Ariano Suassuna (in memoriam)

Veja também: Ariano Suassuna (in vitae)

Não tem mais jeito, o poeta morreu. Cumpriu sua sentença. Encontrou-se com o único mal irremediável: aquilo que é a marca do nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo o que é vivo morre. Falando assim, bonito desse jeito, parece até que posso ouvir todos os joões grilos do mundo – agora todos órfãos – replicando: “Tudo o que é vivo morre. Está aí uma coisa que eu não sabia! Bonito. Onde foi que você ouviu isso? De sua cabeça é que não saiu, que eu sei”. A cada um deles eu seria forçado a admitir: Saiu mesmo não, João. Isso só podia ter saído da cabeça de Ariano, o nosso mestre da voz rouca, e ganhado o mundo na boca de um dos seus personagens mais queridos na sua obra mais famosa: Chicó, em O Auto da Compadecida.

Ariano Suassuna morreu

Ariano Suassuna era meu conterrâneo. Nascido em João Pessoa (Paraíba) no ano de 1927, aos 10 anos de idade mudou-se com a família para Recife (Pernambuco), onde viveu até hoje. Por lá ele estudou Direito, mas nunca exerceu a advocacia. Formou-se também em Filosofia, mas sua maior paixão são as letras, a poesia, a literatura e, acima de tudo, a cultura popular nordestina. Desde 1989 é membro da Academia Brasileira de Letras. Entre inúmeras outras obras, escreveu O Auto da Compadecida e A Pedra do Reino, ambas com famosas adaptações para o cinema e para a TV. Ariano era casado e pai de 6 filhos.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Deixe uma resposta:

%d blogueiros gostam disto: