Argumentos de autoridade em filosofia

Breve artigo do professor Aires Almeida sobre o uso falacioso de argumentos de autoridade no campo da filosofia. Lúcido e conciso.


Não é raro ver estudantes de filosofia usarem expressões do tipo “como mostrou Nietzsche”, “como sabemos desde Kant” ou “Hume ensinou-nos que”. Expressões como estas revelam, contudo, uma forma falaciosa de raciocínio, pelo que devem ser evitadas quando se discutem questões filosóficas. O raciocínio subjacente a expressões como estas tem a forma do argumento de autoridade: fulano diz que P, logo P. Neste caso, a autoridade a que se apela é algum filósofo consagrado. Mas, como é sabido, nem sempre os apelos à autoridade são bons argumentos. Por vezes, como é aqui o caso, trata-se de apelos falaciosos à autoridade. Por quê?

Não porque a autoridade invocada não seja especialista na área, nem porque não seja reconhecido como tal pelos seus pares. E também não é porque o especialista em causa tenha fortes interesses pessoais no que está a ser afirmado. Nada disso vem ao caso aqui. Mas é que há ainda outra condição que tem de ser satisfeita para um argumento de autoridade ser bom: que os especialistas na matéria não discordem significativamente entre si. Ora, se há coisa que sabemos é que não há matérias filosóficas substanciais sobre as quais os filósofos não discordem significativamente entre si. Assim, quando usamos argumentos desse tipo em filosofia, estamos a apelar falaciosamente à autoridade.

Até pode ser verdade que Kant disse que não se pode provar a existência de Deus. Mas daí não se segue que Kant mostrou que a existência de Deus não pode ser provada. Mesmo que ela não possa, efetivamente, ser provada. Podemos, contudo, interpretar caridosamente expressões como as referidas atrás. Numa interpretação caridosa, concedemos que, quando uma pessoa diz “Como Nietzsche mostrou, não há fatos, apenas interpretações”, ela quer dizer simplesmente que concorda com a ideia de Nietzsche de que não há fatos, mas apenas interpretações. Só que esta é uma maneira muito enganadora de exprimir a sua concordância.

Como ler um texto filosófico

Recado do professor Dr. Clóvis de Barros Filho (USP) para as pessoas que têm dificuldades em lidar com textos filosóficos (ou seja, todo mundo).

Veja também: Como ler um texto de filosofia

Professor Roberto Bolzani Filho fala sobre o diálogo “A República” de Platão

No 35º programa Literatura Fundamental, exibido pela Univesp TV, Ederson Granetto entrevista o professor de filosofia Roberto Bolzani Filho, da Universidade de São Paulo (USP) que fala sobre o diálogo A República de Platão.

Professor Adriano Ribeiro Machado fala sobre o diálogo “O Banquete” de Platão

No 14º programa Literatura Fundamental, exibido pela Univesp TV, Ederson Granetto recebe e entrevista o professor de letras clássicas (grego e latim) da USP Adriano Ribeiro Machado, que fala sobre o diálogo O Banquete de Platão.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Pág. 10 de 20Pág. 1 de 20...91011...20...Pág. 20 de 20
%d blogueiros gostam disto: