões de nativos de beiço furado e pintados de urucu e jenipapo (nada contra, até porque furamos as orelhas, nos tatuamos e usamos batom, é uma questão de estilo), que não falavam as línguas uns dos outros, matavam-se entre si com alguma regularidade e cuja tecnologia não era propriamente da era informática. Brasil mesmo, nenhum.

Mas está ficando politicamente correto, suspeito eu que por motivos incorretíssimos, abraçar a tese da invasão do Brasil. “Nós fomos invadidos, fomos invadidos!”, grita em português brasileiro, a única língua que sabe, um manifestante mulato, em Porto Seguro. Será possível que não se perceba a vastidão dessa sandice? Daqui a pouco – e aí é que mora o perigo – entra na moda de vez e os resquícios das nações indígenas que ainda subsistem deverão aspirar à soberania sobre os territórios que ocupam. Como na Europa Oriental, cada etnia quererá ter seu Estado e sua autonomia, com bandeira, hino, moeda (dólar, para facilitar) e passaporte. Que beleza, forma-se-á por exemplo, depois de um plebiscito entre os índios, o Estado Ianomâmi, completamente independente e ocupando área bem maior do que muitos outros países do mundo juntos, reconhecido pelas organizações internacionais e protegido pelo grande paladino da liberdade dos povos, os Estados Unidos, que mandariam missionários e ajuda econômica e tecnológica e, dessa forma, investiriam desinteressadamente numa área tão pobre em recursos econômicos e que tão pouca cobiça desperta, como a Amazônia. E, se protestássemos, a Otan bombardearia o Viaduto do Chá, a ponte Rio-Niterói e o Elevador Lacerda, como advertência.

Cometeram-se e cometem-se crimes inomináveis contra os índios, que devem ter seus direitos assegurados. Também cometeram-se e cometem-se crimes contra grande parte dos brasileiros não-índios, outra vergonha que precisa ser abolida. Mas isso não tem nada a ver com a tal invasão, assim como a outra série de besteiras intensamente veiculada, segundo a qual, se não houvéssemos sido colonizados pelos portugueses, estaríamos em melhor situação, assim como estão em melhor situação a antiga Guiana Inglesa, o Suriname, a Indonésia, a Nigéria, a Somália, o Sudão e um rosário interminável de ex-colônias europeias, quando na verdade se trata de um caso claro de o buraco achar-se bem mais embaixo. Como é que se diz “babaquice” em tupi-guarani?

Inglaterra foi a nação que mais invadiu outros países na história: ao todo foram 171

Veja também: Quais foram os três maiores impérios?

reino-unidoA nação que mais invadiu outros países na história foi a Inglaterra. Talvez isso explique a força que o inglês tem como idioma universal. Uma pesquisa de 2012 analisou a história de mais de 200 países e concluiu que, dos 193 países reconhecidos hoje pelas Nações Unidas, 171 (88,6%) foram invadidos pelos britânicos em algum momento de sua história. Vale ressaltar que nem todos os países invadidos chegaram a fazer parte do império britânico. Os dados incluem até invasões feitas por exploradores privados e piratas, desde que as aventuras tivessem o consentimento do governo. O Brasil está na lista: em 1591, sob o comando do corsário inglês Thomas Cavendish, os britânicos invadiram, saquearam e ocuparam, por quase três meses, as cidades de São Vicente e Santos.

Fonte: Mundo Estranho.

Veja no mapa mundi a seguir quais foram os países que a Inglaterra já invadiu (em vermelho) e os que nunca foram invadidos (em branco):

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Saiba quais são os sobrenomes mais comuns no Brasil e no mundo

Primeiramente, qual é a origem dos sobrenomes?

idEles foram criados para diferenciar os nomes repetidos – fato comum desde as culturas mais antigas. Os primeiros sobrenomes de que se tem notícia são os patronímicos – nomes que fazem referência ao pai: Simão Filho de Jonas, por exemplo. Esse gênero difundiu-se bastante na língua inglesa, em que há uma grande quantidade de sobrenomes que terminam em son (filho) – como Stevenson, ou “filho de Steven”. Como esse método era limitado, alguns sobrenomes começaram a identificar também o local de nascimento: Heron de Alexandria. Eles se tornaram hereditários à medida que a posse das terras passou a ser transmitida de geração em geração. Por isso mesmo, nobreza e clero foram os primeiros segmentos da sociedade a ter sobrenome, enquanto as classes baixas eram chamadas apenas pelo primeiro nome.

O último nome, identificando a família, era inclusive usado como “documento” na hora da compra e venda da terra, um luxo reservado apenas aos mais favorecidos. “Existem documentos de 1161 em que as pessoas citadas já tinham sobrenomes”, diz a historiadora Rosemeire Monteiro, da Universidade Federal do Ceará. O costume se ampliou com a inclusão de características físicas e geográficas ou de nomes de profissões. Assim, o nome Rocha significa que o patriarca dessa família provavelmente vivia numa região rochosa. Silveira, por exemplo, vem do latim silvester (de floresta), que também deu origem ao popular Silva. O registro sistemático dos nomes de família, independente de classe social, começou no século XVI, por decreto da Igreja Católica, no Concílio de Trento (1563).

Fonte: Mundo Estranho.

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Sobrenomes mais comuns do Brasil

1. Silva (5 milhões)

2. Santos (3,9 milhões)

3. Oliveira (3,7 milhões)

4. Souza (2,6 milhões)

5. Rodrigues (2,3 milhões)

6. Ferreira (2.3 milhões)

7. Alves (2,2 milhões)

8. Pereira (2,2 milhões)

9. Lima (2 milhões)

10. Gomes (1,6 milhão)

Fonte: Lista10.

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Sobrenomes mais comuns do mundo

1. Lee (China)

2. Zhang (China)

3. Wang (China, Japão e Coreias)

4. García (Espanha e América Latina)

5. González (Espanha e América Latina)

6. Hernández (Espanha e América Latina)

7. Smith (Inglaterra e Estados Unidos)

8. Smirnov (Rússia)

9. Müller (Alemanha)

10. Silva (Brasil e Portugal)

Fonte: Top10Mais.

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Sobrenomes mais comuns da Europa

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Brasões das famílias portuguesas

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6 mil anos de urbanização em 3 min

Acompanhe no vídeo abaixo o surgimento das cidades pelo mundo desde o ano 3700 antes de Cristo até o ano 2000 da era cristã.

Fonte: CityLab.

BÔNUS: História territorial do mundo em 16 minutos.

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