Amizade pós-moderna

281_feed_amigosA partir de análises feitas com primatas no início da década de 1990, o antropólogo Robin Dunbar, professor de psicologia da Universidade de Oxford, na Inglaterra, estabeleceu uma relação entre o tamanho do neocórtex, a área do cérebro responsável pelo pensamento consciente, e o número máximo de pessoas com quem é viável manter relações sociais. Evidências estatísticas, como o número de habitantes de comunidades primitivas e a quantidade de soldados em uma unidade do exército, serviram de base para que o britânico calculasse que é possível interagir de maneira mais profunda com, no máximo, 150 pessoas — em outras palavras, esse é o número de indivíduos com quem você se sentiria confortável para tomar uma cerveja após um encontro inesperado no bar.

E, de acordo com as últimas pesquisas do antropólogo, esse “teto social” evolutivo imposto pelo cérebro continua o mesmo apesar das mudanças de comportamento causadas pelas redes sociais. “Pedimos aos usuários para enumerar quantas pessoas da lista de contato eles viram ao menos uma vez no ano e observamos que as redes não conseguem expandir o número de relações pessoais”, diz Dunbar. O psicólogo Diogo Araújo de Sousa, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, exemplifica esse quadro: “Se você pedir para uma pessoa que faça uma lista de convidados para a festa de formatura, ela não usará toda a sua lista de amigos do Facebook”.

Fonte: Galileu.

No vídeo abaixo, o renomado sociólogo polonês Zygmunt Bauman faz uma análise sobre os benefícios e malefícios do Facebook para esta geração.

Sobre a prática de infanticídio em algumas tribos indígenas da Amazônia

Hoje é Dia das crianças. Quero aproveitar a data para alertar sobre um triste fato do nosso Brasil: Enquanto a maioria das crianças brasileiras ganha presentes hoje, uma minoria indefesa está sendo cruelmente assassinada nas aldeias indígenas.

Fiquei pasmo quando li numa matéria da Folha que o terrível costume indígena de enterrar crianças vivas – ou abandoná-las na floresta para morrer – persiste em pleno século 21 em cerca de 20 etnias brasileiras. Segundo a reportagem, os bebês são escolhidos para morrer por diversos motivos, desde nascer com deficiência física ou mental a ser gêmeo ou filho de mãe solteira. ONGs acusam o governo de cruzar os braços diante da morte de crianças e defendem que o Estado seja obrigado por lei a protegê-las. A polêmica chegou ao Congresso em 2007, quando o deputado Henrique Afonso (PV-AC) apresentou um projeto de lei que previa punir agentes de saúde e da Funai (Fundação Nacional do Índio) que não tomarem “medidas cabíveis” para impedir o ritual. Eles responderiam por crime de omissão de socorro, cuja pena varia de multa a prisão por até um ano. “As tradições dos povos indígenas devem ser respeitadas, mas o direito à vida é um valor universal e garantido pela Constituição”, afirma o deputado. Nada mais justo, na minha opinião. Enquanto lia, pensei no quanto esse projeto é necessário e deveria ser aprovado e transformado em lei o quanto antes.

Do outro lado da discussão, políticos, antropólogos e assessores da Funai pressionaram a Comissão de Direitos Humanos da Câmara, que adiou a votação da proposta por 4 anos. A deputada Janete Pietá (PT-SP) se diz uma atuante em defesa da autonomia dos povos indígenas e afirma: “A tradição de sacrificar crianças é mantida por poucas comunidades. O Brasil tem mais de 200 povos indígenas. Se isso ainda ocorrer em 20, são apenas 10%”. Nos bastidores, a Funai fez de tudo para enfraquecer o texto com o argumento de que ele criaria uma interferência cultural indevida e reforçaria o preconceito contra os índios. Em 2010, a Funai ainda processou a entidade evangélica Jocum pela exibição de um documentário sobre o infanticídio. A Justiça Federal determinou a retirada do vídeo do YouTube por entender que ele incitava o preconceito e causava dano à imagem dos índios.

Conselhos póstumos de um bom pai

Quando soube que tinha poucos meses de vida por causa de um câncer, o professor de gramática inglês Paul Flanagan só pensou em seus filhos, Thomas e Lucy. Em vez de sentir piedade de si mesmo ou entregar-se à tristeza, ele usou seus últimos dias para tentar ser um bom pai – mesmo à distância. Paul escreveu cartas, deixou mensagens gravadas em DVD e até comprou presentes para ser entregues às crianças em seus aniversários futuros. Separou também seus livros preferidos e, dentro deles, deixou bilhetes dizendo por que havia gostado de lê-los. Em novembro de 2009, aos 45 anos, Paul morreu por causa do melanoma, deixando sua mulher Mandy, seu filho Thomas, então com 5 anos, e sua filha Lucy, de 1 ano e meio.

Quase dois anos depois, ele continua presente com suas mensagens e fotos espalhadas por toda a casa. No mês passado, a família ganhou mais uma lembrança de Paul. É que Mandy encontrou, por acaso, um documento de texto em seu antigo computador intitulado “Sobre encontrar a realização”. Era uma carta de Paul destinada aos seus dois filhos. “Abri e, com lágrimas nos olhos, descobri que eram conselhos para viver uma vida boa e feliz”, disse Mandy ao jornal britânico Daily Mail. Ela ainda afirmou que a carta é uma reprodução fiel dos valores e do bom humor de Paul. “Quando alguém recebe a notícia de que tem poucos meses de vida, decide que sua vida não vai ser completa se não pular de paraquedas ou não tiver visitado o Grand Canyon. Esse não era Paul. Tudo que importava para ele estava bem aqui. Ele viveu e morreu de acordo com suas próprias regras, e sei que encontrou sua própria realização”, completa. O professor resumiu as reflexões que nortearam seu modo de viver em 28 itens. Letícia Sorg, repórter especial da revista ÉPOCA em São Paulo, traduziu a carta de Paul e as publicou. Agora, a carta serve de inspiração não só para os filhos de Paul, mas para todos os que a lerem. Leia a carta:


Nessas últimas semanas, depois de saber de meu diagnóstico terminal, procurei encontrar em minha alma e em meu coração maneiras de estar em contato com vocês enquanto vocês crescem. Estive pensando sobre o que realmente importa na vida, os valores e aspirações que fazem as pessoas felizes e bem-sucedidas. Na minha opinião, e vocês provavelmente têm suas próprias ideias agora, a fórmula é bem simples.

As três virtudes mais importantes são: lealdade, integridade e coragem moral. Se aspirarem a elas, seus amigos os respeitarão, seus empregadores o manterão no emprego, e seu pai será muito orgulhoso de vocês. Estou dando conselhos a vocês. Esses são os princípios sobre o quais tentei construir a minha vida e são exatamente os que eu encorajaria vocês a abraçar, se eu pudesse. Amo muito vocês. Não se esqueçam disso. Mostre coragem moral. Faça o que é certo, mesmo que isso o torne impopular. Sempre achei importante ser capaz de me olhar no espelho toda manhã, ao fazer a barba, e não sentir nenhuma culpa ou remorso. Parto deste mundo com a consciência limpa. Mostre humildade. Tenha a sua opinião, mas pare para refletir no que o outro lado está dizendo, e volte atrás quando descobrir estar errado. Nunca se preocupe em perder a personalidade. Isso só acontece quando se é cabeça-dura. Aprenda com seus erros. Você vai cometer muitos, então os use como uma ferramenta de aprendizado. Se você continuar cometendo o mesmo erro ou se meter em problema, está fazendo algo errado.

Seja gentil: você conseguirá mais do que você quer se der ao outro o que ele deseja. Comprometer-se pode ser bom.  Seja cortês, pontual, sempre diga “por favor” e “obrigado”, e tenha certeza de usar o garfo e a faca de maneira correta. Os outros decidem como tratá-los de acordo com as suas maneiras. Seja generoso, atencioso e tenha compaixão quando os outros enfrentarem dificuldades, mesmo que você tenha seus próprios problemas. Os outros vão admirar sua abnegação e vão ajudá-lo. Doe para a caridade e ajude os menos afortunados que você: é fácil e muito recompensador. Evite rebaixar alguém para outra pessoa; isso só vai fazer você ser visto como mau. Se você tiver um problema com alguém, diga a ela pessoalmente. Suspenda fogo! Se alguém importuná-lo, não reaja imediatamente. Uma vez que você disse alguma coisa, não pode mais retirá-la.

Divirta-se. Se isso envolve assumir riscos, assuma-os. Se for pego, coloque suas mãos para cima. Sempre olhe para o lado bom! O copo está meio cheio, nunca meio vazio. Toda adversidade tem um lado bom, se você procurar. Faça seu instinto pensar sempre sempre em dizer “sim”. Procure razões para fazer algo, não as razões para dizer “não”. Seus amigos vão gostar de você por isso. Sempre aceite convites para festas. Você pode não querer ir, mas eles querem que você vá. Mostre a eles cortesia e respeito. Nunca abandone um amigo. Eu enterraria cadáveres por meus amigos, se eles me pedissem. por isso eu os escolhi tão cuidadosamente. Sempre trate aqueles que conhecer como seu igual, estejam eles acima ou abaixo de seu estágio na vida. Para aqueles acima de você, mostre deferência, mas não seja um puxa-saco. Sempre dê gorjeta por um bom serviço. Isso mostra respeito. Mas nunca recompense um mau serviço. Um serviço ruim é um insulto. Sempre respeite a idade, porque idade é igual a sabedoria. Esteja preparado para colocar os interesses de seu irmão à frente dos seus.

Orgulhe-se de quem você é e de onde você veio, mas abra a sua mente para outras culturas e línguas. Quando começar a viajar (como espero que faça), você aprenderá que seu lugar no mundo é, ao mesmo tempo, vital e insignificante. Não cresça mais que os seus calções. Seja ambicioso, mas não apenas ambicioso. Prepare-se para amparar suas ambições em treinamento e trabalho duro. Viva o dia ao máximo: faça algo que o faça sorrir ou gargalhar, e evite a procrastinação. Dê o seu melhor na escola. Alguns professores se esquecem de que os alunos precisam de incentivos. Então, se o seu professor não o incentivar, incentive a si mesmo. Sempre compre aquilo que você pode pagar. Nunca poupe em hotéis, roupas, sapatos, maquiagem ou joias. Mas sempre procurem um bom negócio. Você recebe por aquilo que paga.

Nunca desista! Meus dois pequenos soldados não têm pai, mas não corajosos, têm um coração grande, estão em forma e são fortes. Vocês também são amados por uma família e amigos generosos. Vocês fazem o seu próprio destino, meus filhos, então lutem por ele. Nunca sinta pena de si mesmo, ou pelo menos não sinta por muito tempo. Chorar não melhora as coisas. Cuide de seu corpo que ele vai cuidar de você. Aprenda outro idioma, ou pelo menos tente. Nunca comece uma conversa com um estrangeiro sem primeiro cumprimentá-lo em sua língua materna; mas depois pergunte se ela fala inglês. E, por fim, tenha carinho por sua mãe, e cuide muito bem dela. Amo vocês com todo meu coração.

Papai

Movimento de Extinção Humana Voluntária

A marca de 7 bilhões de pessoas vivendo neste planeta chega trazendo muita preocupação. O planeta está perigosamente sobrecarregado de pessoas! Não apenas isso, mas nós, como espécie, estamos mijando na cheirosa fonte da vida há muito tempo. Esse foi basicamente o tema da Rio+20. Entretanto, para um movimento fundado nos Estados Unidos, não há caminho real para que tantos os seres humanos vivam de forma equilibrada com o planeta, e a única forma de alcançar uma vida feliz para todos é o da extinção. Les Knight, líder do Movimento da Extinção Humana Voluntária, em entrevista ao G1, explica: “Somos uma ameaça à vida na Terra. Já passamos da capacidade de manter uma vida sustentável no mundo há muito tempo. Cada pessoa nova é um fardo para o planeta. Não há motivo para celebrar a chegada a 7 bilhões de pessoas. […] Estamos destruindo a cadeia alimentar e destruindo a nós mesmos. Não é possível saber quando, mas acreditamos que sem um movimento voluntário de extinção, chegaremos a uma situação em que seremos extintos de forma involuntária pela falta de condições do planeta em suportar a população mundial”.

A proposta é menos apocalíptica do que pode parecer. O movimento não defende suicídios coletivos ou um apocalipse voluntário. O Les quer que você morra, mas não agora. A proposta é apenas que você morra de velhice feliz no seu cantinho – mas por favor, não deixe nenhuma cria por aí. É só pararmos de fazer nenéns e deixar que os outros seres humanos vivam suas longas e gananciosas vidas antes de virar pó e finalmente deixar o planeta se recuperar. A extinção ocorreria em menos de um século, quando todos os humanos vivos hoje morressem naturalmente após uma longa vida. O movimento ressalta que evitar a reprodução não é o mesmo que parar de ter relações sexuais, mas apenas incentivar o uso de métodos contraceptivos. Lembra ainda que mesmo quem já tem filhos pode se apegar à ideia do movimento e fazer sua parte. “Não somos contra sexo e não somos contra crianças. Pelo contrário, achamos que precisamos cuidar muito bem das que já existem, e um dos passos para isso é evitar que surjam novas crianças”, explica Knight. Segundo Knight, milhares de pessoas apoiam o VHEMT na internet, mas deve haver milhões de outras pessoas espalhadas pelo mundo que seguem o que é defendido pelo grupo. Mesmo assim, ele sabe que o objetivo central do movimento é mais levantar a discussão, provocar, do que de fato alcançar a extinção. “O movimento não tem chance de ser bem-sucedido”, completa.

Com informações de: G1.

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