Matrix e a verdadeira vida

Crônica de Rubem Amorese publicada na revista Ultimato em 2004.

“Cristo salva de quê? Não estou morrendo afogado!” — disse o colega, ao ver o adesivo colado no vidro do meu carro. Na hora, dei uma resposta padrão, evangelística. No entanto, senti que eu mesmo não conseguia verbalizar convincentemente um “Cristo salva” para gente como aquele colega. O que poderia ser dito ao jovem saudável, de família abastada e vida profissional promissora que o fizesse ver a necessidade de salvação? Dizer-lhe que nasceu em pecado, que o salário do pecado é a morte, mas que em Cristo pode ter vida abundante, se o receber em arrependimento e fé, como senhor e salvador de sua vida? Sim, certamente. Mas não sentiria estar comunicando. Precisava de uma parábola.

Quem poderia supor que ela adviria da trilogia Matrix? Pois veio. Assisti aos três filmes, aficionado que sou por tecnologia de ponta, ficção científica e efeitos especiais. Mas fiz uma leitura teológica. Não sei se intencionalmente, Matrix versa sobre trevas e luz; perdição e resgate; escravidão e redenção. Ao reagir à invasão alienígena de seres tanto mecânicos quanto orgânicos e espirituais, os humanos do futuro pensam que podem cortar-lhes a fonte de energia, cobrindo o sol do planeta com uma nuvem atômica de proporções apocalípticas. Mas os invasores descobrem uma nova fonte de energia: os próprios seres humanos, agora cultivados em imensas plantações.

Cada pessoa que nasce é colocada num casulo gosmento e ligada a tubos que lhe fornecerão alimento e lhes extrairão calor do corpo. E os humanos passam a vida, de nenê a adulto, como baterias humanas, a energizar essa rede formidável. O detalhe é o tubo que entra na cabeça de cada um, pela nuca. Por esse terminal, o sistema fornece a cada vítima um sonho, uma “vida”. O computador que tudo gerencia, chamado Matrix, lhe “fornece” estudos, trabalho, família, vida profissional e tudo o mais, instilado, como um filme, diretamente no cérebro. E as pessoas não têm consciência de que estão vegetando no casulo gosmento, em posição fetal. Quando morrem, ou perdem a “energia”, com a idade, são transformadas em compostos alimentícios para aqueles que vão nascendo. Reciclagem. A cena da grande “plantação”, com sua malha de tubos e adutores, é tétrica.

A história começa com um resgate. Morfeu, o líder de um pequeno grupo de pessoas “desplugadas”, que vivem na realidade lutando contra os invasores, passou a vida à procura daquele que teria o dom de “ver” a Matrix, com seus mecanismos, programas e fraquezas. Teria, portanto, o poder de conduzi-los à vitória. Então, resgata da Matrix um rapaz que, mesmo vivendo a vida fictícia fornecida pelo sistema, em seus sonhos tem visões da “realidade real” e desconfia da “realidade artificial” em que está. “Deve haver algo mais”, pensa ele. E, mesmo na vida alienada, torna-se um hábil hacker de computador que invade o sistema, rouba e vende informações sigilosas — informações sobre a verdadeira realidade, eu concluo — e foge da polícia dos invasores.

Interessante: essa “vida” criada pela Matrix é tão “real” e satisfatória que muitos, ao serem “desplugados”, pedem para retornar. Não suportam a realidade. Nesta, eles são renegados, vivendo nos escombros da civilização pós-cataclisma nuclear; naquela, ordeiros cidadãos, vivendo uma vida normal, organizada e prazerosa. E, então, eu me dou conta da “parábola” de que somos “escolhidos”, isto é, “desplugados” por Cristo de um sistema diabólico, onde já nascemos “mortos” (Efésios 2:1) em uma “realidade falsa”. Imediatamente ouço outra vez meu colega dizer: “Cristo salva de quê?”. Coitado de Moisés! Imagino-o tendo de suportar de seus irmãos, no Egito:

— Libertação de quê?

E a resposta “pouco convincente”:

— Desta vida falsa, desta vida de escravidão.

— E para onde vamos, Moisés?

— No momento, para o deserto…

O fim da escrita cursiva

 

bild-300x410O popular tablóide alemão Bild, jornal de maior circulação na Europa, com mais de 3 milhões de cópias diárias, publicou no último dia 27 de junho uma capa especial, totalmente escrita à mão. A manchete de meia página dizia: “Atenção! A caligrafia está extinta!”. O objetivo seria mostrar que o hábito de escrever usando papel e caneta está morrendo por causa do crescente uso de tecnologias digitais. Um estudo divulgado pelo Bild observa que a maioria das pessoas hoje se comunica por escrito, quase que totalmente apenas através de SMS e e-mail, e que 79% dos lares da Alemanha têm um computador. “Um terço da população adulta não escreveu nada à mão, nos últimos 6 meses, de acordo com um estudo recente”, diz a matéria. O diretor da Clínica Psiquiátrica Universitária de Ulm, professor Manfred Spitzer, diz que a escrita à mão é essencial para promover a coordenação motora, as habilidades manuais e para a atividade do cérebro. Spitzer também está preocupado com as novas gerações de tablets e celulares inteligentes que irão oferecer a possibilidade de ditar ou emitir ordens oralmente, com isso não será mais preciso sequer usar o teclado.

Com informações de: Tecnoblog.

Copa Filosófica: Alemanha x Grécia

Já imaginou uma partida de futebol com os maiores pensadores da história da humaninade em campo? O grupo de humoristas britânicos Monty Python imaginou! O resultado é esse divertidíssimo vídeo: uma partida de futebol entre filósofos alemães e gregos. A partida terminou com o placar Alemanha 0 x 1 Grécia. Estiveram em campo nomes como Nietzsche, Kant e Hegel contra Sócrates, Platão e Aristóteles. O único gol da peleja, no Estádio Olímpico de Munique (Alemanha), foi marcado por Sócrates, nos acréscimos do 2º tempo.

Movimento de Extinção Humana Voluntária

A marca de 7 bilhões de pessoas vivendo neste planeta chega trazendo muita preocupação. O planeta está perigosamente sobrecarregado de pessoas! Não apenas isso, mas nós, como espécie, estamos mijando na cheirosa fonte da vida há muito tempo. Esse foi basicamente o tema da Rio+20. Entretanto, para um movimento fundado nos Estados Unidos, não há caminho real para que tantos os seres humanos vivam de forma equilibrada com o planeta, e a única forma de alcançar uma vida feliz para todos é o da extinção. Les Knight, líder do Movimento da Extinção Humana Voluntária, em entrevista ao G1, explica: “Somos uma ameaça à vida na Terra. Já passamos da capacidade de manter uma vida sustentável no mundo há muito tempo. Cada pessoa nova é um fardo para o planeta. Não há motivo para celebrar a chegada a 7 bilhões de pessoas. […] Estamos destruindo a cadeia alimentar e destruindo a nós mesmos. Não é possível saber quando, mas acreditamos que sem um movimento voluntário de extinção, chegaremos a uma situação em que seremos extintos de forma involuntária pela falta de condições do planeta em suportar a população mundial”.

A proposta é menos apocalíptica do que pode parecer. O movimento não defende suicídios coletivos ou um apocalipse voluntário. O Les quer que você morra, mas não agora. A proposta é apenas que você morra de velhice feliz no seu cantinho – mas por favor, não deixe nenhuma cria por aí. É só pararmos de fazer nenéns e deixar que os outros seres humanos vivam suas longas e gananciosas vidas antes de virar pó e finalmente deixar o planeta se recuperar. A extinção ocorreria em menos de um século, quando todos os humanos vivos hoje morressem naturalmente após uma longa vida. O movimento ressalta que evitar a reprodução não é o mesmo que parar de ter relações sexuais, mas apenas incentivar o uso de métodos contraceptivos. Lembra ainda que mesmo quem já tem filhos pode se apegar à ideia do movimento e fazer sua parte. “Não somos contra sexo e não somos contra crianças. Pelo contrário, achamos que precisamos cuidar muito bem das que já existem, e um dos passos para isso é evitar que surjam novas crianças”, explica Knight. Segundo Knight, milhares de pessoas apoiam o VHEMT na internet, mas deve haver milhões de outras pessoas espalhadas pelo mundo que seguem o que é defendido pelo grupo. Mesmo assim, ele sabe que o objetivo central do movimento é mais levantar a discussão, provocar, do que de fato alcançar a extinção. “O movimento não tem chance de ser bem-sucedido”, completa.

Com informações de: G1.

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