Duque, marquês, conde, visconde, barão… Entenda o significado dos títulos da nobreza

A relação de hierarquia dos títulos da nobreza é muito diversa em diferentes culturas medievais. Na maioria das monarquias ocidentais (praticamente toda a Europa), segue-se esta relação de hierarquia: Imperador, Rei, Regente, Príncipe imperial, Príncipe real, Grão-príncipe, Príncipe, Infante, Arquiduque, Grão-duque, Duque, Conde-duque, Marquês, Conde, Conde-barão, Visconde, Barão, Baronete, Cavaleiro e Escudeiro. Veja a seguir o significado e o grau de importância dos títulos mais comuns:

DUQUE – Depois da família real, é o mais elevado título de nobreza nas principais monarquias ocidentais. Tem origem no Império Romano, cujos comandantes militares recebiam o nome de dux, palavra latina que significa “aquele que conduz, o que vai à frente, o pastor”. O primeiro duque de que se tem notícia foi o de Castellanos, no século 12. Na Idade Média, o duque era merecedor de honrarias como se fosse parente do rei. Na Rússia havia o título de grão-duque, entre o duque e o czar, e na Áustria a mesma distinção foi instituída com o título de arquiduque. Em 28 de junho 1914, o assassinato de um deles, Francisco Ferdinando, fez eclodir a Primeira Guerra Mundial.

MARQUÊS – Na hierarquia da nobreza, é inferior somente ao duque. Seu nome vem do provençal, dialeto medieval falado no sul da França. Ali se chamava originalmente de marquês o intendente de fronteira – também chamado de “governador de marca”. Marcas eram distritos localizados em zonas de proteção nas regiões fronteiriças ou não pacificadas. Nessas áreas, o marquês tinha amplos poderes e respondia pela administração civil e defesa militar. Ou seja, era o senhor de terras fronteiriças.

CONDE – Na Roma Antiga, o vocábulo latino comes, comitis, aquele que acompanha – que deu origem à palavra “comitiva” – se referia à aqueles que viviam na órbita direta do imperador, seus assessores e oficiais palacianos. Compunham o conselho particular do monarca e o acompanhavam em viagens e negócios, quando exerciam função adjunta e poderes delegados pelo soberano. O valete, conhecido personagem das cartas do baralho, é o mesmo que conde. Visconde era o mesmo que vice-conde, do latim vice comitis, ou seja, o substituto do conde, designado para desempenhar suas funções quando ele estivesse impedido ou ausente – na realidade, o funcionário que substituía o conde na administração do condado. A partir do século 10, o título passou a ser outorgado também aos filhos dos condes.

BARÃO – Título imediatamente inferior ao de visconde, o berço dessa palavra se encontra no germânico baro, que, originalmente significava “homem livre”, embora os oficiais assim chamados fossem dependentes diretos do rei. O título era concedido a pessoas de destaque na comunidade pelo seu bem-sucedido desempenho profissional. No Império Romano, era um cargo administrativo cujo ocupante se incumbia da fiscalização dos prefeitos que atuavam nas redondezas da capital romana. O título foi criado pelo imperador Adriano para premiar soldados e administradores que se destacavam em suas atribuições, mas que não tinham direito a assento na alta nobreza de Roma. No Brasil, ficaram famosos os barões do café, elite rural que comandou a vida do país por décadas. O barão era popularmente conhecido no Brasil por identificar a cédula de mil cruzeiros, que exibia a efígie do barão do Rio Branco, patrono da diplomacia nacional.

Há 200 anos foi criada a primeira bicicleta: confira fotos antigas dos primeiros modelos

Em 1817, o barão alemão Karl von Drais inventou a bicicleta. Ele chamou a sua invenção de “máquina corredora”. Era feita de madeira e não tinha pedais – funcionava com o impulso dos pés. Seu objetivo era oferecer um meio de transporte alternativo aos cavalos, que fosse mais barato e fácil de manter. A invenção da bicicleta com pedais, por sua vez, é atribuída ao ferreiro escocês Kirkpatrick MacMillan, em 1839, apesar de seu modelo só ter começado a ser fabricado noa anos 1860 pelo inglês Thomas McCall. Naquela época, esse modelo foi apelidado de bone shaker (agita ossos), por causa do que ocorria quando circulava por ruas de paralelepípedos. Os pedais ficavam na roda dianteira. Apesar de ser possível a existência de modelos anteriores, o fabricante de carrinhos de bebê Pierre Lallement foi o primeiro a patentear a bicicleta com pedais.

Em 1870, começa a ser produzida a bicicleta de roda alta, sendo um dos modelos mais conhecidos (e caros) a Ariel, de James Starley. Trata-se da primeira bicicleta totalmente fabricada em metal, graças aos avanços da metalurgia para produzir peças leves e pequenas. Alguns modelos atingiam incríveis 40 quilômetros por hora. Como a segurança era um problema, também foram fabricados modelos com três ou quatro rodas. A partir da década de 1880, surgem as chamadas “bicicletas de segurança”, exatamente porque diminuíam o risco de quedas em relação aos modelos anteriores. A primeira foi a Rover, obra do engenheiro J. K. Starkley. São bicicletas muito parecidas com as atuais, com duas rodas do mesmo tamanho e o quadro em forma de diamante. Em 1888, John Dunlop acrescentou as rodas com pneus, tornando os trajetos mais cômodos. A partir dos anos 1890, as bicicletas começam a ser produzidas em larga escala.

Corrida de bicicletas de roda alta em 1928:

Fotografias antigas dos primeiros modelos de bicicletas:

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Bicicleta fabricada por Karl Von Drais em 1817
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Gravura mostrando como funciona a invenção de Von Drais
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Bicicleta fabricada por Kirkpatrick MacMillan em 1839
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Uma “bone shaker” fabricada na década de 1860
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Bicicleta fabricada nos EUA na década de 1890
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Bicicleta modelo Roulette sociável, de 1899

Um povo, muitos nomes: Qual a diferença entre os termos hebreu, judeu, israelita e semita?

Todos esses termos referem-se ao mesmo povo, ainda que em momentos distintos de sua história. São nomes dados ao povo que, na Bíblia, é descrito como o “povo escolhido de Deus”, ou simplesmente “povo de Deus”. Alguns homens que conhecemos bastante fizeram parte desse povo: Abraão, Moisés, Davi e até Jesus Cristo. Ainda assim, tantos nomes para designar o mesmo grupo populacional acaba causando alguma confusão. Vejamos com um pouco mais de detalhes o que cada um desses termos significa:

Semita: Descendentes de Sem, um dos três filhos de Noé que repovoaram a terra após o dilúvio. É um termo pouco usado para designar este povo, tanto historicamente quanto na atualidade. Todavia, é comumente empregado na sua forma negativa, quando dizemos, por exemplo, que o nazismo era uma ideologia antissemita, isto é, uma ideologia que pregava o ódio contra o povo de origem hebraica, judaica ou israelita. É importante lembrar que os semitas não se restringem ao povo hebreu, mas também a todos os povos que se originaram no crescente fértil e na península arábica (região do antigo Oriente Médio), incluindo os árabes, egípcios, mesopotâmios, assírios, etc.

Hebreu: Refere-se aos falantes nativos da língua hebraica. O termo deriva do nome próprio Héber. Segundo a tradição judaica, Héber, que era descendente (bisneto ou trineto) de Sem, recusou-se a participar da construção da torre de Babel, preservando assim a língua que no futuro viria a pertencer unicamente ao povo hebreu – e na qual seriam escritos todos os livros que compõem a Bíblia Hebraica (Antigo Testamento). O primeiro hebreu, segundo a tradição, foi o patriarca Abraão.

Israelita: Antes de dar nome à nação, Israel foi o novo nome dado a Jacó, filho de Isaque e neto de Abraão, do qual procederam as 12 tribos de Israel, a partir de cada um de seus 12 filhos. Nesse sentido, “israelita” significa literalmente “filhos de Israel” e designa, portanto, todos os descendentes de Jacó, inicialmente representados pelas 12 tribos de Israel. Etimologicamente, o nome Israel significa “lutar com Deus” (ver Gênesis 32:28). (Não confundir com “israelense”, gentílico do moderno estado de Israel, criado em 1948.)

Judeu: Povo remanescente da tribo de Judá, a única que restou em Israel após o cativeiro da Babilônia. Mesmo antes do exílio, porém, a tribo de Judá já se destacava dentre as tribos de Israel, tanto em população quanto em poderio militar. Tanto que, em determinado momento da história, a nação foi dividida em Reino do Sul (a tribo de Judá) e Reino do Norte (as demais 11 tribos de Israel). Esse termo também dá nome à religião praticada por esse povo: o judaísmo, considerada a primeira religião monoteísta.

Você pode não acreditar

Crônica do poeta e escritor mineiro Affonso Romano de Sant’Anna,
publicada no jornal Estado de Minas do dia 5 de maio de 2013.


Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que os leiteiros deixavam as garrafinhas de leite do lado de fora das casas, seja ao pé da porta, seja na janela. A gente ia de uniforme azul e branco para o grupo, de manhãzinha, passava pelas casas e não ocorria que alguém pudesse roubar aquilo. Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que os padeiros deixavam o pão na soleira da porta ou na janela que dava para a rua. A gente passava e via aquilo como uma coisa normal.

Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que não havia guardas nas portas dos bancos, nem dentro. Não havia casamatas no interior das casas bancárias. Você entrava e saía livremente. Assaltos a bancos eram coisas de filme americano. Você pode não acreditar: não havia carro forte blindado, aqueles seguranças super armados para recolher dinheiro, nem se anunciava aos ladrões que a chave do cofre não estava com o chofer ou que o carro estava sendo seguido por satélite.

Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que você saía à noite para namorar e voltava andando pelas ruas da cidade, caminhando displicentemente, sentindo cheiro de jasmim e de alecrim, sem olhar para trás, sem temer as sombras. Você pode não acreditar: houve um tempo em que as pessoas se visitavam airosamente. Chegavam no meio da tarde ou à noite, contavam casos, tomavam café, falavam da saúde, tricotavam sobre a vida alheia e voltavam de bonde às suas casas.

Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que um homem de bem não assinava promissória, bastava tirar um fio de seu bigode e aquilo valia como promessa de pagamento no prazo ajustado. Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que os jovens tinham que estar em casa às dez da noite. Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que o namorado primeiro ficava andando com a moça numa rua perto da casa dela, depois passava a namorar no portão, depois tinha ingresso na sala da família. Era sinal que já estava praticamente noivo e seguro.

Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que os filhos chamavam os pais de senhor e senhora, pediam a bênção e até beijavam-lhes a mão. Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que o professor ou professora quando entrava na sala de aula os alunos se levantavam e ficavam ao lado das carteiras para recepcioná-lo(a). Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que, nos colégios mistos, as moças sentavam-se nas carteiras da frente e o recreio feminino era separado do recreio masculino; os adolescentes ficavam se olhando à distância.

Houve um tempo em que havia tempo.
Houve um tempo.

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