Como Isaac Asimov previu 2014

Em 1964, durante a Feira Mundial de Ciência e Tecnologia de Nova York, o jornal americano The New York Times convidou o futurólogo e escritor de ficção científica Isaac Asimov (1920-1992) a fazer previsões de como seria o mundo 50 anos depois, ou seja, agora em 2014. As previsões são surpreendentes.


Cozinha: Asimov prevê que os equipamentos de culinária pouparão a humanidade de fazer trabalhos tediosos. “As cozinhas estão equipadas para fazer auto-refeições. Almoços e jantares serão feitos com comidas semi-preparadas, que poderão ser conservadas em freezer. As cozinhas terão equipamentos capazes de preparar uma refeição individual em poucos segundos”. Só faltou usar a palavra “microondas”.

Computadores: O escritor previu um mundo repleto de computadores capazes de fazer as mais complexas tarefas. “Em 2014, haverá minicomputadores instalados em robôs”, escreve ele, no que parece ser uma alusão aos chips. E garantiu que eles serão capazes de traduzir, como se previsse a existência do Google Translator.

Comunicação: As ligações telefônicas terão imagem e voz, garantiu Asimov. “As telas serão usadas não apenas para ver pessoas, mas também para estudar documentos e fotos e ler livros”. E prevê que satélites em órbita tornarão possível fazer conexões telefônicas para qualquer lugar da Terra e até mesmo “saber o clima na Antártica”. Mas em Terra haverá outras soluções. “A conexão terá que ser feita em tubos de plástico, para evitar a interferência atmosférica”, escreve ele, como se já conhecesse a fibra ótica.

Cinema: Asimov previu que o cinema seria apresentando em 3D, mas garantiu que certas coisas nunca mudariam: “Continuarão a existir filas de três horas para ver o filme”.

Energia: Ele previu que já existiriam algumas usinas experimentais produzindo energia com a fusão nuclear. Errou. Mas acertou quando vaticinou a existência de baterias recarregáveis para alimentar muitos aparelhos elétricos de nossa vida cotidiana. Mais ainda: “Uma vez usadas, as baterias só poderão ser recolhidas por agentes autorizados pelos fabricantes” — o que deveria acontecer, mas nem sempre acontece.

Veículos: Asimov erra feio nas suas previsões relacionadas ao transporte. Ele acreditou que carros e caminhões pudessem circular sem encostar no chão ou água, deslizando a uma altura de “um ou dois metros”. E que não haveria mais necessidade de construir pontes, “já que os carros seriam capazes de circular sobre as águas, mas serão desencorajados a fazer isso pelas autoridades”.

Marte: Para o escritor, em 2014 o homem já terá chegado a Marte com espaçonaves não tripuladas, embora “já estivesse sendo planejada uma expedição com pessoas e até a formação de uma colônia marciana”. O que nos faz lembrar da proposta pública de uma viagem a Marte só de ida, feita recentemente, para formar a primeira colônia no planeta.

Televisão: Asimov cita a provável existência de “televisões de parede”, como se pudesse prever as telas planas, mas acredita que os aparelhos serão substituídos por cubos capazes de fazer transmissões em 3-D, visíveis de qualquer ângulo.

População: O escritor previu que a população mundial seria de 6,5 bilhões em 2014 (já passou dos 7 bilhões) e que áreas desérticas e geladas seriam ocupadas por cidades — o que não é exatamente errado. Mas preconizou, também, a má divisão de renda: “Uma grande parte da humanidade não terá acesso à tecnologia existente e, embora melhor do que hoje, estará muito defasada em relação às populações mais privilegiados do mundo. Nesse sentido, andaremos para trás”, escreve ele.

Comida: “Em 2014 será comum a ‘carne falsa’, feita com vegetais, e que não será exatamente ruim, mas haverá muita resistência a essa inovação”, escreve Asimov, referindo-se provavelmente aos hambúrgueres de soja.

Expectativa de vida: O escritor preconizou problemas devido à super população do planeta, atribuindo-a aos avanços da medicina: “O uso de aparelhos capazes de substituir o coração e outros órgãos vai elevar a expectativa de vida, em algumas partes do planeta, a 85 anos de idade”. A média mundial subiu de 52 anos em 1964 para 70 anos em 2012. Em alguns países, como Japão, Suíça e Austrália, já está em 82 anos.

Escola: “As escolas do futuro apresentarão aulas em circuitos fechados de TV e todos os alunos aprenderão os fundamentos da tecnologia dos computadores”, escreve Asimov.

Trabalho: Asimov previu uma população entediada, como sinal de uma doença que “se alastra a cada ano, aumentando de intensidade, o que terá consequência mentais, emocionais e sociais”. Depressão? “Ouso dizer”, prossegue ele, “que a psiquiatria será a especialidade médica mais importante em 2014. Aqueles poucos que puderem se envolver em trabalhos mais criativos formarão a elite da humanidade”.

É interessante observar que Asimov acerta bastante. E qual é o mistério nisso? Ele é algum tipo de profeta? Muito longe disso! É ciência pura. É futurologia. Ele simplesmente se apoiou em dados disponíveis em 1964 que possibilitaram a construção de cenários possíveis a partir da projeção dos avanços tecnológicos já desenhados naquela época. Porém, tanto Asimov quanto a maioria dos futurólogos de sua época não foram capazes de prever a internet. A meu ver, a rede mundial de computadores é tão importante para a difusão da informação e a democratização do conhecimento que pode ser comparada com o advento da imprensa de Gutemberg no século 15.

Com informações de: Hype Science.

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