Ariano Suassuna (in vitae)

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Ariano Suassuna não morreu. E isso não é uma frase utópica de um fã inconformado, como a que se refere a Elvis. Ariano realmente não morreu: continua vivinho da silva, do alto de seus 87 anos muito bem vividos. Mas o escritor e dramaturgo paraibano passou por maus bocados na noite de ontem (21) em Recife, quando foi internado às pressas depois de um AVC hemorrágico. Ele continua na UTI, mas seu quadro, segundo os médicos, é estável (veja a notícia completa aqui).

Em menos de uma semana perdemos o escritor João Ubaldo Ribeiro, o educador Rubem Alves, e quase vimos partir um dos nossos maiores poetas. Foram tantas e tão significativas perdas que este blog está parecendo mais a seção fúnebre de um jornal do interior, daquelas que só publicam notas de falecimento e convites para missas de sétimo dia. Embora sejam justas essas homenagens póstumas a figuras tão ilustres e talentosas, fico intrigado com o fato de que os maiores interessados nelas – os homenageados – nunca estão vivos para ver. Não é embaraçoso que só prestemos nossas homenagens in memoriam e quase nunca in vitae? Eu acho. E por isso dessa vez quero fazer diferente.

Muito contra a nossa vontade, temos de admitir que Ariano (que eufemismo usar?) já está arrumando as malas. Ele já deixou para trás quase nove décadas e sofreu esse AVC ontem. Para um homem de sua idade, mesmo com a força do sertanejo, uma recuperação total é muito difícil. Antes que ele morra (desisti dos eufemismos), quero prestar-lhe a singela homenagem de simplesmente mencionar aqui o meu apreço e desejo sincero de que ele parta em paz.

ariano suassunaAriano Suassuna é meu conterrâneo. Nascido em João Pessoa (Paraíba) no ano de 1927, aos 10 anos de idade mudou-se com a família para Recife (Pernambuco), onde viveu até hoje. Por lá ele estudou Direito, mas nunca exerceu a advocacia. Formou-se também em Filosofia, mas sua maior paixão são as letras, a poesia, a literatura e, acima de tudo, a cultura popular nordestina. Desde 1989 é membro da Academia Brasileira de Letras. Entre inúmeras outras obras, escreveu O Auto da Compadecida e A Pedra do Reino, ambas com famosas adaptações para a TV e para o cinema. É casado e pai de 6 filhos.

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