“Mentes Brilhantes” se reúnem na Espanha para prever como será o mundo em 2050

Como será o mundo e a vida das pessoas em 2050? Esta pergunta foi feita pela revista espanhola XL Semanal para 6 pessoas consideradas visionárias em ciência e tecnologia, durante a 4ª edição do Congresso de Mentes Brilhantes, em Madri, na Espanha. Veja abaixo quais foram as previsões para um futuro não tão distante:

4CMB

O seu melhor amigo será um computador

“Em 40 anos teremos computadores com consciência, dotados de sentimentos e com uma personalidade própria. Você falará com o seu computador e ele saberá logo de cara qual é o seu estado de ânimo no dia. Ele conhecerá a sua alma e o seu coração melhor do que ninguém”, explicou Steve Wozniak, um dos fundadores da Apple.

Seremos jovens a vida toda

“Atualmente, já dispomos de ferramentas que nos fazem mais fortes e rápidos, mas elas são inorgânicas: um avião, um carro. Daqui para frente, contudo, teremos as ferramentas orgânicas. Também teremos medicamentos que nos permitirão viver mais. Daremos um salto: viveremos jovens até o dia da nossa morte (…). Hoje, já é possível reverter o envelhecimento de uma célula em laboratório. Quando fizermos isso dentro do nosso corpo, seremos jovens até o dia da nossa morte”, imagina George Church, famoso geneticista de Harvard.

Um governo poderá mudar a mentalidade da população

“Em 2050, a internet estará em nossas cabeças. Hoje, para aprender idiomas, você tem que passar um ano estudando e ainda assim não consegue falar perfeitamente uma nova língua. Porém, quando você puder instalar um novo idioma como você instala um novo aplicativo em um celular, você poderá ser fluente em uma nova língua rapidamente. O limite que separará as pessoas e seus computadores deverá desaparecer. Surgirão novos problemas: se em 2050 um governo tiver o poder de mudar a personalidade de sua população, será muito importante para todos que não existam mais ditaduras”, alertou Evan Henshaw-Plath, cocriador do Twitter.

Controle das doenças infecciosas que causam o câncer

“A idade de aposentadoria das pessoas aumentará para 78 ou 80 anos, que será uma etapa extremamente produtiva. Harald zur Hausen (prêmio Nobel de Medicina), descobridor do vírus do papiloma humano (HPV), me mostrou recentemente que, no ano de 2020, 60% dos cânceres estarão associados a doenças infecciosas, provocadas por vírus, bactérias, parasitas e fungos. Não sei se teremos vencido o câncer até lá, mas teremos o controle de muitas doenças associadas a ele”, afirmou Manuel Patarroyo, vencedor do Prêmio Príncipe de Astúrias e criador da vacina sintética contra a malária.

Será necessário ter licença para ser pai

“Atualmente, podemos modificar nosso corpo muito mais do que no passado. Dentro de 10 anos, o que mudará será sua biologia. Por exemplo, a paternidade será algo muito diferente. Hoje, para adotar uma criança, você precisa passar por uma série de exames. Chegará o dia que também haverá uma espécie de licença para ser pai. O que me parece bom”, diz Andy Miah, Diretor do Instituto de Futuros Criativos, da Escócia.

Redes sociais lerão seus pensamentos

“Viveremos conectados: você não irá mais a nenhuma parte sem que ninguém saiba. Cada vez mais informações serão gerenciadas com o objetivo de prevenir congestionamentos, acidentes… Porém, isso também será usado para controlar as pessoas. Será inevitável. Hoje, o Facebook pergunta para você o que você pensa. Em alguns anos, ele não fará mais isso, pois saberá a resposta. Já estamos todos geolocalizados. Há 15 anos, quem mais sabia da sua vida era a sua mãe, hoje é o Facebook e o Google. Em 2050, todos saberemos o que todo mundo faz”, profetizou o especialista em tecnologia Javier Sirvent.

Fonte: History.

Mais rápido, mais rápido, mais rápido!

Artigo de Alexandre Rodrigues no Valor Econômico.

pontualidade tempo

Primeiro quase não havia o tempo. Ainda que o avanço do dia pudesse ser medido pelos relógios de sol e da noite pelos de água (parecidos com esses que ainda enfeitam shoppings), os horários mais confiáveis ainda eram a alvorada, o sol a pino e o anoitecer. Por milênios, para as civilizações, medir o tempo – exceto os responsáveis pelos sinos das igrejas que anunciavam as missas – nunca foi propriamente uma obsessão. Então, em algum ponto entre os séculos 18 e 19, a história mudou. Máquinas e fábricas e, mais tarde, trens e cabos telegráficos lançaram o mundo em um ritmo de vida com relógios, horários e pressa, muita pressa – a revolução industrial.

Dois séculos depois, a humanidade vive uma doença do tempo, afirma o sociólogo alemão Hartmut Rosa, em “Beschleunigung und Entfremdung” (aceleração e alienação), ensaio ainda não publicado no Brasil. Fazendo eco a uma reclamação generalizada, ele aponta que o excesso de atividades anulou os ganhos que a tecnologia trouxe ao tempo das pessoas. O resultado é uma epidemia mundial de estresse, ansiedade e insônia. “Vivemos para realizar tantas opções quanto possível da paleta infinita de possibilidades que a vida nos apresenta”, diz. Viver intensamente se tornou o principal objetivo do nosso tempo. “No fim do dia, nunca fizemos todas as coisas que deveríamos ter feito. Não trabalhamos o suficiente, não nos importamos o suficiente com as nossas crianças e pais, não estamos em dia com as notícias. O número de dimensões em que é suposto ‘otimizar’ a nossa vida, literalmente, explodiu nos últimos anos e não importa o quão rápidos e eficientes somos, nunca é o suficiente”.

Rosa, autor de outros trabalhos sobre a velocidade na vida moderna e professor da Universidade de Jena, na Alemanha, aponta que nosso atual ritmo de vida é fruto de três tipos de aceleração: mecânica, da mudança social e do passo da vida. Iniciada com a revolução industrial, a aceleração mecânica modificou as comunicações, a produção e os transportes. Como consequência, provocou mudanças nas sociedades que alteraram o ritmo da vida. Resultado: mais aceleração. Se de Júlio César a Napoleão a velocidade máxima para alguém ir de um lugar a outro continuou a mesma (a de um cavalo), os motores, primeiro nos trens e navios no século 19, depois nos aviões e automóveis 100 anos depois, encurtaram distâncias e aproximaram o mundo. O mesmo ocorreu nas comunicações a partir da invenção do telégrafo. As fábricas adotaram os horários para organizar a produção e a humanidade ganhou uma companhia: os relógios. Os operários agora precisavam morar perto do trabalho e isso os agrupou nas cidades, criando as metrópoles modernas.

Vistas na época, essas mudanças traziam a promessa de que seres humanos finalmente seriam capazes de moldar sua vida em comum e criar sociedades que os pensadores clássicos e da Renascença tinham imaginado. O resultado deveria ser uma era de razão em que a felicidade, a prosperidade e a liberdade deveriam ser para todos. No entanto, desde o início, quanto mais a tecnologia economizava tempo, mais ocupados todos se tornaram. “A lógica da competição militar e dos Estados teve um papel nisso, e a ideia de que podemos ter algo parecido com uma ‘vida eterna antes da morte’ se a gente for rápido o bastante para fazer um número indefinido de coisas antes de morrer, também”, explica Rosa. Mas o papel mais importante é do capitalismo. “Para crescer, economias capitalistas precisam acelerar e inovar incessantemente. Se param de crescer e acelerar, perdem empregos, empresas fecham as portas, as receitas do Estado entram em declínio e, como consequência, o sistema político perde legitimidade”.

Esse processo, que já seguia em ritmo forte desde a revolução industrial, adquiriu uma velocidade alucinante a partir dos anos 1970, com a revolução dos computadores. Cada nova tecnologia passou a ser anulada pela produtividade. E com a globalização, não só trabalhadores, mas também países, entraram em competição. “Como o trabalho cada vez mais especializado aumenta a produção, aumenta a quantidade de produtos e serviços que precisam ser consumidos”, diz a dupla de sociólogos americanos John P. Robinson e Geoffrey Godbey. O resultado é um impulso para o consumo constante, seja de produtos, serviços ou viagens. Em resposta, a própria percepção do tempo começou a mudar. James Tien e James Burnes, professores de matemática aplicada do Instituto Politécnico Rensselaer, nos Estados Unidos, analisaram o crescimento das estatísticas de produtividade e emissão de patentes em 1897 e 1997 para concluir que a percepção da passagem do tempo para um jovem de 22 anos é 8% mais rápida do que para alguém da mesma idade um século atrás. Para alguém com 62 anos, a vida hoje se passa 7,69 vezes mais rápida. A aceleração, dizem outros estudos, continua aumentando essa sensação.

As consequências são conhecidas de médicos desde quase o surgimento das máquinas. No fim do século 19, denunciava-se uma epidemia de neurastenia, causada pelo ritmo de vida nas cidades. Com o avanço dos estudos, Larry Dossey, médico americano, criou, nos anos 1980, a expressão “doença do tempo” para descrever a crença obsessiva de que o tempo está passando e a única solução é acelerar o ritmo de vida. Dois psicólogos cardíacos americanos, Diane Ulmer e Leonhard Schwartzburd, da Universidade de Berkeley, concluíram em um estudo, “Coração e Mente”, que a pressa extrema e constante pode afetar a personalidade e as relações sociais, levando também a estresse, insônia, problemas cardíacos e de concentração. A sensação de pressa também cria um estado de busca de ganhos imediatos, mesmo se há chance de uma recompensa maior no futuro, e reduz a propensão para fazer economia. “Descobrimos que até mesmo a exposição a símbolos de fast-food pode aumentar automaticamente a pressa, mesmo sem a pressão do tempo”, diz Chen-Bo Zhong, psicólogo canadense da Universidade de Toronto, que conduziu, com Sanford E. DeVoe, o estudo “Fast-Food e Impaciência”. No Japão, onde a pressa se junta à pressão social, colapsos são tão comuns que há no vocabulário uma palavra, “karoshi”, para os casos de trabalhadores que morrem com sobrecarga de trabalho.

Economistas se deram conta do fenômeno depois que o sueco Staffan Linder (1931 – 2000), publicou, nos anos 1970, “A Classe Ociosa Atormentada”, prevendo que os trabalhadores se tornariam atarefados demais para o lazer. Décadas depois, não só as previsões se confirmaram (segundo a socióloga americana Juliet Schor, 37% do tempo de lazer foi perdido nas nações industrializadas desde meados dos anos 1970) como a aceleração tecnológica mudou drasticamente a economia. “Tem sempre um mercado aberto. Tem que estar sempre ligado no celular ou Skype“, comenta Gabriel Franke, operador de mesa da corretora XP Investimentos. Com o “home broker” e as bolsas eletrônicas, cotações mudam segundo após segundo, afetando todos, e as negociações nos mercados podem seguir em qualquer hora ou lugar. “Às vezes tem cliente que está posicionado numa operação que tem influência de mercado lá fora e aí fico de olho mesmo. E alguns mercados, como o de moedas, nunca fecham”. Tempo para o lazer? “Acabo tendo algum no domingo”, diz.

Os efeitos são ainda mais sentidos no mundo digital. Segundo Eric Schmidt, CEO do Google, o volume de informação produzida desde o início das civilizações até o ano de 2003 equivale ao que é produzido hoje a cada 2 dias! A capacidade de processamento dos computadores, seguindo a chamada Lei de Moore, continua a dobrar a cada 18 meses. Mas também há aceleração drástica no crescimento da população: O número de pessoas nascidas desde 1950 é o mesmo dos primeiros 4 milhões de anos da humanidade! Houve crescimento até no número de doenças descobertas (28 novas infecciosas desde os anos 1970, de acordo com a Organização Mundial de Saúde). A aceleração, porém, não é a mesma para todos. Em um estudo chamado “A Geografia do Tempo”, o psicólogo social americano Robert Levine, da Universidade da Califórnia, pesquisou a maneira como os habitantes de 31 cidades pelo mundo vivenciam o tempo. Em um exercício curioso, os pesquisadores mediram a velocidade das pessoas para percorrer um trecho de 18 metros. Os japoneses caminham mais apressados. Os brasileiros ficaram com o 28º lugar. Em um trabalho parecido, pesquisadores da Universidade de Hertfordshire, na Inglaterra, concluíram que a cada 10 anos as pessoas faziam o mesmo trecho um segundo mais rápido.

Empregos, relacionamentos, amizades e até laços familiares, nada mais é para sempre. Foi isso o que levou Rosa a escrever o ensaio, um processo que ele chama de “alienação”. O termo, tomado emprestado de Karl Marx, é o resultado final das mudanças sociais, quando o próprio ritmo da vida é alterado, exigindo novas tecnologias, que vão criar mais mudanças sociais e mais alterações do ritmo da vida, como em um círculo que se retroalimenta. “Alienação envolve um estado em que as pessoas já não se sentem em casa no seu mundo porque têm que mudar de lugar, trabalhos, ferramentas, rotinas, amigos e, talvez, até mesmo famílias o tempo todo”, aponta Rosa. Movimentos pela desaceleração acompanham a própria história da aceleração. Sua versão moderna desde os anos 1990 prega a opção pela lentidão. O pioneiro, o movimento “slow-food” (comida lenta), foi fundado pelo italiano Carlo Petrini em 1986 em reação à presença de uma filial do McDonald’s no centro histórico de Roma e reage ao fast-food. Inspirados nos viajantes-escritores do século 19, os praticantes do “slow-travel” (viagem lenta) advogam o envolvimento dos turistas com os locais visitados. Artistas do “slow-art” (arte lenta) produzem – e também defendem que seja assim a apreciação das obras – com todo o tempo do mundo. Há ainda a “slow-fashion” (moda lenta, que rejeita as roupas produzidas em massa, preferindo as costuradas à mão) e o “slow-data” (dados lentos, chega de produzir tanta informação). Cada um leva a seu campo a luta contra o relógio.

E, como tudo começou com a tecnologia, por que não reduzir o ritmo da ciência? “Precisamos ter tempo para pensar muito cuidadosamente sobre cada avanço científico – a fim de descobrir a melhor maneira de usá-lo no mundo real”, afirma Carl Honoré, escocês radicado no Canadá, autor do best-seller “Devagar”. Em 1990, ele esperava um voo no aeroporto de Roma, quando leu um texto chamado “A História de Dormir de um Minuto”, em que autores condensavam clássicos das histórias infantis para pais sem tempo. Foi o ponto de partida para se tornar um militante da desaceleração. “Eu não acho que devemos reduzir a ciência. Pelo contrário. Eu acho que precisamos usar a ciência de forma mais sensata. E a sabedoria e a lentidão andam de mãos dadas”. “Eu sou muito cético quanto a esses movimentos”, rebate Hartmut Rosa. “Na verdade, sempre houve movimentos sociais e culturais contra a alta velocidade da modernidade. Por exemplo, em Paris, por volta de 1900, houve uma moda de andar com tartarugas em uma coleira, como forma de protesto. Mas, no fim, a velocidade sempre vence”, diz.

Resta ainda a pergunta: aonde a aceleração nos levará? Alguns estudiosos como Raymond Kurzweil, otimistas, apontam para a singularidade tecnológica, um grande salto científico, previsto para o século 21, capaz de resolver quase todos os problemas – econômicos, ambientais, sociais. Para o sociólogo alemão, contudo, o pior perigo é a aceleração se tornar uma forma de totalitarismo. E ele não tem nenhuma sugestão para controlar o monstro. “No momento eu não tenho sequer um esboço de como isso poderia ser feito”, lamenta.

Previsões para os próximos 100 anos

A BBC compilou uma interessante lista de possíveis acontecimentos notáveis para os seguintes 100 anos baseando-se na contribuição de seus leitores e na curadoria editorial dos futurólogos ingleses Ian Pearson e Patrick Tucker.

Crescimento da aquicultura: Extensas áreas dos mares do mundo serão forçadas a se converter em fazendas. Se a população mundial estiver realmente batendo na casa dos 10 bilhões de habitantes, conforme indicam as projeções, teremos que avançar nas produções alternativas de alimentos. Não apenas na criação de peixes, frutos do mar e vegetais marinhos, como também de diversas algas marinhas geneticamente modificadas. Elas podem absorver mais nitrogênio do ar e eliminar a necessidade do uso de água doce no cultivo. Com isso, sobra mais água para outras funções. Ian Pearson considera que esta tendência é inevitável, já que teremos que alimentar 10 bilhões de pessoas e a terra firme não terá mais pasto. O cultivo de algas para produzir energia renovável, para matérias primas e a extração de recursos é uma das alternativas mais plausíveis para a sobrevivência. Algas geneticamente modificadas para absorver mais nitrogênio poderiam liberar até 68% da água que é usada atualmente na agricultura convencional. Por outro lado recentemente descobriu-se que o fundo do oceano é similar a um bosque tropical quanto à enorme quantidade de biodiversidade e se revela como uma fonte de grande riqueza para o futuro (ainda que isso talvez signifique uma exploração indiscriminada).

Comunicação por pensamento: Será que a telepatia deixará de ser ficção científica? Os futurologistas acreditam que sim. A tecnologia de interação entre cérebro e equipamentos eletrônicos tem caminhado a largos passos nos últimos tempos. Acredita-se que uma realidade em que chips transmitem impulsos entre dois cérebros, proporcionando a comunicação entre eles, não está tão distante assim. Os editores da BBC pensam que isto é totalmente provável: “Recolher pensamentos e reproduzir em outro cérebro não será mais difícil que armazenar na internet. A telepatia sintética soa como algo de Hollywood, mas é completamente possível, desde que a comunicação se entenda como sinais elétricos e não palavras”. Atualmente já existem numerosos aparelhos – alguns deles sem fio – que traduzem as ondas cerebrais de uma pessoa e o transmitem a uma máquina, de forma a controlar uma cadeira de rodas, por exemplo, com a mente. A complexidade das mensagens que podem ser traduzidas sem dúvida aumentará. O limites é difícil de marcar, mas alguns cientistas já mapeiam o cérebro para extrair imagens do mesmo, inclusive pesquisam a possibilidade de gravar os sonhos. Simultaneamente a neurociência avança de tal forma que identifica neurônios individuais para certos processos mentais: talvez em 100 anos poderemos conhecer literalmente o pensamento de outra pessoa a distância, sem a necessidade de que o exteriorize. Haverá quem, no entanto, considere que teria sido mais fácil desenvolver a capacidade natural de empatia (essa outra palavra para descrever o que conhecemos como telepatia.)

Homens biônicos e imortais: O filme “O homem bicentenário”, lançado em 1999, plantou no imaginário da população a ideia de um humano ciborgue que poderia viver eternamente. Os especialistas também vêem boas chances de isso ser uma realidade em 2112, graças ao casamento entre a tecnologia e a genética. Alterações no DNA, combinadas a conceitos de robótica avançada, deverão ser capazes de criar o que se chama de “Inteligência Artificial”. Ian Pearson acha que é provável que o ser humano consiga a imortalidade digital, isto é que consiga descarregar uma consciência a uma máquina por um tempo ilimitado. Isto será assistido pela modificação genética que permitirá incrementar a longevidade “fazendo com que as pessoas se mantenham vivas até que a tecnologia de imortalidade eletrônica esteja disponível a um custo relativamente accessível”. O futurista Ray Kurzweil, conhecido por seu tecno-otimismo, acha que isto ocorrerá no ano 2045 com a chegada da suposta singularidade tecnológica, o ponto crítico de expansão exponencial do conhecimento: em outras palavras o momento no que a tecnologia nos fará surgir de nossas cinzas – ou trajes de macacos – para cruzar a ponte da história para o super-homem.

Controle da meteorologia: A previsão do tempo, que às vezes ainda falha e estraga nossos planos para o final de semana, poderá deixar de ser suposição para se tornar apenas um anúncio, nos próximos cem anos. A geoengenharia, na verdade, já tem feito vastas experiências no controle da direção e intensidade de tornados e na criação de chuva artificial. Parece plausível, para os pesquisadores, que daqui a cem anos o homem já saiba definir exatamente se amanhã vai fazer tempo bom lá fora ou não. Algo que os editores da BBC consideram muito provável, já que existe na atualidade tecnologia capaz de mediar tornados, gerar chuva e inclusive desviar meteoros (por não falar das versões conspiracionistas de que existe tecnologia para criar terremotos, como supostamente é o caso do HAARP). Assim mesmo, devido à mudança climática, está-se empilhando um grande conhecimento sobre como funciona o clima e os sistemas meteorológicos. Existe uma corrente na ciência que é favor a geoengenharia – incluindo Bill Gates -. Por outro lado, há os que consideram que a modificação climática artificial signifique um grande risco por alterar os padrões e ritmos naturais de um sistema holístico como o terrestre, algo que poderia ser similar a abrir a mítica caixa de Pandora.

Abertura econômica da Antártida: Hoje em dia, há pouco mais do que pinguins e bases científicas de alguns países habitando o solo do continente gelado, mas os futurologistas afirmam que essa realidade está com os dias contados. Conforme o ritmo ditado pela nossa necessidade de expansão, a humanidade terá que ocupar e desenvolver algumas áreas da Antártida. A dúvida é se isso poderá ser feito sem danos ao meio ambiente. Um dos pesquisadores, aliás, acredita que o Ártico será “colonizado” ainda antes da Antártida. Ainda que exista um movimento conservacionista para preservar a Antártida (assim como o Ártico) como uma espécie de reserva natural, também há crescente pressão para explorar os recursos (minerais, petróleo e gás) que podem existir nesta zona polar. Terá que ver se esta exploração acontecerá de maneira harmônica, respeitando leis internacionais ou acabará sendo, como costuma acontecer, um novo e descontrolado colonialismo industrial. Por outro lado poderia acontecer um novo conflito político internacional, já que, como todos sabemos, ali se encontra a entrada à civilização perdida de semideuses e, no Ártico, a reserva mundial de kriptonita, que será muito útil uma vez que sejamos invadidos pelos extraterrestres.

Adoção de moeda única para o mundo: A União Europeia foi a primeira a caminhar nessa direção com a implantação do Euro para todos os países afiliados. A internet tem acelerado essa tendência, já que facilita as formas de pagamento e transações financeiras internacionais, mesmo que o dinheiro dos países em questão seja diferente. Alguns especialistas, no entanto, acham que a internet está levando as coisas justamente para a direção contrária: haverá cada vez mais moedas, e não menos. Os editores da BBC dividem-se neste caso. Por um lado consideram que é plausível, já que uma divisa eletrônica única poderia unificar e facilitar transações (e tem sido algo que diferentes organismos, desde a ONU e inclusive Rússia e China têm pedido). Por outro lado, ante a crise econômica mundial, existe também uma tendência em sentido oposto (o fracasso do Euro poderia inclinar a balança). A internet permite novas formas de intercâmbio de valor, como as bitcoins ou o dinheiro do Second Life. Analistas como Douglas Rushkoff anunciam o regresso do dinheiro local, programado por pequenos grupos para permitir o intercâmbio fora dos asfixiantes paradigmas marcados pelos grandes bancos. Há quem assinale também, que um dos supostos propósitos da chamada Nova Ordem Mundial seria justamente instaurar uma moeda global virtual que possa ser controlada por um banco central.

Cérebros auxiliados por computadores: A projeção é ainda mais precoce do que o estabelecido: os especialistas acreditam que muitas pessoas já terão acesso, em 2050, a uma tecnologia computadorizada que fará o cérebro trabalhar de forma mais rápida e eficiente, com ganho para a memória e o raciocínio. Em 2075, já deve ser algo relativamente popular na maioria dos países do mundo. De novo isto é altamente provável, o emprego da nanotecnologia e da hibridização biotecnológica para aumentar a função cerebral é uma tendência sem retorno. Os editores da BBC acham que em 2075 o melhoramento das capacidades cognitivas com a ajuda das máquinas será algo tão distribuído, que aqueles que não tiverem acesso a esta tecnologia estarão defasados, talvez criando uma divisão entre humanos turbinados e humanos não turbinados.

Saúde mantida por nano robôs dentro do corpo: Embora não haja muita segurança (a estimativa dada por um dos pesquisadores, em uma escala de 0 a 10, é 7), é possível que o nosso organismo no futuro seja habitado por dezenas de minúsculas máquinas responsáveis por curar células e fazer o papel da maioria dos remédios atuais. A nanotecnologia tem avançado em um bom ritmo, mas não se sabe ao certo se mais cem anos serão suficientes para atingirmos esse patamar. Ainda que atualmente os nanobots existem só em teoria, este campo cresce com velocidade e não há nada (em teoria) que o detenha. Aparelhos microscópicos poderão interagir com nossas células individuais e consertá-las em tempo real antes de que estas se degenerem.

Controle da fusão nuclear: A maior parte dos problemas energéticos do mundo poderia ser resolvida se a ciência aprendesse a controlar a fusão nuclear, que é o modo como se gera energia em uma estrela. Com ela, poderíamos potencializar e baratear imensamente a produção de eletricidade. Os especialistas afirmam que a descoberta desse mecanismo físico são favas contadas, e deve acontecer ainda antes de 2050. Outras formas alternativas de energia também devem ganhar impulso nas próximas décadas. Para 2040 isto será altamente provável. E então poderemos fazer como os núcleos das estrelas, gerando a energia cósmica fundamental que põe em movimento os astros no universo. No entanto, os editores da BBC acham que a energia eólica não será das prediletas e se tornará impraticável e obsoleta.

O mundo só falará inglês, espanhol ou mandarim: Especialistas afirmam que as línguas menos faladas tendem a restringir sua circulação e eventualmente serem esquecidas ao longo do tempo. Nessa projeção, um dos participantes da enquete postulou que em cem anos só sobreviverão os idiomas inglês, mandarim e espanhol, e os demais cairão pouco a pouco em esquecimento. Em quase todas as escolas do planeta, segundo os pesquisadores, haverá o ensino de pelo menos um destes idiomas nas próximas décadas. Outra tendência forte com a globalização. Os idiomas “menores” estão desaparecendo a um ritmo acelerado e os outros idiomas maiores, excetuando se o português, como o alemão, o russo, o francês, são falados geralmente em áreas nas quais a maioria das pessoas falam também alguns destes três idiomas.

Fragmentação dos EUA: Daqui a cem anos, é possível que os Estados Unidos não sejam mais tão unidos assim. Alguns indicadores no Estado da Califórnia, o mais rico e populoso da nação norte americana, apontam para a possibilidade da Costa Oeste se emancipar do resto do país. Parte destas pressões está relacionada à economia: em outras palavras, a Califórnia sustenta vários estados americanos e pode acabar se cansando disso. Já existem certos indícios de que Califórnia quer se separar dos EUA e isto poderia se intensificar. A enorme diferença entre a capacidade de geração de riqueza em um país tão grande pode ser uma bomba relógio; também, a diferença ideológica gerada em um Estado próspero no qual coincidem diversas etnias e formas de conceber a existência poderia influir.

Elevadores espaciais: A ficção científica já se deleitou com a ideia de fazermos um elevador que leve as pessoas diretamente da Terra em direção a uma estação espacial, sem a necessidade de foguetes. Os especialistas afirmam que esta é uma meta palpável para o começo do próximo século, embora ainda não se saiba quão populares e baratas estas viagens serão. Aparentemente os elevadores espaciais constituem um passo lógico no desenvolvimento do turismo espacial e ao multiplicar-se tornarão menos custoso o transporte ao espaço. Por outro lado, o desenvolvimento em massa desta tecnologia supõe certa prosperidade mundial, algo que no momento contempla nuvens escuras em seu futuro.

Flexibilização do casamento: Para efeitos legais, a frase “até que a morte os separe” pode perder seu valor. Especialistas projetam que os contratos de casamento tendem a deixar de ser vitalícios, e passem a durar uma década ou até um ano. O aumento da expectativa deve dar um empurrão a essa tendência: se as pessoas começarem a ultrapassar cem anos de idade, não vão querer que um casamento aos 20 precise durar para sempre. O preferível, conforme eles explicam, são relacionamentos que não resultem em falência para um dos lados no caso de divórcio. A instituição do casamento como conhecemos pode declinar. Em um futuro não tão distante poderemos viver mais de 100 e talvez centenas de anos, quando então a perspectiva de passar toda a vida com apenas uma pessoa deve se alterar. “As pessoas desejarão casamentos que não durem para sempre e que não os deixem na falência quando acabem”, diz Ian Pearson.

Casamento gay em 80% dos países: Segundo os especialistas, praticamente todo o mundo ocidental já irá tolerar legalmente a união entre duas pessoas do mesmo sexo daqui a cem anos. Essa meta, no entanto, não parece tão tangível para 2112 em alguns países cuja religião exerce uma forte influência contrária. Com base nisso, calcula-se que a porcentagem de nações adeptas da união homo afetiva deve girar em torno de 80%.

Predomínio da inseminação artificial: Será que é possível imaginar um futuro onde a maioria das mulheres engravide de maneira artificial ao invés do modo tradicional, por um homem? Os especialistas não descartam essa possibilidade. Com o tempo, a manipulação genética tornará cada vez mais fácil a escolha exata das características do filho antes do nascimento. Mas é claro que isso não significa, necessariamente, que a velha técnica para fecundação através da relação sexual fique em segundo plano.

Museus de todos os ecossistemas: Alguns especialistas acreditam que quase toda a variedade natural da Terra, nos dias de hoje, ainda será conservada daqui a um século. Grande parte desses ecossistemas, no entanto, estaria confinada a museus, já que o habitat original terá desaparecido. Assim como continua crescendo a degradação da natureza através de várias formas, também aumentam as ferramentas de preservação. Dessa maneira, o futuro permanece incerto no quesito ambiental.

Desertos se tornarão florestas: Alguns dos maiores desertos do mundo começam a ser mais verdes. Áreas que antes eram áridas e sem flora passam a ter alguma vegetação. Não se sabe até que ponto esse processo estará em andamento e quando isso vai acontecer, mas não é uma possibilidade inviável.

Países deixarão de existir para dar lugar a um governo mundial: Esta premissa, sugerida por um leitor da BBC, não teve muita aceitação entre os futurologistas. Acredita-se que o mundo caminha justamente na direção oposta: com o passar do tempo haverá cada vez mais países, as nações muito grandes devem ser subdivididas. Pearson vê todo o contrário, a formação de pequenos países, alguns inclusive formados por corporações. A ponta de lança serão os multimilionários que controlam novas tecnologias que buscarão criar estados soberanos – pequenas utopias – em águas internacionais. Ainda que claramente temos a versão conspiracionsita de um estado global totalitário – com microchip incluído. Ou a versão new age otimista em que todas as nações se unirão sob princípios elevados de liberdade e compaixão. Claro que para isto seria necessário um acontecimento transformador (ou cataclísmico) que altere radicalmente nossa forma de vida (e, lógico, nossa consciência).

Guerras serão feitas completamente por controle remoto: Em uma escala de 0 a 10, um dos futurologistas deu a nota 5 para as chances dessa realidade acontecer. Não se sabe se no futuro a figura de soldados, combatendo entre si, realmente dará lugar somente às maquinas e armas de destruição em massa. Essa é uma tendência relativamente forte com o desenvolvimento dos drones (aviões não tripulados). No entanto, a atração dramática de levar soldados à guerra para alimentar a máquina de sacrifício e criar entretenimento mediático é uma arma cujo desuso custará ainda um grande trabalho aos governos ocidentais.

A Grã-Bretanha viverá uma revolução: Apesar de trabalhar em uma empresa estatal, Ian Pearson, diferente dos demais, não abandona a fleuma britânica, assinala que isto não é de todo provável. A verdade é que este último item indica mais um desejo desesperado dos britânicos do que uma predição; e se nos limitarmos à história recente, têm razão, viverá uma revolução… para pior. Existe até uma piada recorrente na rede que dá conta que os europeus são os novos brasileiros: “Estão dando olé no futebol, ouvindo música lixo brasileira e catando papel na ventania”.

Por que dividimos o tempo de 60 em 60?

Foi a civilização suméria, cerca de dois mil anos antes de Cristo, que criou o sistema numérico sexagesimal. A escolha é bastante particular, já que a maioria das sociedades humanas escolheu 5, 10 ou 20 como seu número-base. Os sumérios achavam o 60 bastante flexível já que ele é o menor número simultaneamente divisível por 1, 2, 3, 4, 5 e 6. Se isso já é uma vantagem hoje, imagine naquela época, quando as continhas eram feitas usando os dedos das mãos. Foi essa facilidade que fez com que o 60 ganhasse aura de número “mágico” e se tornasse tão importante para aquele povo.

Essa base sexagesimal deu origem a diversas unidades antigas, como a dúzia (12), submúltiplo de 60 (60 dividido por 5), que foi usada para dividir a parte clara e a parte escura do dia em 12 horas cada. “Só não dividiram as partes do dia em 60 porque ainda não havia instrumentos que pudessem chegar a essa fração tão pequena de tempo”, diz Roberto Boczko, do Instituto de Astronomia da USP. Quando os instrumentos tornaram-se mais precisos, notou-se a possibilidade – e a necessidade – de subdividir-se a hora. Assim, em 1670, surgiu o “minutum” que, em latim, significa “pequeno”. Foi o cientista holandês Christian Huygens, responsável pela divisão, quem decidiu manter a tradição suméria. Por volta de 1800, a necessidade de medir intervalos ainda menores levou ao aparecimento de um “pequeno de segunda ordem”, o que hoje chamamos só de segundo.

Fonte: Superinteressante.

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