Robô transmite imagens exclusivas de câmara secreta da Pirâmide de Gizé, no Egito

Um robô conseguir gravar, pela primeira vez, imagens do interior de uma câmara secreta localizada na Grande Pirâmide de Gizé, no Egito. O lugar passou pelo menos 4.500 anos sem ser visto por ninguém.

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A Pirâmide de Gizé é o único vestígio remanescente das 7 maravilhas da antiguidade. Quando construída, por volta de 2.560 a.C., ela tinha 146,5 metros de altura. Parcialmente desintegrada, hoje mede 138,8 metros. A pirâmide possui três câmaras conhecidas: a de base, a do rei e a da rainha. Ao lado delas, existe um estreito corredor que é bloqueado por portas de pedra. Por décadas, cientistas tentaram enviar robôs a fim de descobrir o que existia atrás dessas portas. Em 1993, um robô foi enviado ao local, mas não conseguiu avançar. Quase uma década depois, outro robô conseguiu perfurar um bloco das pedras. Surgiu então a hipótese de que haveria uma câmara secreta por trás das portas. Neste ano, uma equipe de engenheiros liderada por Rob Richardson, da Universidade de Leeds, no Reino Unido, desenvolveu um terceiro robô que conseguiu rastejar para dentro do túnel entreaberto e gravar imagens no interior da câmara. Foram encontrados hieróglifos de 4.500 anos, escritas em tinta vermelha e esculturas de pedra. Segundo os especialistas, é provável que as descobertas sejam resquícios do trabalho dos escravos que construíram a pirâmide. Eles dizem ainda que o lugar deveria ser simbólico e não funcional, logo, não há uma tumba nessa passagem. As pesquisas continuam. Veja fotos:

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Fonte: Terra.

Reportagem de 1994 relata um Brasil sem televisão e sem energia elétrica

Desisti de estudar jornalismo por um motivo muito simples: os textos jornalísticos não resistem ao tempo. Uma notícia incrivelmente bem escrita hoje, na qual o jornalista investiu tanto tempo, esforço e talento, estará velha amanhã. Os textos jornalísticos relatam fatos, e estes estão sempre presos ao tempo em que aconteceram. Passam-se os dias e aquela reportagem magnífica já ficou ultrapassada por novos fatos, novas notícias, novos tempos. Em vez de jornalismo, resolvi estudar filosofia. Motivo: os bons textos filosóficos, ao contrário dos jornalísticos, pretendem-se atemporais, almejam a imortalidade, resistem aos séculos. Platão e Aristóteles, 25 séculos depois, continuam atuais; enquanto que ninguém mais lembra o que William Bonner disse semana passada no Jornal Nacional.

Como eu disse, textos jornalísticos não resistem ao tempo. Mas não podemos generalizar. Alguns, de tão bem escritos, sobrevivem por décadas. Se não servem mais para relatar fatos atuais, permanecem vivos como importantes registros históricos de outras épocas. Um dos mais felizes exemplos disso é a reportagem a seguir, publicada no dia 05 de janeiro de 1994 na revista Veja. Apesar de estar mais de 20 anos “atrasada”, de relatar uma realidade social que ficou no passado e de ainda contar dinheiro em cruzados, ela continua viva como relato histórico, ao deixar registrado como era a vida nos pequenos municípios do interior do Brasil antes da chegada definitiva da energia elétrica e, principalmente, da TV.

Leia a reportagem na íntegra:

A vida em Estouros, povoado a 290 km de Belo Horizonte, segue um ritmo que parece eterno. Não é necessário relógio. Acorda-se com o raiar do Sol e dorme-se quando as estrelas começam a surgir. Os homens trabalham a terra e as mulheres cuidam da casa e dos filhos. Nas refeições, as famílias se alimentam daquilo que a terra lhes devolve. Feijão, arroz, couve, abóbora. De vez em quando, carne de porco ou de galinha, criados no quintal. Ali não se conhece hambúrguer, pizza nem maionese. Tem gente que no mês passado tomou Coca-Cola pela primeira vez na vida. Os jornais só aparecem para embrulhar encomenda. Estouros é um lugar sem aquele eletrodoméstico que ocupa o lugar central na residência da maioria dos brasileiros — um aparelho de TV.

O que é a TV? O menino Ivanei Carlos Martins, 10 anos, 7 irmãos criados por um lavrador de Estouros, que todos os dias caminha 12 km para ir à escola e voltar, explica: “É uma caixa de som com um espelho na frente”. O irmão mais velho, Wilson, já viu TV nas redondezas. Mas, se pudesse, Wilson não compraria um aparelho. Uma égua de 3 anos teria maior utilidade: “Eu descansaria das pernas. A gente anda sempre a pé ou no caminhão do leite”. Wilson assistiu a uma exibição do programa Aqui Agora, do SBT, e ficou de olhos esbugalhados. Não se conforma até hoje: “A gente vê batida de carro, roubo”, espanta-se. “Tem bandido que mata a pessoa à toa. Aqui não tem nada disso. Aqui a gente mata porco. E para comer”. Outro habitante de Estouros, Luciano Felisberto Filho, tem outra lembrança do único programa de TV a que já assistiu. “Não dá para assistir tanta coisa junta. Não entendo o que vejo. O povo fala muito”.

É mesmo estranha a vida sem o espelho falante do pequeno Ivanei. O povoado de Serra Velha, em Santa Catarina, que tem 300 habitantes e 60 casas, fica encravado numa montanha e o acesso é restrito a uma única estrada. Ali nunca se ouviu falar do ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso. Tampouco de Roberto Carlos ou Pelé. O ídolo naquelas paragens é o professor Santanor Petersen, único na região, proprietário de uma caminhonete que faz 30 km/h como velocidade máxima. Bem diferente dos veículos saídos de uma linha de montagem, a caminhonete do professor Petersen tem a carroceria de madeira, que sobrou de um corte de árvores, e o motor de um barco. Pessoa mais bem informada da cidade, o professor não sabe que o atual presidente da República se chama Itamar Franco.

Esse país indiferente à passagem do tempo, com muito menos dinheiro e conforto, menos violência e perversidade, integra uma das mais bem-sucedidas utopias nacionais. A do Brasil rural, de pessoas simples e valores estabelecidos, de pequenos heróis e pequenos vilões naturais em qualquer parte. É um país delicioso de ver e explorar, como descobriram as novelas rurais que a Globo produz e eles não vêem. Mas é uma utopia urbana achar que o povo desses lugares quer ficar assim. TV é eletricidade, eletricidade é progresso, e não há como preferir um lampião de querosene a uma lâmpada, nem é possível achar que o cidadão que não sabe o nome do presidente é mais feliz do que aquele capaz de recitar a lista de todos os ocupantes do Planalto de 1964 para cá. É só mais ignorante.

Há 6 meses, em Lagoa do Oscar, lugarejo do interior de Minas, correu o boato de que, enfim, os postes de luz chegariam ao local. Foi um alvoroço. O roceiro Domingos Ferreira Conceição, um senhor já de meia-idade, percorreu 110 km apenas para fazer uma troca. Entregou uma espingarda nova para um muambeiro, que lhe deu uma TV portátil trazida do Paraguai. O roceiro aguardou 4 meses pela luz. Como ela não veio, vendeu a TV para um caminhoneiro, que pagou 20 mil cruzeiros reais por ela. Mas não desistiu. “As crianças só falam do dia em que terão uma TV em casa”, diz.

Com 3 mil moradores, a 700 km de Salvador, Muquém do São Francisco é outro exemplo. Ali não existe luz elétrica, água encanada nem rede de esgoto. Mas tem TV. Um aparelho, de propriedade da prefeitura, ligado a um gerador a óleo diesel. Todos os dias, o funcionário Francisco Raimundo Cardoso pega o televisor de 20 polegadas em um barraco onde ele fica trancado e o transporta até a praça da cidade. Ali, cercada com arames farpados, a TV fica ligada das 6 da tarde até às 11 da noite.

Muquém é um município paupérrimo, com orçamento de 10 milhões de cruzeiros reais por mês. Com esse dinheiro, o prefeito Carlos Moreno Pereira paga o salário de 130 funcionários públicos e investe 2 milhões de cruzeiros reais na área de saúde. As escolas da cidade lhe custam o mesmo que a conta do gerador da TV: 4 milhões por mês. Até o prefeito acha um absurdo. “É um luxo gastar dinheiro com o gerador”, reconhece. Mas não há alternativa. Desde que a TV foi instalada, no final de 1991, é sucesso absoluto. Nos dias normais, reúne 30 pessoas na praça. Em grandes momentos, passa de 80. Quando se transmite futebol, a plateia se divide. As mulheres querem ver as novelas; e os homens, futebol. A última palavra é da primeira-dama, Vera Lúcia Pereira, que sempre acaba dando preferência à plateia feminina.

Captava por antena parabólica diretamente do Rio de Janeiro e de São Paulo, a TV de Muquém tem uma peculiaridade: não apresenta comerciais. Enquanto os telespectadores do país inteiro assistem a um carrocel de anúncios publicitários, ali a tela fica escura. O impacto sobre os hábitos de consumo é menor. A plateia só é atingida pelo merchandising inserido dentro dos programas. Por essa razão, as donas de casa começam a trocar os temperos caseiros por industrializados e ficam satisfeitas quando descobrem que a TV mostra a mesma pasta de dentes que guardam na despensa.

“A TV é vista em muitas comunidades como símbolo de status“, afirma a socióloga Sara Chicid da Via, da Universidade de São Paulo (USP). “As pessoas mudam de comportamento em função do que passam a ver”. Um dos mais antigos hábitos dos adolescentes de Muquém era o “papo do comitê”. Eles se encontravam todas as noites nas escadarias de um prédio utilizado como comitê de um partido político para conversar e fazer brincadeiras. “Eram mais de 20 pessoas”, lembra Carla Rejane Almeida, 18 anos. Nesses papos se falava , por exemplo, de Noemi, a garota mais bonita da cidade, e de Reivaldeo e Gildásio, os “gatos” mais paquerados. Agora não se fala mais disso. Estão todos assistindo à televisão na praça.

Saindo da ópera no ano 2000

Veja também: Previsões futurísticas para o ano 2000

Como são tolas e ingênuas nossas previsões futurísticas! Prova disso está no passado; ou melhor, nas previsões futurísticas feitas no passado, sobre como seria o mundo hoje. Veja por exemplo esse desenho, feito pelo ilustrador francês Albert Robida, em 1882, que mostra uma vista aérea de Paris com pessoas saindo de uma ópera no ano 2000. Dois graves erros: primeiro, os nossos carros ainda não voam; e segundo, salvo raríssimas exceções, as pessoas não vão mais a óperas.

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Nos detalhes abaixo, note que muitos tipos de aeronaves são mostradas, incluindo ônibus voadores, limusines e o que seriam, presumivelmente, veículos policiais. Alguns veículos se parecem com peixes. À esquerda da cena, entre os veículos voadores, podemos ver um restaurante, que, como o prédio da ópera, é elevado a uma enorme altura acima da cidade vagamente discernível abaixo. À distância, pode-se ver a Torre Eiffel.

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Fonte: The Public Domain Review.

A pré-história do futebol

Às vésperas da Copa, a revista Placar traz essa reportagem sobre as modalidades ancestrais do esporte mais popular do mundo, da China antiga à Inglaterra do século 19.

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2500 a.C., China – Tsu-chu

Foi desenvolvido por Yang-Tsé, um dos guardas do imperador Huang-ti e era disputado por soldados. A bola era o crânio de um inimigo derrotado, que, mais tarde, foi trocada por uma bola de couro. Sem deixá-la cair no chão, os jogadores tinham de passá-la entre duas balizas. O tsu-chu chegou à Coreia, ao Japão e Vietnã. Na Dinastia Tang (618 a 907), os postes ganharam uma rede. Perdeu espaço a partir da dinastia Ming (1368-1644).

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900 a.C., México – Pok ta pok

Entre os Maias da Península de Yucatan, o jogo era questão de vida ou morte. O líder da equipe derrotada era oferecido em sacrifício aos deuses. A bola, feita de borracha, simbolizava o Sol e era jogada, com os pés ou as mãos, em um buraco circular no meio de placas de pedra.

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800 a.C., Grécia – Episkyros

O esporte foi citado pelo poeta Homero no livro Sphairomachia. Era disputado em um campo que podia receber até 17 jogadores de cada lado. O objetivo era cruzar a meta adversária com a bola — o uso das mãos era livre —, feita de bexiga de vaca, areia e ar. Não foi tão popular quanto o arremesso de disco ou a corrida, mas teve praticantes.

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146 a.C., Império Romano – Harpastum

Quando os romanos invadiram a Grécia, adaptaram o episkyros a um exercício militar. A partida podia durar várias horas. O imperador Júlio César era um entusiasta da atividade pois gostava de ver seus soldados treinando força e habilidade ao mesmo tempo. Os romanos levaram o esporte à Europa, Ásia Menor e norte da África.

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58 a.C., França – Soule

Por influência dos romanos, os gauleses criaram um jogo parecido ao harpastum. As regras variavam em cada região. Não tinha muitas regras e, às vezes, descambava para a violência. Até que, já na Idade Média, o rei Henrique II o baniu. Quem insistisse em sua prática era condenado à prisão.

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644, Japão – Kemari

Era disputado por seis ou oito jogadores e tinha um caráter cerimonial, sem que fosse apontado um vencedor. Antes do jogo, os atletas abençoavam a bola em um templo. Um ancião, o Edayaku, rezava por prosperidade. Os jogadores formavam uma roda e passavam a bola um para o outro, sem deixá-la cair no chão e apenas com o pé direito.

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1580, Itália – Calcio Fiorentino

O nome “cálcio”, como os italianos chamam o esporte, surgiu em Florença, com esta versão. As regras teriam sido estabelecidas pelo músico e escritor local Giovanni Bardi. Ele instituiu a necessidade de usar dez juízes, por causa da longa extensão do campo. A bola, levada com as mãos ou os pés, era introduzida em uma barraca armada no fundo de cada campo. Da Toscana, o “cálcio”espalhou-se por todo o país.

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1175, Grã-Bretanha – Schrovetide Football

Desse ano vem o primeiro registro de um esporte parecido com o futebol entre os bretões, provavelmente uma adaptação das versões romana (harpastum) e francesa (soule). Ele era jogado durante a Schrovetide, que coincide com o nosso carnaval, festa na qual os ingleses comemoram a expulsão dos dinamarqueses. Para tanto, eles saíam à rua chutando uma bola de couro, que simbolizava a cabeça do invasor. Muitas pessoas participavam ao mesmo tempo, sem obedecer a nenhuma regra. O resultado era um exemplo de violência descabida, com alguns praticantes cheios de fraturas, sem alguns dentes e até mortos.

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1710, Londres – Football

Após estabelecer algumas regras, que variavam conforme a instituição, as escolas londrinas de Covent Garden, Strand e Fleet Street adotaram o futebol como atividade física. Em um deles, só o uso dos pés era permitido — a regra mais próxima do esporte praticado atualmente.

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1863, Inglaterra

A Football Association (Federação Inglesa de Futebol) unificou as regras do esporte, determinando, por exemplo, o número de participantes e o tamanho do campo. Com a expansão do Império Britânico, estudantes, missionários, marinheiros e colonos divulgaram a “invenção inglesa” e suas 17 regras pelo mundo.

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